
E que descoberta!
Baseada na história real de Lídia Pöet, considerada a primeira mulher a se formar em Direito e a exercer a advocacia na Itália moderna, a série combina drama, investigação criminal, suspense e contexto histórico em uma trama que vai muito além de simplesmente contar a história de uma advogada.
Ambientada na Turim do final do século XIX, a produção nos apresenta uma sociedade em que as mulheres tinham pouquíssimo espaço para decidir o próprio destino. É nesse cenário que Lídia surge determinada a conquistar aquilo que, para muitos homens de sua época, parecia simplesmente impossível: o direito de exercer a profissão para a qual havia estudado e se preparado.
Mas Lídia não se limita aos tribunais.
Ao longo da história, ela se envolve em investigações de assassinatos, crimes e mistérios, usando inteligência, conhecimento jurídico e uma impressionante capacidade de observar aquilo que os outros não conseguem enxergar. Enquanto tenta solucionar casos cada vez mais intrigantes, também precisa enfrentar um sistema judicial e uma sociedade profundamente machistas, que colocam constantemente sua capacidade e seu direito de exercer a advocacia em dúvida.
E é justamente essa combinação que torna a série tão interessante: cada episódio apresenta um mistério, mas existe também uma batalha maior acontecendo por trás dele.
Uma protagonista que chama atenção
No papel de Lídia Pöet está Matilda De Angelis, atriz e cantora italiana que entrega uma protagonista forte, inteligente, determinada e, ao mesmo tempo, cheia de personalidade.
O elenco também conta com Pier Luigi Pasino, no papel de Enrico Pöet, e Eduardo Scarpetta, interpretando Jacopo Barberis.
A produção ainda reúne diferentes diretores italianos. Letizia Lamartire comandou grande parte dos episódios, enquanto Matteo Rovere dirigiu episódios importantes da primeira temporada. A partir da segunda temporada, Pippo Mezzapesa passou a integrar a equipe de direção, e Jacopo Bonvicini dirigiu episódios da terceira temporada.
Uma produção italiana caprichada
Criada e produzida por Guido Iuculano e Davide Orsini, a série também contou com uma equipe de roteiristas formada por Elisa Dondi, Daniela Gambaro e Paolo Piccirillo.
A produção executiva ficou a cargo de Paolo Lucarini, com Francesco Marras como produtor associado/produtor de linha.
A série é uma produção da Groenlandia srl, em parceria com a Netflix.
Três temporadas para mergulhar nessa história
A produção conta com três temporadas disponíveis na Netflix, permitindo acompanhar a trajetória de Lídia e suas batalhas profissionais e pessoais ao longo da história.
O mais interessante, para mim, é que “As Leis de Lídia Pöet” consegue fazer aquilo que uma boa série histórica deveria fazer: divertir, despertar curiosidade e, ao mesmo tempo, nos apresentar uma personagem que realmente existiu e que ajudou a abrir caminhos para tantas outras mulheres.
É impossível assistir sem pensar no tamanho dos obstáculos que Lídia precisou enfrentar para conquistar algo que hoje pode parecer tão básico: o direito de exercer a profissão que escolheu.
Por isso, minha recomendação é direta: vale muito a pena assistir.
Não apenas pela trama policial, pelos mistérios e pelas investigações, mas principalmente pela oportunidade de conhecer Lídia Pöet, uma personagem histórica fascinante e importante não apenas para a Itália, mas para a própria história da luta das mulheres por espaço, reconhecimento e direitos.
Às vezes, as melhores descobertas acontecem justamente quando não estamos procurando por elas. Foi assim que encontrei “As Leis de Lídia Pöet” — e foi uma grata surpresa.



