2026: O Ano da Hiperatenção Tecnológica Coletiva — Será entre o Gol e o Voto!
Por Diego Baldi

2026 não será apenas um ano de grandes eventos. Será um período em que atenção, emoção e decisão disputarão o mesmo espaço. Copa do Mundo de seleções e eleições presidenciais e estaduais acontecerão dentro do mesmo ambiente digital, mediado por plataformas e algoritmos desenhados para capturar engajamento contínuo. A tecnologia não será protagonista declarada, mas o meio invisível que amplifica tudo.
O que se intensifica não é a inovação, mas o comportamento. As mesmas estruturas que sustentam o entretenimento esportivo também impulsionarão disputas políticas. O feed que vibra com um gol será o mesmo que, minutos depois, entrega narrativas políticas carregadas de emoção e urgência. Arquibancada e palanque passam a operar sob a mesma lógica.
No esporte, os dados já são ferramentas de performance. Na política, tornam-se instrumentos de ativação emocional. O algoritmo não escolhe time nem ideologia — escolhe atenção. E atenção, nesse contexto, raramente vem acompanhada de profundidade.
O risco central está na confusão entre sinal e ruído. Em um ano comum isso já exige cuidado; em um ano de Copa somado a eleições, vira sobrecarga cognitiva. Tudo parece urgente, tudo exige posicionamento imediato, tudo acontece rápido demais para reflexão. Soma-se a isso a expansão da desinformação performática: conteúdos verdadeiros fora de contexto, recortados para maximizar impacto emocional. A tecnologia não cria o problema; apenas reduz o custo de propagá-lo.
Para organizações e lideranças, 2026 será um teste de governança e maturidade. Posicionar-se será uma decisão estratégica. Não se posicionar, também. O silêncio deixa de ser neutro.
A jornada tecnológica seguirá acelerando. Tendências, inteligências artificiais, novos vetores de ataque, tecnologias emergentes e até a computação quântica avançarão em ritmo exponencial. O comportamento humano, porém, continuará sendo a grande incógnita do sistema, imprevisível, emocional e muitas vezes desconectado da lógica que tenta organizá-lo.
Café Com Bytes — entender pessoas continuará sendo o maior desafio.



