Israel deu um passo inédito na história da defesa militar ao receber, neste domingo (28), o Iron Beam, considerado o primeiro sistema de defesa a laser operacional do mundo. Desenvolvida em parceria com a Rafael Advanced Defense Systems, a tecnologia inaugura uma nova era ao permitir a interceptação de foguetes, mísseis, projéteis de morteiro e drones com altíssima precisão e um custo drasticamente inferior ao dos sistemas baseados em mísseis interceptores.
Segundo Daniel Gold, diretor-geral do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Defesa, o Iron Beam tem potencial para “mudar fundamentalmente as regras de engajamento no campo de batalha”. Após uma série de testes extensivos que validaram suas capacidades, Israel iniciou a entrega da capacidade operacional inicial em 2025, consolidando sua liderança tecnológica no setor de defesa.
O ministro da Defesa, Israel Katz, classificou a entrada em operação do sistema como um marco histórico. Para ele, trata-se da primeira vez que um laser de alta energia atinge maturidade operacional completa, representando não apenas um avanço estratégico, mas também um símbolo de orgulho nacional.
Tecnologia inovadora e custo por disparo mínimo
A arquitetura do Iron Beam combina um laser de alta potência com um sofisticado sistema de orientação eletro-óptica, capaz de neutralizar ameaças em diferentes distâncias com elevado grau de precisão. O principal diferencial está no custo operacional: enquanto cada interceptação realizada por mísseis tradicionais pode variar entre US$ 10 mil e US$ 100 mil, o disparo do laser custa apenas alguns dólares em eletricidade.
Projetado para lidar com ataques múltiplos e simultâneos, o sistema amplia significativamente a capacidade de resposta contra salvas intensas de projéteis. O comandante da Força Aérea israelense, Tomer Bar, afirmou que o Iron Beam “já comprovou sua eficácia em cenário real de combate” e será um elemento central da defesa aérea no futuro.
Em outubro de 2024, uma versão de menor potência do sistema foi empregada em operações reais e conseguiu derrubar entre 35 e 40 drones do Hezbollah no norte de Israel. O uso em condições de combate acelerou o aperfeiçoamento da tecnologia por meio da colaboração direta entre militares e engenheiros da Rafael.
Integração ao sistema de defesa israelense
O Iron Beam foi concebido para complementar, e não substituir, os sistemas já existentes, como o Domo de Ferro (Iron Dome), o Estilingue de Davi (David’s Sling) e o Arrow. A Rafael também planeja oferecer versões alternativas da tecnologia, incluindo o Iron Beam M, mais compacto e móvel, e o Lite Beam, ainda mais leve e voltado para operações terrestres.
Entre as limitações do sistema estão a redução de eficácia em condições de baixa visibilidade, como nuvens densas ou poeira intensa. Ainda assim, os benefícios operacionais permanecem expressivos frente às ameaças aéreas mais comuns enfrentadas por Israel, especialmente drones de longo alcance como o Shahed 136, de origem iraniana.
Embora outras potências — como Estados Unidos, Reino Unido, China e Rússia — também desenvolvam armas a laser, Israel afirma ser o primeiro país a alcançar integração operacional plena em combate. O avanço estabelece um novo paradigma na defesa contra ameaças aéreas e posiciona o país como referência global em inovação militar e tecnológica.



