
A OpenAI, conhecida por seus investimentos massivos em inteligência artificial, está apostando também em inteligência orgânica. A empresa participa da rodada de financiamento da Merge Labs, startup que desenvolve interfaces cérebro-computador (BCIs), tecnologia que promete transformar a forma como humanos interagem com máquinas.
“As interfaces cérebro-computador representam uma nova fronteira, abrindo caminhos para comunicação, aprendizado e interação com a tecnologia de maneira natural e centrada no ser humano”, afirmou a OpenAI na quinta-feira. “É por isso que estamos participando da rodada seed da Merge Labs.”
O CEO da OpenAI, Sam Altman, é cofundador da Merge Labs, o que pode ter influenciado a participação da empresa. Embora o valor do aporte não tenha sido divulgado, a rodada total foi de US$ 252 milhões, com outros investidores como Bain Capital e Gabe Newell, cofundador da Valve. O investimento é pequeno se comparado aos US$ 1,4 trilhão que a OpenAI pretende aplicar em infraestrutura nos próximos oito anos.
Mercado de BCIs e concorrência
Segundo estimativa do Morgan Stanley de outubro de 2024, o mercado de BCIs nos EUA pode atingir US$ 400 bilhões, principalmente em aplicações médicas para pessoas com deficiência ou condições neurológicas. Isso impulsiona a competição entre empresas como Neuralink, Paradromics, Synaptrix Labs e Synchron, desenvolvendo soluções invasivas e não invasivas.
Thomas Oxley, CEO da Synchron, comentou que o foco inicial é na saúde, mas a longo prazo as BCIs poderão ser usadas em consumo, trabalho e até aplicações militares, sem necessidade de cirurgia. A Merge Labs, por sua vez, afirma que pretende disponibilizar a tecnologia para qualquer pessoa, combinando biologia, dispositivos e IA de forma acessível.
O setor também explora interações neurais usando moléculas e ultrassom, evitando implantes invasivos. Aplicações práticas incluem jogos, trabalho de escritório e até controle remoto de drones, embora especialistas alertem que o aprendizado de máquina integrado ainda precisa evoluir para ser confiável.
Desafios e prazos
A Merge Labs reconhece que o projeto pode levar décadas para se concretizar, refletindo a complexidade da tecnologia. Transformações tecnológicas anteriores, como a pesquisa em BCIs pelo Facebook Reality Labs, também enfrentaram desafios e foram parcialmente abandonadas.
Enquanto isso, a OpenAI enfrenta obrigações financeiras significativas. O Wall Street Journal estima que a empresa registre prejuízo operacional de US$ 74 bilhões em 2028, com lucro previsto apenas para 2030. A execução de seus US$ 1,4 trilhão em investimentos em infraestrutura exigirá provavelmente novos financiamentos, levantando especulações sobre possíveis aquisições por Amazon ou Microsoft.
Expansão de hardware e parcerias estratégicas
A OpenAI busca parceiros estratégicos para expandir manufatura avançada em hardware, data centers de IA e robótica nos EUA. A seleção de fornecedores está prevista apenas para março de 2027. Além disso, a empresa desenvolve chips próprios com a Broadcom e planeja dispositivos de hardware para consumidores, com contribuição do ex-designer-chefe da Apple, Jony Ive.
A aposta em BCIs e expansão de hardware mostra que a OpenAI pretende integrar cada vez mais inteligência artificial à interação humana direta, traçando um caminho ambicioso e de longo prazo para a tecnologia.



