
Apesar do aumento da reação pública contra a expansão de data centers ao longo dos últimos 12 meses, as principais empresas de tecnologia seguem firmes nos planos de ampliar sua infraestrutura de inteligência artificial. Nesse contexto, a Microsoft, parceira da OpenAI, anunciou uma nova abordagem para seus projetos, que chama de estratégia “comunitária em primeiro lugar” para a construção e operação de centros de dados voltados à IA.
O anúncio veio um dia após Mark Zuckerberg afirmar que a Meta lançará seu próprio programa de infraestrutura de IA e não surpreende, considerando que a Microsoft já havia sinalizado, no ano passado, investimentos de bilhões de dólares para ampliar sua capacidade computacional. O diferencial, agora, está no conjunto de compromissos assumidos pela empresa para lidar com os impactos dessa expansão.
A Microsoft afirmou que adotará medidas para ser uma “boa vizinha” nas regiões onde constrói e opera seus data centers. Entre as promessas está o compromisso de arcar integralmente com os custos de energia consumida por essas instalações, evitando que o aumento da demanda pressione as contas de luz dos moradores locais. Para isso, a empresa diz que trabalhará em conjunto com concessionárias e órgãos reguladores para garantir que as tarifas cobradas reflitam seu impacto real sobre a rede elétrica.
Segundo a companhia, o objetivo é assegurar que os custos associados ao fornecimento de eletricidade para seus centros de dados não sejam repassados aos consumidores residenciais. Além disso, a Microsoft declarou que pretende gerar empregos nas comunidades onde se instalar e reduzir o volume de água utilizado na operação de seus data centers, um dos pontos mais sensíveis nas críticas ambientais ao setor.
O uso intensivo de água por centros de dados tem sido alvo de questionamentos, com acusações de que esses empreendimentos podem comprometer o abastecimento local e agravar problemas ambientais. Da mesma forma, há ceticismo em relação ao impacto real na criação de empregos, já que muitos desses projetos oferecem vagas temporárias durante a construção e poucas posições permanentes após a conclusão.
A necessidade dessas promessas reflete o cenário político e social em torno do tema. A expansão de data centers transformou-se em um foco de tensão em diversas regiões, impulsionando protestos e mobilização comunitária. De acordo com o Data Center Watch, ao menos 142 grupos ativistas em 24 estados norte-americanos atuam atualmente contra novos empreendimentos do setor.
A própria Microsoft já sentiu os efeitos dessa resistência. Em outubro, a empresa desistiu de construir um centro de dados em Caledonia, no estado de Wisconsin, após forte oposição local. Em Michigan, projetos semelhantes também motivaram protestos públicos. Paralelamente, em Ohio, onde a empresa desenvolve vários complexos de data centers, críticas recentes associaram essas iniciativas a impactos ambientais e às mudanças climáticas.
As preocupações chegaram até a Casa Branca, onde a adoção de inteligência artificial é uma prioridade da administração Trump. Recentemente, o presidente afirmou que a Microsoft promoveria mudanças significativas para evitar aumentos nas contas de energia, reforçando a ideia de que os consumidores não deveriam arcar com os custos do consumo elétrico dessas operações.
Diante desse cenário, fica evidente que a Microsoft enfrenta uma crescente pressão da opinião pública. Resta saber se os compromissos assumidos em relação à responsabilidade ambiental, à geração de empregos e ao controle dos custos de energia serão suficientes para reduzir a resistência às futuras expansões de seus data centers de IA.



