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Atleta russo acusado de elo com hackers é solto após acordo internacional de troca de prisioneiros

Caso envolve suspeita de ransomware, pedido de extradição dos EUA e negociação diplomática entre Rússia e França

Um jogador de basquete russo, investigado por suposta ligação com um grupo internacional de hackers, deixou a prisão após ser incluído em um acordo de troca de prisioneiros entre Rússia e França. A libertação encerra um episódio que cruzou as fronteiras do esporte e se inseriu no campo da diplomacia e do cibercrime.

Daniil Kasatkin, de 26 anos, retornou a Moscou depois de semanas detido na França. Imagens de sua chegada foram divulgadas pela imprensa estatal russa. No movimento inverso, o pesquisador francês Laurent Vinatier, que estava sob custódia das autoridades russas, foi liberado e repatriado.

Kasatkin havia sido preso em junho de 2025, no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, logo após desembarcar no país. A detenção ocorreu com base em um pedido das autoridades norte-americanas, que buscavam sua extradição sob a acusação de envolvimento com uma organização criminosa especializada em ataques de ransomware.

Segundo investigadores dos Estados Unidos, o atleta teria atuado como intermediário em negociações de extorsão digital realizadas entre 2020 e 2022, período em que cerca de 900 empresas e instituições teriam sido afetadas. Embora o nome do grupo não tenha sido oficialmente confirmado, o modus operandi descrito é semelhante ao de quadrilhas conhecidas por ataques de grande escala contra o setor corporativo.

A defesa do jogador contestou as acusações desde o início. Os advogados sustentaram que Kasatkin não possuía conhecimento técnico para participar de crimes cibernéticos e que a investigação estaria baseada no uso de um computador comprado de segunda mão, que poderia ter sido comprometido antes de chegar às suas mãos.

Antes de se tornar alvo da investigação, Kasatkin passou parte da carreira esportiva nos Estados Unidos, onde estudou e jogou basquete universitário. Posteriormente, retornou à Rússia, passando a atuar profissionalmente por um clube sediado em Moscou.

O episódio reforça como casos de cibercrime podem ganhar dimensão geopolítica, especialmente quando envolvem pedidos de extradição, cidadãos estrangeiros e interesses estratégicos entre governos. Nos últimos anos, acordos de troca de prisioneiros têm sido usados como instrumento diplomático em disputas que misturam tecnologia, segurança internacional e relações exteriores.

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