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Coinbase leva à justiça funcionários suspeitos de vender dados de clientes a criminosos

Ex-agente de atendimento é preso na Índia após esquema de suborno que expôs quase 70 mil registros de clientes da corretora de criptomoedas

O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, afirmou que funcionários suspeitos de vender dados de clientes da plataforma a cibercriminosos estão começando a responder judicialmente. Segundo ele, as investigações avançam e novas prisões devem ocorrer nos próximos meses.

Em uma publicação feita na rede X após o Natal, Armstrong informou que a polícia de Hyderabad, na Índia, prendeu um ex-agente de atendimento ao cliente da Coinbase. O executivo indicou que essa não será a única detenção relacionada ao caso. “Mais um abatido, e outros ainda virão”, escreveu.

A prisão ocorre meses depois de a Coinbase revelar, em maio, que um grupo de agentes de suporte terceirizados, localizados fora dos Estados Unidos, teria aceitado subornos para repassar informações sensíveis de clientes. Ao todo, quase 70 mil registros teriam sido comprometidos.

De acordo com a empresa, o incidente, ocorrido em dezembro de 2024, envolveu o vazamento de nomes, endereços, telefones, e-mails, imagens de documentos oficiais, dados de contas, números de seguridade social (SSN) parcialmente ocultos, informações bancárias e um volume limitado de dados corporativos. A corretora ressaltou que não houve acesso a códigos de autenticação em dois fatores (2FA), chaves privadas ou carteiras digitais.

Apesar disso, os criminosos utilizaram as informações obtidas para aplicar golpes de engenharia social. Fingindo ser funcionários da Coinbase, eles enganaram usuários e conseguiram que algumas vítimas transferissem criptomoedas. Além disso, o grupo tentou extorquir a empresa, exigindo um pagamento de US$ 20 milhões.

Em resposta, a Coinbase anunciou que não pagaria o resgate e criaria um fundo de recompensa no mesmo valor, destinado a informações que levassem à identificação, prisão e condenação dos responsáveis. Até o momento, não está claro se a prisão na Índia está relacionada ao pagamento de alguma recompensa. A empresa foi procurada para comentar o assunto, mas não respondeu diretamente aos questionamentos.

Críticas ao atendimento ao cliente

A publicação de Armstrong gerou forte reação nas redes sociais. Usuários criticaram a decisão da Coinbase de terceirizar seu atendimento ao cliente para a Índia, alegando que essa prática expôs clientes a riscos como suborno de funcionários e vazamento de dados sensíveis.

A corretora já enfrentou críticas semelhantes no passado. Em 2021, uma reportagem da CNBC destacou reclamações frequentes sobre falhas no suporte ao cliente, especialmente em casos de sequestro de contas, nos quais usuários relataram dificuldade para obter ajuda e recuperar valores perdidos.

Embora a Coinbase não tenha comentado sobre eventuais mudanças em seu modelo de atendimento ou sobre o andamento do fundo de recompensas, um porta-voz afirmou que a empresa segue comprometida em identificar e responsabilizar os fraudadores que causam prejuízos aos seus clientes.

Outros casos de fraude envolvendo a marca Coinbase

Em uma publicação no blog oficial datada de 19 de dezembro, a Coinbase informou que colaborou com o Ministério Público do Brooklyn em uma investigação que resultou na acusação de um homem de 23 anos, acusado de se passar por funcionário da empresa para aplicar golpes em usuários nos Estados Unidos.

Segundo as autoridades, Ronald Spektor teria participado de um esquema prolongado de engenharia social, convencendo cerca de 100 usuários de que suas contas estavam sob ameaça. Fingindo atuar no suporte da Coinbase, ele induzia as vítimas a transferirem criptomoedas para carteiras sob seu controle, causando um prejuízo estimado em quase US$ 16 milhões.

Até o momento, mais de US$ 600 mil dos valores supostamente obtidos de forma ilícita já foram recuperados, segundo a empresa.

A Coinbase esclareceu que, apesar das semelhanças entre os golpes atribuídos a Spektor e o esquema envolvendo suborno de agentes de atendimento no exterior, os dois casos não possuem ligação direta.

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