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Do discurso à prática: usando o NIST CSF como mapa de evolução da resiliência

Três frentes objetivas para sair do básico e gerar impacto mensurável. Por Rodrigo Rocha

Muita gente fala do NIST CSF como se fosse um selo ou uma coleção de exigências, mas ele só ganha valor quando vira mapa de caminho. O framework funciona melhor quando tratado como ferramenta para organizar os próximos passos da resiliência, não como um fim em si. Na versão atual, ele se apoia em seis funções — Governar, Identificar, Proteger, Detectar, Responder e Recuperar — que funcionam como painel de controle ligando decisões, métricas e resultados de negócio. Com esse enquadramento, a conversa deixa de ser “estamos aderentes?” e passa a ser “o que melhorar no próximo trimestre para reduzir tempo parado, perda de receita e custo operacional?”.

Três frentes práticas

No nível intermediário, o avanço acontece quando se comparam dois perfis simples: “como estamos” e “como queremos estar” em 90 dias. Não é auditoria longa; é escolher poucos temas que movem ponteiro.

Inventário e classificação de ativos

Sem isso, o resto é chute. Recomenda-se consolidar as fontes já disponíveis — AD, M365, virtualização, CMDB, EDR —, desambiguar nomes, limpar duplicidades e marcar proprietários e criticidade. Com essa fotografia clara, fica possível priorizar por impacto e apontar, com números, quanto do ambiente é conhecido e quais ativos críticos seguem sem dono explícito.

Qualidade das detecções no SIEM

Ter ferramenta não basta; é preciso ter hipóteses úteis. O correto é alinhar detecção com cenários de negócio que doem de verdade, conectar as fontes certas e retirar regras genéricas que só geram ruído. A meta é simples: reduzir o tempo para perceber algo relevante e aumentar a taxa de alerta que vira ação concreta. Quando a regra melhora, o analista passa menos tempo lutando contra barulho.

Teste de recuperação

Recuperação não é documento, é ensaio. Recomenda-se formalizar cadência, responsabilidades e critérios de sucesso, amarrando RTO e RPO ao que a empresa precisa para voltar a operar. Em vez de prometer “tem backup”, demonstra-se que “volta” medindo frequência de testes, taxa de êxito e tempo real de restauração. Toda vez que um teste expõe fricção, isso vira melhoria.

Governança como base

Sem decisões claras, donos definidos e ritmo de acompanhamento, os avanços se perdem. Quando se coloca governança em cima do mapa — quem aprova, executa, mede e quando reporta —, o CSF vira rotina de gestão. É nessa hora que os números conversam com o financeiro: inventário confiável vira menos surpresa, detecção precisa vira menos tempo às cegas, recuperação testada vira menos incerteza.

Por onde começar

Para quem já está no intermediário, recomenda-se: escolher três temas que mais doem, definir um perfil-alvo para 90 dias com métricas simples e reportar mensalmente de forma consistente. Quando esse ritmo pega, o framework deixa de ser cartaz na parede e vira mapa confiável para identificar lacunas e aprimorar controles, com efeitos visíveis na continuidade da operação.

Rodrigo Rocha

Atuo há mais de duas décadas na área de tecnologia e cibersegurança, ajudando organizações a evoluírem sua postura de proteção com foco em resultados reais. Sou co-fundador da Gruppen IT Security e graduando em Psicologia, unindo segurança digital, comportamento humano e gestão do risco de forma integrada. Escrevo sobre cibersegurança aplicada, cultura digital e resiliência no Café com Bytes.

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