A Tecnologia e a Inovação nas Principais Semanas de Moda em 2025
Por Marcele Guarenti

As Fashion Weeks globais de 2025/2026 deixaram claro que a tecnologia deixou de ser elemento experimental para se tornar infraestrutura estratégica da moda contemporânea.
Nova York, Londres, Paris, Milão, Copenhagen, Shanghai e São Paulo apresentaram não apenas coleções, mas modelos de futuro: novos formatos de criação, consumo, experiênciae relacionamento entre marcas e público.
Tecnologia e a Inovação
Inteligência Artificial deixa o backstage e assume papel criativo e estratégico
A Inteligência Artificial evoluiu rapidamente de uma aplicação técnica para uma ferramenta estratégica de narrativa, experiência e personalização. Em Nova York, marcas como a Ralph Lauren demonstraram esse movimento ao integrar IA generativa em experiências de personal styling, enquanto projeções e cenografias inteligentes ampliaram o storytelling das coleções e a conexão emocional com o público. Nesse novo contexto, a IA passou a atuar simultaneamente como curadora de estilo, assistente de decisão de compra, elemento visual e sensorial nos desfiles e interface direta entre marca e consumidor. O sinal do mercado é claro: a IA não substitui o criador, ela expande sua capacidade criativa, estratégica e de geração de valor.
Moda Imersiva: AR, VR e experiências phygital se consolidam
As Fashion Weeks deixaram de ser eventos exclusivamente físicos e passaram a operar em um modelo phygital, no qual o físico e o digital coexistem de forma integrada e estratégica. Experiências com realidade aumentada (AR) para experimentação virtual, ambientes em realidade virtual (VR) para apresentações imersivas, avatares digitais e moda virtual, além de conteúdos interativos e shoppable, transformaram o desfile em uma plataforma de experiência contínua, que vai muito além da primeira fila. Copenhagen, Paris e Shanghai se destacaram especialmente pela forma como incorporaram tecnologia de maneira fluida e sofisticada, sem ruído estético, utilizando a inovação para reforçar a identidade das marcas e não para competir com ela.
Impressão 3D e novos materiais como resposta à sustentabilidade real
A sustentabilidade apareceu cada vez menos como discurso e cada vez mais como solução aplicada nas Fashion Weeks globais. Tecnologias como impressão 3D, prototipagem digital e o desenvolvimento de novos materiais demonstraram, na prática, sua capacidade de reduzir desperdícios, acelerar o desenvolvimento de produtos, permitir altos níveis de personalização e viabilizar modelos verdadeiramente circulares. A Copenhagen Fashion Week destacou-se como referência ao unir design funcional, estética minimalista e inovação material, comprovando que sustentabilidade e desejo não são opostos, mas complementares. Nesse novo cenário, a sustentabilidade deixa de ser marketing e passa a ser engenharia aplicada ao design e ao negócio da moda.
Fashion Weeks como hubs de comércio, dados e experiência
São Paulo apresentou um dos cases mais relevantes ao integrar diretamente passarela e e-commerce, utilizando QR codes que permitiam a compra imediata dos looks apresentados durante o desfile. Esse movimento sinaliza uma mudança estrutural no modelo de negócios da moda: o desfile deixa de ser apenas um momento de exposição estética para se tornar um ponto real de conversão, onde: conteúdo, entretenimento e venda coexistem de forma simultânea. A jornada do consumidor passa a começar no próprio espetáculo, confirmando que moda e varejo estão oficialmente fundidos em tempo real.
Shanghai e a fusão entre tecnologia, cultura e globalização
Shanghai se consolida como um polo estratégico global ao unir tecnologia, identidade cultural, escala industrial e ambição internacional. A Fashion Week chinesa evidenciou que inovação na moda vai além do aspecto técnico: ela é também geopolítica e cultural, utilizando a tecnologia como ponte entre tradição e futuro, entre o local e o global, além de posicionar o país como um dos principais articuladores do próximo capítulo da indústria da moda.
Tendências Transversais que unem todas as Fashion Weeks
Ao observar os diferentes pólos globais, algumas direções se repetem com força e deixam claro o rumo da indústria. A moda torna-se cada vez mais experiencial, deixando de vender apenas produtos para oferecer vivências, pertencimento e narrativas consistentes. O futuro se consolida como híbrido, no qual físico e digital não competem, mas se complementam de forma estratégica. A tecnologia invisível emerge como a mais sofisticada, aquelas soluções que o consumidor sente na experiência, mas não percebe tecnicamente. Somado a isso, a combinação entre dados e criatividade passa a representar uma vantagem competitiva decisiva, permitindo que marcas escalem, se tornem relevantes e preservem sua identidadeem um mercado cada vez mais complexo.



