2026: A IA vai criar mais Empreendedores… e mais Frustrações
Onde você precisa estar atento? Por Everson Vargas

Minha visão para 2026 é clara:
A maior revolução no empreendedorismo não será um novo modelo de negócio, nem uma nova rede social. Será a inteligência artificial.
E ela não está apenas melhorando processos. Ela está democratizando o ato de empreender em um nível que nunca vimos antes.
A barreira de entrada nunca foi tão baixa
Antes da internet, empreender exigia capital, era preciso dinheiro para montar estrutura, criar estoque, comprar equipamentos e rodar operação. Poucos conseguiam entrar no jogo.
Com a internet, isso mudou. A infraestrutura ficou barata e o principal ativo passou a ser conhecimento. Quem sabia programar, criar sites ou desenvolver software já tinha uma vantagem enorme.
Agora, com a inteligência artificial, essa barreira caiu ainda mais. Em muitos casos, não é mais necessário nem infraestrutura e nem conhecimento técnico profundo. Basta ter uma ideia razoavelmente clara e algum tempo para organizar pensamentos que as ferramentas de IA fazem o resto.
Na prática, empreender nunca foi tão “fácil”.
Isso vai trazer uma nova onda de empreendedores
Esse cenário vai tirar muita gente da zona de conforto, pessoas que antes viam o negócio próprio como algo distante vão sentir que finalmente podem tentar, podem arriscar.
Vamos ver mais profissionais saindo do CLT, mais produtos sendo criados e mais serviços sendo ofertados no mercado.
Mas aqui entra o alerta que pouca gente está fazendo.
Criar ficou fácil. Gerir continua difícil.
A inteligência artificial facilita a criação, acelera desenvolvimento, reduz custo e encurta caminhos, mas ela não resolve a parte mais dura de quem empreende:
Gestão de pessoas.
Controle financeiro.
Vendas.
Liderança.
Tomada de decisão sob pressão.
Controle emocional.
Essas responsabilidades continuam sendo humanas e não podem ser delegadas para nenhuma ferramenta.
Minha preocupação é que veremos muita gente confundindo facilidade de criação com facilidade de empreender e não são a mesma coisa.
O risco do empreendedor solo eterno
Criar um produto será cada vez mais simples, porém escalar um negócio continuará sendo difícil.
Sem vendas consistentes, não existe empresa e sem um time forte e bem treinado, o empreendedor vira escravo do próprio negócio.
Vejo que teremos muitos Eupreendedores, aquele que faz tudo, que cria, vende, atende, entrega, resolve problemas e vive apagando incêndio.
Isso funciona por um tempo, porém sem crescimento constante, o cansaço chega.
Quando a sobrecarga encontra a frustração, muita gente desiste. No cemitério dos negócios há muita ideia boa que morreu por falta de estrutura para sustentar e gestão.
2026 vai separar quem brinca de empreender de quem leva a sério
A inteligência artificial não vai nivelar todo mundo por cima, ela vai deixar claro as diferenças de quem é Empreendedor e quem é Aventureiro.
Vai acelerar quem entende de vendas, gestão e liderança e vai expor quem achou que empreender era só criar algo bonito e esperar dar certo, o famoso (cria que os clientes virão).
Nunca foi tão fácil começar, mas manter e escalar continuar exigindo garra, determinação, controle emocional e maturidade gerencial.
O lado otimista que não pode ser ignorado
Apesar de todos os alertas, eu sou extremamente otimista com esse novo ciclo.
Para quem entender que empreender tem um preço a ser pago, quem aceitar aprender a vender, liderar pessoas, controlar números e tomar decisões difíceis, esse é, sem dúvida, o melhor momento da história para criar seu próprio negócio.
A tecnologia está a favor, o acesso nunca foi tão fácil e abundante, a velocidade de aprendizado nunca foi tão alta.
Empreender continua sendo difícil, mas para quem aceita o jogo como ele é, 2026 pode ser o ano em que a melhor decisão da vida será tomada.
A inteligência artificial não vai substituir empreendedores.
Ela vai separar os curiosos dos comprometidos.
E isso, no longo prazo, é excelente para quem decide jogar sério.
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Everson Vargas



