
O Spotify informou que desativou contas de usuários envolvidas na coleta massiva de conteúdos da plataforma, depois que um grupo de código aberto divulgou arquivos contendo cerca de 86 milhões de faixas obtidas por meio de técnicas de scraping. O caso ganhou repercussão no fim de semana, quando o Anna’s Archive publicou um grande banco de dados com músicas e metadados reunidos ao longo de vários meses.
O Anna’s Archive, que se apresenta como a “maior biblioteca verdadeiramente aberta da história humana”, afirmou ter encontrado uma forma de extrair arquivos do Spotify em larga escala. Como resultado, o grupo disponibilizou um conjunto de dados estimado em cerca de 300 terabytes, com músicas que representariam aproximadamente 99,6% de todas as reproduções da plataforma. Também foi liberado um arquivo menor com as 10 mil faixas mais populares.
Em comunicado à imprensa, um porta-voz do Spotify declarou que a empresa identificou e bloqueou contas utilizadas de maneira irregular, em violação aos termos de uso, para a prática de stream-ripping. Segundo a companhia, o episódio não foi tratado como um ataque hacker, já que não houve invasão aos sistemas internos, mas sim uso indevido de contas criadas por terceiros.
“Adotamos novas proteções contra esse tipo de prática ligada à pirataria e seguimos monitorando ativamente comportamentos suspeitos. Desde o início, estamos ao lado da comunidade de artistas no combate à violação de direitos autorais”, afirmou o representante da empresa. O Spotify também ressaltou que o Anna’s Archive não entrou em contato antes da divulgação dos arquivos.
Em publicação em seu blog, o Anna’s Archive justificou a iniciativa afirmando que, embora costume focar em textos, sua missão de preservação do conhecimento e da cultura humana não faz distinção entre formatos de mídia. Segundo o grupo, o Spotify, apesar de não reunir “toda a música do mundo”, seria um ponto de partida relevante para a criação de um grande acervo musical de preservação.
Os dados divulgados abrangem músicas disponibilizadas no Spotify entre 2007 e julho de 2025 e incluem um banco de metadados com cerca de 256 milhões de faixas, descrito pelo grupo como o maior já tornado público. A análise do material também aponta uma forte concentração de audiência: as três músicas mais ouvidas da plataforma — de Billie Eilish, Lady Gaga e Bad Bunny — acumulam mais reproduções do que dezenas de milhões de faixas menos populares somadas.
O Anna’s Archive é proibido em diversos países devido a recorrentes violações de direitos autorais. A iniciativa surgiu após o encerramento do Z-Library em 2022, quando autoridades dos Estados Unidos prenderam dois cidadãos russos acusados de operar o então maior site de livros piratas do mundo. Desde então, o grupo passou a agregar conteúdos de outras bibliotecas digitais, como Internet Archive, Library Genesis e Sci-Hub.
Atualmente, o Anna’s Archive afirma reunir mais de 61 milhões de livros e 95 milhões de artigos científicos. Em novembro, a Google informou ter removido aproximadamente 800 milhões de links relacionados ao site de seus resultados de busca, após solicitações de detentores de direitos autorais.



