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Em 2026, seu melhor analista de segurança não será humano

Por Jeremias Goedert

Se 2025 foi o ano que rompeu a barreira entre a fraude financeira e o ciberataque, 2026 será o ano em que perderemos o privilégio de reagir humanamente a uma ameaça.

Olhando para o retrovisor, o ataque ao ecossistema financeiro e ao Pix no ano passado foi apenas o prelúdio. O verdadeiro divisor de águas aconteceu silenciosamente em novembro de 2025, com a identificação das primeiras campanhas ofensivas 100% autônomas (como as atribuídas ao grupo GTG-1002).

Não estamos mais falando de hackers usando IA para escrever e-mails de phishing melhores. Estamos falando de agentes de IA autônomos que conduzem todo o ciclo do ataque — reconhecimento, exploração e extração de dados — em uma velocidade inalcançável para qualquer Blue Team humano.

Aqui reside a previsão dura para 2026: a era da defesa manual acabou. Tentar combater um agente de IA autônomo com um analista de SOC olhando para um painel é como tentar parar um trem-bala com um sinal de mão.

Para sobreviver em 2026, a segurança precisa transicionar para o conceito de “AI for Defense“.

A mitigação de riscos exige agora uma Defesa Autônoma Supervisionada. Ferramentas de PAM (Gestão de Acessos Privilegiados) e arquiteturas Zero Trust não podem mais ser passivas; elas precisam reagir em milissegundos, isolando credenciais e segmentando redes ao menor sinal de anomalia comportamental, sem esperar aprovação humana.

O conceito de Cyber Fusion Center emerge aqui não como luxo, mas como necessidade, integrando os dados de fraude e de cyber em uma única resposta automatizada.

Porém, a ameaça autônoma não vem apenas de fora. O maior desafio de governança para 2026 mora dentro de casa, no fenômeno da Shadow AI.

Enquanto lutamos contra IAs externas, áreas de negócio internas estão adotando IAs generativas sem controle para criar código, analisar dados sensíveis e tomar decisões. O risco aqui não é apenas o vazamento de dados, mas a “alucinação corporativa”: decisões estratégicas tomadas com base em modelos sem curadoria, sem documentação e sem rastreabilidade.

Isso significa que o profissional de segurança se tornou obsoleto? Pelo contrário.

Como discuti em artigos anteriores, a IA assume a execução, mas o humano assume a orquestração. Em 2026, o papel do líder de segurança e governança deixa de ser operacional e se torna constitucional.

Nós não pilotamos mais a defesa em tempo real, nós desenhamos a constituição que rege as IAs defensivas. Nosso trabalho é definir os limites éticos, validar a eficácia dos modelos e garantir que a automação de defesa não pare o negócio legítimo.

Em 2026, a segurança é uma guerra de máquinas. A vitória dependerá de quão bem os humanos conseguem governar essas máquinas.

Jeremias Goedert

Executivo sênior com mais de 25 anos de experiência em Tecnologia da Informação e Inovação, especializado em liderar a transformação digital em grandes organizações nacionais e multinacionais. Com sólida formação em Inteligência Artificial, Data Science, Segurança da Informação e Gestão Estratégica , acumula resultados expressivos na modernização de processos e implementação de sistemas robustos como SAP, Totvs e Dynamics AX. Atualmente atua como Head de TI na Tax.Co e sua trajetória inclui passagens estratégicas por empresas como Sport Club Internacional, Group Indigo, Grupo Valeant e Bausch + Lomb, onde se destacou pela gestão de equipes multidisciplinares, otimização de orçamentos e fortalecimento da governança e cibersegurança. Possui sólida formação acadêmica pela PUC-RS e FGV, destacando-se pela graduação em Administração com ênfase em Análise de Sistemas e MBAs focados em Gestão Estratégica de TI , Inteligência Artificial, Analytics e Data Science.

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