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Apple troca comando de IA — e o recado vai além da Siri

Por Guilherme Domingues

A saída de John Giannandrea do comando direto da área de Inteligência Artificial da Apple não é apenas uma mudança de cadeira executiva. Ela escancara um momento delicado — e decisivo — para a empresa mais valiosa do mundo.

Enquanto Google, Microsoft e OpenAI aceleram a integração de IA em produtos já maduros, a Apple segue um caminho mais cauteloso. O problema é que, em 2025, cautela demais começa a parecer atraso.
A revisão do cronograma da Siri é o maior símbolo disso. A assistente, que já foi referência, hoje está distante do nível de fluidez, contexto e proatividade visto em soluções concorrentes. Internamente, a Apple sabe disso — e a troca no comando indica que o discurso de “IA no tempo certo” está sendo substituído por “IA no ritmo do mercado”.

Amar Subramanya: técnico, silencioso e estratégico
A nomeação de Amar Subramanya como vice-presidente não é aleatória. Diferente de executivos midiáticos, ele tem um perfil extremamente técnico, com histórico forte em sistemas centrais e infraestrutura — exatamente onde a Apple costuma apostar quando quer reconstruir algo desde a base.

Isso reforça uma tese importante:
👉 a Apple não quer apenas “copiar” modelos de IA generativa.
👉 ela quer integrar inteligência de forma nativa ao sistema, com controle total de hardware, software e privacidade.
E isso leva tempo.

O dilema da Apple: fazer melhor ou fazer agora?
A Apple sempre venceu fazendo menos barulho e mais integração. Foi assim com o iPhone, com o Apple Silicon e com o ecossistema como um todo.

Mas a IA muda o jogo.
Pela primeira vez, a empresa corre o risco de ser percebida como seguidora, não líder. E no mercado de tecnologia, percepção pesa quase tanto quanto produto.
A reafirmação de que a IA seguirá no centro das decisões da companhia é importante, mas não suficiente. O mercado quer ver entregas claras:
Uma Siri realmente contextual
IA útil no dia a dia, não apenas “bonita no palco”
Recursos que justifiquem o ecossistema Apple frente a soluções cada vez mais abertas e multiplataforma

O que esperar daqui pra frente?
A mudança de comando indica três movimentos claros:
Reorganização interna da área de IA
Menos marketing, mais engenharia
Aposta em diferenciação via privacidade e integração, não apenas poder bruto de modelos

A Apple não está fora da corrida. Mas agora, corre contra o relógio — e contra sua própria reputação de sempre chegar “quando tudo já está pronto”.
No fim, a pergunta não é se a Apple sabe fazer IA.
É se ela conseguirá fazer isso rápido o suficiente sem abrir mão do seu DNA.
E essa talvez seja a maior encruzilhada tecnológica da empresa desde o lançamento do iPhone.

Guilherme Domingues
Colunista de tecnologia | Café com Bytes ☕🍎

Guilherme Domingues

Especialista em tecnologia Apple, trabalha há mais de quatro anos com soluções premium, combinando visão estratégica, experiência e atenção aos detalhes. Também é colunista no Café com Bytes.

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