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Tendências de ciber para 2026: MTTD, MTTR e OKRs no centro

Resiliência na prática: medir tempo, automatizar o repetível e garantir contingência para serviços críticos. Por Rodrigo Rocha

Nas últimas semanas li três relatórios do Gartner: “Top Trends in Cybersecurity for 2025”, “IT Resilience Survey 2026: Disaster Recovery Posture and SaaS Outage Mitigation” e “IT Resilience Survey 2026: Ransomware Recovery and Readiness”. Trago aqui os principais pontos para 2026 sob a ótica de cibersegurança e resiliência. A ideia é simples: sair da conversa sobre ferramentas isoladas e colocar o foco nos tempos que realmente importam para o negócio, medindo de forma consistente quanto a empresa leva para perceber um problema e quanto leva para agir.

O primeiro movimento é tratar MTTD (tempo médio para detectar) e MTTR (tempo médio para responder) como metas formais da diretoria, inseridas em OKRs. Quando a liderança assume metas claras de tempo, o debate orçamentário deixa de girar em torno de promessas vagas e passa a discutir minutos e horas com impacto direto em receita, custo e reputação. Vale definir objetivos trimestrais, acompanhar mensalmente com a mesma régua e relacionar cada avanço a ganhos operacionais visíveis, pois isso aproxima tecnologia e finanças em uma linguagem comum.

Em seguida entra a automação de runbooks para derrubar MTTR. Não se trata de automatizar tudo, e sim o que é repetível e seguro: isolar rapidamente endpoints suspeitos, encerrar sessões anômalas, bloquear indicadores conhecidos, abrir chamados com contexto útil e acionar a reconstrução de serviços a partir de imagens validadas. Ao tirar esses passos da execução manual, a equipe ganha tempo para análise e tomada de decisão, e a empresa encurta o intervalo entre a detecção e a contenção efetiva.

Em paralelo é preciso encarar detecção como engenharia, não como subproduto de alertas em excesso. Isso significa alinhar hipóteses de detecção ao que realmente dói no negócio e melhorar continuamente as regras para cortar ruído. Nesse ponto um EDR mais robusto ajuda a reduzir MTTD, pois coleta sinais úteis no ponto onde os eventos acontecem, sustenta a investigação com evidências confiáveis e permite isolar máquinas em poucos minutos, antes que o problema se espalhe. Sem esse alicerce no endpoint, detectar vira sorte; com ele, vira processo.

Outra frente de 2026 é reconhecer que SaaS críticos já fazem parte do risco operacional e precisam entrar na régua. Não basta contar com a disponibilidade externa. É necessário ter contingência para operar em modo degradado e sincronizar depois, além de medir e reportar tempos de recuperação também nesses cenários. Quando esse plano está definido e ensaiado, a empresa evita improvisos, reduz ansiedade na crise e mantém processos essenciais caminhando até a normalização do serviço.

Por fim existe uma tendência clara de reduzir a dispersão de ferramentas e apostar em um conjunto mais coeso de plataformas com integrações simples e métricas alinhadas a MTTD e MTTR. Menos sistemas competindo pela atenção e mais sinais já correlacionados significam menos ruído, menos cansaço da equipe e ciclos de resposta mais curtos. Ao mesmo tempo a governança amarra tudo: reportes regulares, metas explícitas, responsáveis definidos e ajustes contínuos conforme os resultados aparecem.

Seguir esse caminho em 2026, com MTTD e MTTR como metas do board, automação do que é repetível na resposta, detecção bem projetada com apoio de um EDR sólido, contingência para SaaS e simplificação do stack, coloca a conversa no que realmente move o ponteiro. Na minha visão, essas tendências aproximam a sua empresa de um ambiente mais resiliente e seguro.

Rodrigo Rocha

Atuo há mais de duas décadas na área de tecnologia e cibersegurança, ajudando organizações a evoluírem sua postura de proteção com foco em resultados reais. Sou co-fundador da Gruppen IT Security e graduando em Psicologia, unindo segurança digital, comportamento humano e gestão do risco de forma integrada. Escrevo sobre cibersegurança aplicada, cultura digital e resiliência no Café com Bytes.

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