ColunistasNews
Tendência

A Era da “IA Agente”

Quando a ferramenta ganha vida própria. Por Altevir Ferezin Jr.

Se você achava que o maior risco da Inteligência Artificial era o ChatGPT escrever um e-mail de phishing convincente, tenho más notícias. Essa fase, que dominou nossas preocupações entre 2023 e 2025, já ficou para trás. Em 2026, entramos em um território novo e muito mais complexo: a era da IA Agente, ou Agentic AI.

Para explicar de forma simples, imagine a diferença entre um GPS e um carro autônomo. A IA Generativa que usávamos até agora era o GPS – ela te dava a informação, mas você tinha que dirigir. A IA Agente é o carro autônomo. Você dá o destino e ela gira o volante, acelera e freia sozinha.

No mundo da cibersegurança, isso muda as regras do jogo drasticamente.

O Atacante que Nunca Dorme

Até pouco tempo atrás, um ataque complexo exigia um operador humano do outro lado. O hacker precisava escanear a rede, decidir qual vulnerabilidade explorar e digitar os comandos. Isso levava tempo e criava um padrão de “ruído” que podíamos detectar.

Com a IA Agente, o cibercriminoso apenas define um objetivo: “Encontre dados financeiros neste servidor e extraia”. O agente de IA começa a trabalhar sozinho. Ele testa portas, reescreve seu próprio código para evitar o antivírus, muda de tática se encontrar um bloqueio e se movimenta lateralmente pela rede na velocidade da máquina, não na velocidade humana.

Estamos falando de malwares que “pensam” e tomam decisões táticas em milissegundos, sem precisar se comunicar com um servidor de comando e controle externo.

Fogo Contra Fogo

A pergunta natural é: como nos defendemos disso? A resposta dura é que analistas humanos, por mais competentes que sejam, não conseguem mais acompanhar essa velocidade. Não dá para analisar logs manualmente quando o ataque acontece e termina em segundos.

A defesa precisa adotar a mesma arma. Precisamos de agentes de defesa autônomos em nossos SOCs (Centros de Operações de Segurança). Precisamos de sistemas que tenham autonomia para derrubar uma conexão, isolar um servidor ou revogar uma credencial sem esperar a aprovação humana em um ticket de suporte.

Eu sei que isso dá um frio na barriga de qualquer gestor. Dar “permissão de tiro” para uma IA dentro da nossa infraestrutura parece arriscado. Mas o risco de não fazer isso é ser atropelado por um ataque que ocorre mais rápido do que conseguimos piscar.

O Que Fazer na Segunda-Feira de Manhã

Não precisamos entrar em pânico, mas precisamos de ajuste tático. Aqui estão três pontos para você revisar com seu time esta semana:

Identidade não-humana: Seus sistemas de monitoramento sabem diferenciar um comportamento anômalo de um usuário real versus um comportamento de um bot ou agente? A gestão de identidade de máquinas (service accounts) será o campo de batalha deste ano.

Proteja suas APIs: Os agentes de IA “conversam” através de APIs. Se suas APIs internas não têm limites rigorosos de taxa e autenticação forte, elas são portas abertas para agentes maliciosos executarem comandos em massa.

Defesa Comportamental: Esqueça as assinaturas de vírus. Foque em detectar comportamento. Um usuário do RH tentando acessar o PowerShell de madrugada é suspeito, não importa se as credenciais são válidas.

A IA Agente não é o fim do mundo, mas é o fim da segurança estática. Quem continuar dependendo apenas de regras fixas e intervenção manual vai ficar para trás.

Altevir Junior

Executivo especialista em CyberSecurity

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo