
Vivemos em um mundo digital, acelerado e hiperconectado, mas ainda operamos com modelos mentais analógicos. O resultado não é nostalgia — é fricção. E, cada vez mais, prejuízo financeiro. Nunca houve tanta tecnologia disponível para proteger e alertar, e nunca houve tantos golpes bem-sucedidos. Não por falha técnica, mas por falha comportamental.
Os números ajudam a tirar qualquer dúvida. No Brasil, 24% da população acima de 16 anos foi vítima de golpes digitais no último ano, o que representa mais de 40 milhões de pessoas. Apenas no primeiro semestre de 2025, foram registradas quase 7 milhões de tentativas de fraude, uma média de uma tentativa a cada poucos segundos. Globalmente, o cenário é ainda mais ruidoso: bilhões de tentativas de phishing são disparadas diariamente, e mais da metade dos adultos já se deparou com algum tipo de golpe digital.
O ponto central é que golpes modernos não exploram falhas sofisticadas de tecnologia. Eles exploram confiança, urgência e desatenção. O ataque não força a entrada — ele é convidado. Links falsos chegam no momento certo, mensagens soam familiares e decisões são tomadas rápido demais.
Há também um fator geracional importante. Pessoas formadas em um mundo físico tendem a subestimar ambientes digitais onde identidade, contexto e intenção podem ser facilmente simulados. Mas isso não é uma questão de idade, e sim de adaptação cultural. Jovens caem por excesso de confiança; adultos e idosos, por excesso de boa-fé.
A contradição é clara: a tecnologia evolui em ritmo exponencial, enquanto o comportamento humano muda lentamente. Insistir em viver o presente com a lógica do passado é continuar vulnerável em um ambiente que já não é previsível.
E não falamos de Brad Pitt, mas…
E você: está preparado para viver o mundo digital — ou apenas tentando sobreviver nele?



