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EUA podem exigir histórico de redes sociais: quando a tecnologia redefine a experiência de viajar

Por Caio Fritzen

Os Estados Unidos estudam exigir o histórico de redes sociais dos últimos cinco anos de turistas isentos de visto, como os que utilizam o ESTA. A proposta, divulgada pelo Departamento de Segurança Interna, amplia a coleta de dados e inclui também números de telefone usados nos últimos cinco anos, e-mails dos últimos dez anos e informações adicionais sobre familiares. A iniciativa segue o movimento global de fortalecer triagens de segurança com base em dados digitais.

Essa medida não surge do nada. Nos últimos anos, o governo americano já havia aumentado a análise de redes sociais em outras categorias de vistos, como o H-1B e o visto de estudante, onde candidatos foram orientados a manter perfis públicos durante a avaliação. Agora, a prática passa a se aproximar do turismo, atingindo viajantes que, até então, tinham processos simplificados por estarem em países considerados de baixo risco.

Embora o Brasil não faça parte do Visa Waiver Program, muitos brasileiros com dupla cidadania utilizam o ESTA. Para esse público, a mudança representa uma transformação importante. A triagem deixa de depender apenas de documentos tradicionais e avança para a análise de comportamento digital, algo que se tornou possível graças à evolução de sistemas automatizados, inteligência artificial e cruzamento de grandes bases de dados.

Na minha opinião, essa é uma sinalização clara de que a fronteira entre turismo, tecnologia e privacidade está se tornando cada vez mais estreita. O histórico digital de um viajante passou a ser interpretado como um indicador de identidade, confiabilidade e padrão de comportamento. Isso abre debates relevantes sobre o limite do monitoramento, o direito à privacidade e o impacto de algoritmos em processos que antes eram puramente humanos.

Também chama atenção o fato de que até a ausência de presença online pode ser vista como inconsistência, o que mostra como o contexto digital está sendo incorporado às decisões de imigração. De certa forma, viajantes agora precisam não apenas organizar documentos, mas também ter consciência de como sua vida digital é construída, percebida e analisada por sistemas governamentais.

Esse movimento aponta para um futuro em que fronteiras se tornam ambientes totalmente digitalizados, onde decisões são influenciadas por análise de dados, comportamento online e verificações automatizadas. A identidade virtual passa a ter o mesmo peso da identidade física, e viajar exige atenção não apenas ao passaporte, mas também aos rastros digitais que cada pessoa deixa ao longo dos anos.

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