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Registro de marcas e ativos intelectuais: o que está em jogo no futuro das empresas.

Por Fernanda Nogueira

Marca é mais que um nome. Em um mercado cada vez mais competitivo, em que empresas e startups disputam atenção e confiança dos consumidores, a marca deixou de ser apenas um nome ou um símbolo gráfico. Ela passou a representar reputação, credibilidade e diferenciação. Nesse cenário, o registro junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) tornou-se um pilar estratégico para organizações que desejam crescer com segurança.

O registro garante ao titular o direito de uso exclusivo em todo o território nacional. Isso significa proteção contra concorrência desleal e uso indevido por terceiros. Mais do que uma formalidade legal, trata-se de uma blindagem patrimonial e estratégica. Sem o certificado do INPI, empresas correm o risco de perder o direito sobre nomes, slogans ou símbolos já utilizados, colocando em risco investimentos feitos em comunicação e posicionamento de mercado.

O primeiro passo para a proteção é a busca de novidade, pesquisa detalhada que verifica a disponibilidade do nome ou sinal desejado. Se não houver viabilidade, alternativas podem ser propostas.

A estratégia, porém, não deve se restringir apenas ao registro da marca. É preciso ampliar o olhar para outros ativos intelectuais que sustentam a inovação de uma empresa: softwares, patentes, domínios, know-how, slogans, metodologias, planos de negócios e até estratégias de marketing. Todos esses elementos fazem parte de um patrimônio intangível que precisa de proteção jurídica para assegurar competitividade.

O sistema de propriedade industrial oferece instrumentos de defesa importantes. O processo de oposição permite contestar pedidos de terceiros antes da concessão, evitando confusão no mercado. Já o pedido de nulidade é uma segunda linha de defesa, usado para invalidar registros concedidos que ferem direitos anteriores.

Ambos exigem monitoramento constante e fundamentação técnica robusta, o que reforça a necessidade de gestão proativa de propriedade intelectual.

Novas tecnologias também estão transformando a forma de proteger criações intelectuais. O registro de direitos autorais em blockchain surge como alternativa inovadora para reforçar a prova de autoria e anterioridade.

Nesse processo, é gerado um código único (hash) do conteúdo digital, que é registrado em um bloco da cadeia (blockchain) com data e hora. O resultado é um registro imutável e transparente, de reconhecimento internacional, que dificulta manipulações ou falsificações.

Combinado à legislação de direitos autorais, o blockchain amplia a proteção contra cópias não autorizadas e disputas de autoria — e ainda traz a vantagem de ser online, rápido e acessível.

Proteger marcas, patentes, softwares e know-how vai muito além de um trâmite administrativo. É uma estratégia central de negócios e inovação.

Em um ambiente de alta competitividade, combinar a vigilância ativa no INPI com novas ferramentas digitais, como o blockchain, deixou de ser opcional. É uma condição para a sobrevivência e o sucesso sustentável de empresas que desejam liderar no longo prazo.

Fernanda Nogueira

Advogada com mais de 15 anos de atuação estratégica na área empresarial, com expertise em proteção de dados, compliance, contratos complexos e ativos intelectuais. Atualmente é Diretora Jurídica, de Compliance e Riscos da TM1 Brand Experience, onde lidera projetos de grande porte e complexidade, além de ativações de marcas e estandes em feiras e festivais. Antes disso, foi sócia do João Bosco Leopoldino Advocacia, assessorando empresas de biotecnologia, diagnóstico in vitro e tecnologia, com foco em contratos estratégicos, programas de integridade e proteção jurídica de marcas, softwares e know-how. É palestrante e autora de livros e artigos jurídicos nas áreas de direito digital, compliance e proteção de dados pessoais. Possui MBA em Gestão Estratégica de Negócios, mestrado em ciências jurídico-empresariais pela Universidade de Lisboa/PT e certificações em proteção de dados. Atualmente, também atua como consultora jurídica independente, apoiando empresas que buscam inteligência jurídica aliada à agilidade e inovação na tomada de decisão.

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