
Mais de cinco décadas depois da última missão tripulada à Lua, a Nasa inicia 2026 concentrando esforços naquele que é considerado o passo mais decisivo da exploração espacial contemporânea. Após 54 anos, astronautas voltarão a deixar a órbita terrestre com destino ao satélite natural, em uma missão histórica que incluirá, pela primeira vez, uma mulher em uma viagem lunar.
Diferentemente das missões que pousam na superfície, a Artemis 2 não prevê alunissagem. O objetivo é realizar um voo tripulado de sobrevoo e órbita lunar, permitindo a avaliação completa dos sistemas da espaçonave antes do retorno à Terra.
A tripulação, formada por três homens e uma mulher, representa o teste final de tecnologia, resistência humana e segurança no espaço profundo, etapa essencial antes da retomada definitiva das missões com pouso lunar, planejadas para a fase seguinte do programa Artemis.
De acordo com a Nasa (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço), a missão será comandada por Reid Wiseman, com Victor Glover como piloto e Christina Koch atuando como especialista de missão, todos astronautas da agência norte-americana.
O time é completado pelo canadense Jeremy Hansen, também especialista de missão e representante da Agência Espacial Canadense.
Eles serão os primeiros astronautas a viajar a bordo do foguete Space Launch System (SLS) e da espaçonave Orion, desenvolvidos para missões além da órbita terrestre.
Rumo ao desconhecido
Embora a Nasa ainda não tenha divulgado a data exata do lançamento, a previsão é de que a missão ocorra até abril deste ano. A viagem terá duração aproximada de dez dias e partirá do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, nos Estados Unidos.
Segundo o plano de voo, os dois primeiros dias serão dedicados a testes e verificações dos sistemas da Orion enquanto a nave permanece em órbita da Terra.
Em seguida, o módulo de serviço desenvolvido pela Agência Espacial Europeia fornecerá o impulso necessário para a chamada injeção translunar, manobra que coloca a nave em rota direta para a Lua.
O trajeto até o satélite levará cerca de quatro dias e conduzirá a tripulação ao redor do lado oculto da Lua. No ponto mais distante da viagem, os astronautas estarão a aproximadamente 7.400 quilômetros além da Lua e a mais de 370 mil quilômetros da Terra, descrevendo uma trajetória em forma de “oito”.
Retorno seguro
Um dos aspectos mais arrojados da missão, segundo a Nasa, é o uso combinado da gravidade da Terra e da Lua. A chamada trajetória de “livre retorno” permite que, após o contorno do satélite, a espaçonave seja naturalmente puxada de volta pela gravidade terrestre, reduzindo o consumo de combustível.
O encerramento da missão ocorrerá com a reentrada da Orion na atmosfera em altíssima velocidade e temperatura, seguida de uma amerissagem no Oceano Pacífico, próxima à costa de San Diego, no sul da Califórnia. Uma equipe conjunta da Nasa e do Departamento de Defesa ficará responsável pelo resgate dos astronautas.
O êxito da Artemis 2 será fundamental para validar a infraestrutura necessária à permanência humana prolongada no espaço profundo e para futuras pesquisas científicas na superfície lunar.
A última vez que seres humanos estiveram na Lua foi em dezembro de 1972, durante a missão Apollo 17, que marcou o encerramento do programa lunar original da Nasa.



