A morte do Chatbot: Por que a TIME decretou o fim da IA passiva
Por Ricardo Brasil
Esqueça tudo o que você aprendeu sobre "engenharia de prompt" nos últimos dois anos. A edição especial de 2025 da TIME sobre Inteligência Artificial deixa claro que estamos testemunhando o fim da era dos chatbots passivos e o início de algo muito mais profundo: a era dos modelos de raciocínio.
Ao analisar as tendências apontadas na revista, o que mais me fascinou não foi o aumento do poder
computacional, mas a mudança qualitativa na "arquitetura do pensamento" das máquinas. Até pouco tempo, uma IA generativa apenas calculava a próxima palavra mais provável. Era estatística pura.
Agora, conforme detalhado nas reportagens sobre o futuro da tecnologia, estamos lidando com sistemas
que utilizam o que os cientistas chamam de "Cadeia de Pensamento" (Chain of Thought).
Antes de responder ao seu comando, a IA agora "para", planeja, contesta suas próprias premissas e simula diferentes caminhos de solução. É o equivalente digital ao "pensar antes de falar". A TIME
destaca como essa capacidade de autocrítica em tempo real está permitindo que a IA resolva problemas
matemáticos complexos e desafios de codificação que antes resultavam em alucinações bizarras.
Para nós, gestores de tecnologia, isso altera o jogo. Não estamos mais contratando uma ferramenta de
busca sofisticada; estamos integrando um "analista júnior" que tem capacidade de agência. A revista descreve cenários onde esses agentes não apenas respondem a dúvidas, mas executam tarefas sequenciais: acessam sistemas, cruzam dados, enviam e-mails e ajustam seus planos se encontrarem um erro no meio do caminho.
O aspecto mais "legal", e ao mesmo tempo assustador, é que essa capacidade de raciocínio torna a IA menos previsível. Se antes a caixa preta era opaca, agora ela é dinâmica. A revista levanta a questão: se
a máquina pode "refletir", como garantimos que a lógica interna dela está alinhada com os valores
da empresa?
O futuro descrito nas páginas da TIME não é sobre quem tem o maior banco de dados, mas sobre quem
sabe orquestrar essas novas mentes digitais. O "Chatbot" que servia apenas para atendimento ao cliente morreu. O que nasce em seu lugar é um Agente de Raciocínio que promete ser o braço direito (e
esquerdo) de qualquer departamento de TI.
A pergunta que deixo para o seu café de hoje é: sua infraestrutura está pronta para suportar
softwares que não apenas executam códigos, mas que tomam decisões sobre como executá-los?
Ricardo Brasil, Especialista em IA Responsável e Diretor de TI na GWS Engenharia
Colunista Café com Bytes | Tecnologia | Inteligência Artificial



