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Diversidade e Tecnologia: quando inclusão deixa de ser discurso e se torna estratégia

Por Deiverson Viegas

Durante muito tempo, o debate sobre diversidade nas empresas foi tratado de forma restrita, quase sempre limitado a questões de gênero ou a políticas antirracistas, temas fundamentais, sem dúvida, mas que representam apenas uma parte de um conceito muito mais amplo. Diversidade, em sua essência, diz respeito à capacidade das organizações de reconhecer, respeitar e integrar diferentes realidades humanas. Isso inclui pessoas com deficiência física, visual ou auditiva, pessoas no espectro autista, diferentes faixas etárias, contextos socioeconômicos, perfis cognitivos e, também, a criação de ambientes de trabalho saudáveis, acessíveis e capazes de reter talentos de forma sustentável.

Nesse cenário, a tecnologia assume um papel decisivo. Soluções digitais bem desenhadas têm o potencial de remover barreiras históricas que sempre limitaram o acesso ao trabalho, à informação e ao crescimento profissional. Plataformas acessíveis, sistemas compatíveis com leitores de tela, legendas automáticas, interfaces adaptáveis, comandos por voz e recursos de navegação inclusivos deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos mínimos para organizações que realmente compreendem o valor da diversidade.

A Inteligência Artificial amplia ainda mais esse alcance. Hoje, a IA já contribui de forma concreta para a inclusão de pessoas com deficiência visual, por meio de reconhecimento de imagens e leitura contextual; de pessoas com deficiência auditiva, com transcrição e tradução automática em tempo real; e de pessoas no espectro autista, oferecendo ambientes de trabalho mais previsíveis, ferramentas de organização e comunicação menos sensoriais e mais estruturadas. Esses avanços não apenas promovem inclusão, mas também ampliam a produtividade e o bem-estar no ambiente corporativo.

A diversidade também se manifesta na forma como o trabalho é organizado. Modelos híbridos e remotos, viabilizados pela tecnologia, permitem que profissionais altamente qualificados participem do mercado sem enfrentar obstáculos físicos, deslocamentos exaustivos ou ambientes inadequados. Para muitas pessoas, especialmente aquelas com limitações de mobilidade ou necessidades específicas, a tecnologia é o fator que transforma exclusão em oportunidade real de carreira.

Outro ponto frequentemente negligenciado é a relação entre diversidade, qualidade do ambiente de trabalho e retenção de talentos. Tecnologia e IA, quando bem utilizadas, ajudam a criar ambientes mais justos e eficientes: reduzem vieses em processos seletivos, apoiam avaliações mais objetivas, facilitam o desenvolvimento contínuo e promovem uma gestão baseada em dados e não em percepções subjetivas. Isso impacta diretamente a experiência do colaborador e a capacidade da empresa de atrair e reter profissionais diversos.

No entanto, é fundamental reforçar que tecnologia, por si só, não garante diversidade. Algoritmos também refletem vieses humanos, e soluções mal implementadas podem reforçar exclusões ao invés de eliminá-las. Por isso, diversidade precisa ser tratada como um valor estratégico, integrado à governança corporativa, à cultura organizacional e às decisões sobre o uso da tecnologia e da IA. Inclusão não é apenas uma funcionalidade do sistema, mas uma escolha consciente de quem o projeta, implementa e utiliza.

No mundo corporativo atual, diversidade e tecnologia caminham juntas. Empresas que compreendem essa relação deixam de tratar inclusão como obrigação regulatória ou discurso institucional e passam a enxergá-la como vantagem competitiva. Ao usar a tecnologia especialmente a Inteligência Artificial de forma ética, acessível e orientada às pessoas, as organizações não apenas ampliam oportunidades, mas constroem ambientes mais inovadores, sustentáveis e preparados para o futuro do trabalho.

Deiverson Viegas

Graduado em Tecnologia e Segurança da Informação, Pós Graduado em Compliance e Gestão de Riscos, Certificado Exin em LGPD, GDPR, ISO/IEC 27001:2022 e ISO 31000:2018. Desenvolvedor de Sistemas. Palestrante e instrutor em segurança da informação, compliance e LGPD. Experiência com implementação de Programas de Integridade, Programas de Privacidade e Proteção de Dados em empresas de diferentes portes, a nível nacional. Membro da Associação Nacional de Profissionais de Privacidade de Dados (APDADOS); CTO na Russell Bedford Brasil.

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