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A Gestão de Incidentes de Segurança: Por que sua Empresa Precisa Estar Preparada?

Por Allan Kovalscki

Em um cenário cada vez mais digital e interconectado, os incidentes de segurança da informação deixaram de ser uma possibilidade remota para se tornarem uma ameaça real e constante. Vazamentos de dados, ataques de ransomware, acessos não autorizados e falhas de sistemas fazem parte do cotidiano de empresas de todos os portes — e ignorar esses riscos pode ser fatal para a continuidade do negócio.

A boa notícia é que é possível tratar esses eventos com método e eficiência. A gestão de incidentes de segurança da informação, conforme estruturada pela norma ISO/IEC 27035, oferece um ciclo completo e integrado para identificar, responder e aprender com os incidentes. A seguir, apresento as principais fases desse processo e os cuidados que toda organização deve adotar.

  1. Planejamento e Preparação

Antes mesmo que o incidente ocorra, é preciso estar preparado. Isso envolve definir políticas e procedimentos, formar uma equipe de resposta (como um CSIRT), treinar os colaboradores e realizar testes periódicos. A preparação adequada é o que determina a agilidade e a eficácia da resposta quando o problema aparece.

  1. Detecção e Notificação

Um incidente pode ser detectado por ferramentas de segurança (como antivírus, SIEM, EDR/XDR, firewalls etc), por usuários, equipes (SOC) ou por fontes externas. Ter canais de comunicação estabelecidos e pontos de contato claros é fundamental para garantir que qualquer anomalia seja reportada rapidamente. A notificação ágil é essencial, inclusive por exigência legal, como no caso da LGPD, que obriga a comunicação à ANPD em até dois dias úteis, quando houver risco relevante aos titulares de dados pessoais.

  1. Triagem e Análise

Após a detecção, é preciso classificar o incidente: qual sua gravidade? Qual o impacto? Quais sistemas estão envolvidos? A triagem ajuda a priorizar o atendimento e garantir que os eventos mais críticos sejam tratados com urgência. A análise técnica detalha a origem, o método de ataque e os danos causados — o que será vital para a contenção e a futura prevenção.

  1. Resposta

Nesta fase, a prioridade é conter o incidente, erradicar a causa e recuperar os sistemas afetados. As ações devem ser rápidas, coordenadas e baseadas em planos previamente estabelecidos. Uma resposta eficaz reduz o impacto, evita a repetição do problema e protege a reputação da organização, evitando que outros riscos se materializem.

  1. Relato e Lições Aprendidas

Finalizado o tratamento, é hora de documentar o ocorrido: o que aconteceu, como foi resolvido, quais foram os impactos e quais melhorias podem ser implementadas. A etapa de lições aprendidas é essencial para promover a melhoria contínua e fortalecer a resiliência da organização.

Ainda, é muito importante considerarmos a Gestão de Incidentes como um pilar estratégico nas organizações, uma vez que tratar os incidentes com improviso pode custar muito caro, pois, além dos danos financeiros e operacionais, há o risco à imagem da organização, à confiança dos clientes e ao cumprimento da legislação. Por outro lado, uma gestão estruturada demonstra maturidade, responsabilidade e compromisso com a segurança da informação.

Mais do que uma exigência técnica, a gestão de incidentes deve ser vista como um componente essencial da governança corporativa e da continuidade dos negócios. Em tempos de ataques cada vez mais sofisticados, estar preparado não é uma opção — é uma necessidade.

 

Allan Kovalscki

uFndador da GCRC Desenvolvimento, mestrando em Administração, com ênfase em Governança Corporativa, MBA em Gestão Empresarial, MBA em Governança Corporativa, Pós-MBA em Governança Corporativa e Risco, Pós Graduando em Ciência de Dados e Big Data Analytics, Pós Graduado em Gestão de Projetos, Pós Graduando LLM em Proteção de Dados: LGPD & GDPR, MBA em Segurança da Informação, MBA em Riscos Cibernéticos. Atualmente ocupa também a função de Diretor Geral da COMPLY LGPD Solutions, Diretor Técnico – CTO na Armin GRC, coordenador técnico do Fórum de Proteção de Dados Pessoais nos municípios, é membro da RGB – Rede Governança Brasil, onde atua como coordenador do Comitê de Governança em Estatais, foi membro do Comitê de Auditoria Estatutário do Grupo CEEE, sendo ainda professor e consultor na Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências – Fundatec e professor convidado na FADISMA. Na Companhia Riograndense de Saneamento, empresa pública de economia mista, onde trabalhou por 20 anos, foi Superintendente de Controles Internos, Gestão de Riscos e Compliance, onde criou a área e implementou a metodologia e os processos de governança Corporativa, gestão de riscos e compliance, foi Chefe do Departamento de Projetos e Processos, onde implementou o PMO da área de tecnologia na companhia e foi Superintendente de Tecnologia da Informação e Comunicação, tendo sido responsável pela implantação da Governança em TI, através do COBIT. Ainda, na Corsan, fez parte do Conselho Universitário e da Comissão de Ética. Possui certificação como DPO (PDPE | PDPP | PDPF) e certificações como Auditor Líder de Sistemas Integrados de Gestão em Compliance e Antissuborno, - Lead Assessor SIG ISO 19600:2014 e ISO 37001:2016, Gestão de Riscos e Continuidade de Negócios - Lead Assessor SIG ISO 31000:2009 e ISO 22301:2019, Gestão da Segurança da Informação e Gestão de Privacidade da Informação - Lead Assessor SIG ISO 27001:2005 e ISO 27701:2019.

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