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AS LEIS DE LÍDIA PÖET

No fim de semana da última semana de setembro de 2026, em uma daquelas buscas despretensiosas por algo interessante para assistir na Netflix, encontrei uma série que, há muito tempo, não conseguia me prender daquela maneira: “As Leis de Lídia Pöet”.

E que descoberta!

Baseada na história real de Lídia Pöet, considerada a primeira mulher a se formar em Direito e a exercer a advocacia na Itália moderna, a série combina drama, investigação criminal, suspense e contexto histórico em uma trama que vai muito além de simplesmente contar a história de uma advogada.

Ambientada na Turim do final do século XIX, a produção nos apresenta uma sociedade em que as mulheres tinham pouquíssimo espaço para decidir o próprio destino. É nesse cenário que Lídia surge determinada a conquistar aquilo que, para muitos homens de sua época, parecia simplesmente impossível: o direito de exercer a profissão para a qual havia estudado e se preparado.

Mas Lídia não se limita aos tribunais.

Ao longo da história, ela se envolve em investigações de assassinatos, crimes e mistérios, usando inteligência, conhecimento jurídico e uma impressionante capacidade de observar aquilo que os outros não conseguem enxergar. Enquanto tenta solucionar casos cada vez mais intrigantes, também precisa enfrentar um sistema judicial e uma sociedade profundamente machistas, que colocam constantemente sua capacidade e seu direito de exercer a advocacia em dúvida.

E é justamente essa combinação que torna a série tão interessante: cada episódio apresenta um mistério, mas existe também uma batalha maior acontecendo por trás dele.

Uma protagonista que chama atenção

No papel de Lídia Pöet está Matilda De Angelis, atriz e cantora italiana que entrega uma protagonista forte, inteligente, determinada e, ao mesmo tempo, cheia de personalidade.

O elenco também conta com Pier Luigi Pasino, no papel de Enrico Pöet, e Eduardo Scarpetta, interpretando Jacopo Barberis.

A produção ainda reúne diferentes diretores italianos. Letizia Lamartire comandou grande parte dos episódios, enquanto Matteo Rovere dirigiu episódios importantes da primeira temporada. A partir da segunda temporada, Pippo Mezzapesa passou a integrar a equipe de direção, e Jacopo Bonvicini dirigiu episódios da terceira temporada.

Uma produção italiana caprichada

Criada e produzida por Guido Iuculano e Davide Orsini, a série também contou com uma equipe de roteiristas formada por Elisa Dondi, Daniela Gambaro e Paolo Piccirillo.

A produção executiva ficou a cargo de Paolo Lucarini, com Francesco Marras como produtor associado/produtor de linha.

A série é uma produção da Groenlandia srl, em parceria com a Netflix.

Três temporadas para mergulhar nessa história

A produção conta com três temporadas disponíveis na Netflix, permitindo acompanhar a trajetória de Lídia e suas batalhas profissionais e pessoais ao longo da história.

O mais interessante, para mim, é que “As Leis de Lídia Pöet” consegue fazer aquilo que uma boa série histórica deveria fazer: divertir, despertar curiosidade e, ao mesmo tempo, nos apresentar uma personagem que realmente existiu e que ajudou a abrir caminhos para tantas outras mulheres.

É impossível assistir sem pensar no tamanho dos obstáculos que Lídia precisou enfrentar para conquistar algo que hoje pode parecer tão básico: o direito de exercer a profissão que escolheu.

Por isso, minha recomendação é direta: vale muito a pena assistir.

Não apenas pela trama policial, pelos mistérios e pelas investigações, mas principalmente pela oportunidade de conhecer Lídia Pöet, uma personagem histórica fascinante e importante não apenas para a Itália, mas para a própria história da luta das mulheres por espaço, reconhecimento e direitos.

Às vezes, as melhores descobertas acontecem justamente quando não estamos procurando por elas. Foi assim que encontrei “As Leis de Lídia Pöet” — e foi uma grata surpresa.

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