
Os Estados Unidos decidiram postergar a aplicação de uma nova tarifa sobre semicondutores fabricados na China, contrariando anúncios feitos anteriormente. A cobrança, agora, está prevista para entrar em vigor apenas em junho de 2027, conforme decisão do governo do presidente Donald Trump.
Segundo comunicado oficial, as importações de chips chineses permanecerão isentas de tarifas até o início da vigência da medida. O prazo de 18 meses é considerado temporário e pode, inclusive, ser estendido para uma data ainda mais distante, dependendo do cenário econômico e geopolítico.
Guerra comercial segue em segundo plano
A Casa Branca argumenta que a China vem buscando, “há décadas”, assumir uma posição dominante na indústria global de semicondutores por meio de práticas consideradas agressivas e anticompetitivas. Essa avaliação faz parte de um estudo interno iniciado em 2024, ainda durante a gestão de Joe Biden, sobre a disputa estratégica entre os dois países no setor.
A proposta norte-americana tem como objetivo reduzir a participação chinesa especialmente no mercado de chips mais antigos, amplamente utilizados em veículos, sistemas de telecomunicações, equipamentos militares e diversos dispositivos eletrônicos.
No momento, porém, as relações comerciais entre Estados Unidos e China atravessam um período de relativa estabilidade, após acordos recentes firmados entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping. Em outubro, ambos os governos anunciaram a redução mútua de tarifas, sinalizando uma tentativa de aliviar tensões.
Além disso, Trump autorizou novamente a venda de semicondutores de empresas americanas, como a Nvidia, para a China. Pequim, no entanto, optou por não retomar as compras, reforçando sua estratégia de desenvolver componentes nacionais e diminuir a dependência de fornecedores estrangeiros.
Em nota enviada à agência Reuters, a Embaixada da China em Washington afirmou que adotará todas as medidas necessárias para proteger seus interesses. “Politizar, instrumentalizar e transformar o comércio e a tecnologia em armas, além de desestabilizar cadeias globais de produção, não beneficia ninguém e tende a gerar efeitos negativos no longo prazo”, declarou o órgão diplomático.



