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Agatha Christie’s O Mistério dos Sete Relógios: um mistério elegante, sombrio e viciante que deixa gosto de quero mais

Existem séries que a gente assiste. E existem aquelas que, quando terminam, deixam uma sensação quase incômoda: “Só isso? Eu quero mais!” Foi exatamente o que aconteceu comigo depois de assistir a Agatha Christie’s Seven Dials, minissérie britânica disponível na Netflix.

Com apenas três episódios, a produção consegue mergulhar o espectador em uma trama de assassinato, conspiração, espionagem e sociedades secretas, tudo isso envolto naquela atmosfera irresistível dos romances de Agatha Christie.

Baseada no livro de 1929 O Mistério dos Sete Relógios, a série foi adaptada por Chris Chibnall e dirigida por Chris Sweeney. No elenco estão nomes como Mia McKenna-Bruce, Edward Bluemel, Iain Glen, Martin Freeman e Helena Bonham Carter.

E se você gosta de histórias em que ninguém parece ser exatamente quem diz ser, prepare-se: Seven Dials tem todos os ingredientes para prender sua atenção.

Um assassinato que parece simples demais

A história começa em 1925, quando Lady Caterham aluga a propriedade da família para uma festa organizada pelo milionário Sir Oswald Coote.

Entre os convidados está Gerry Wade, jovem conhecido por ter um hábito inconveniente: dormir demais.

Seus amigos decidem pregar uma peça. Escondem oito despertadores em seu quarto para garantir que ele finalmente acorde na manhã seguinte.

Só que Gerry não acorda.

Ele é encontrado morto, vítima de uma overdose de medicamentos para dormir.

A princípio, tudo parece apontar para um suicídio. Mas há algo estranho: sete dos despertadores foram colocados juntos sobre a lareira, enquanto o oitavo aparece no jardim.

E é justamente aí que a história começa a ficar interessante.

A jovem Lady Eileen “Bundle” Brent, filha de Lady Caterham, não aceita a explicação oficial. Para ela, alguma coisa não fecha.

E quando encontra uma carta deixada por Gerry alertando sua irmã sobre “os Sete Relógios”, Bundle decide investigar.

Uma decisão que vai colocá-la no centro de uma conspiração muito maior do que poderia imaginar.

Bundle é o tipo de protagonista que dá gosto de acompanhar

Bundle talvez seja uma das grandes surpresas da série.

Em vez daquela personagem que simplesmente espera que o detetive resolva o mistério, ela se envolve diretamente na investigação. É curiosa, determinada, inteligente e, principalmente, não parece disposta a aceitar respostas fáceis.

Só que mexer com um segredo dessa magnitude tem consequências.

Bundle percebe que está sendo seguida. Recebe um aviso anônimo. Depois encontra Ronny Devereux baleado na estrada.

Antes de morrer, ele consegue pronunciar algumas palavras:

Jimmy Thesiger. Os Sete Mostradores.

A partir daí, o que parecia ser apenas uma morte misteriosa transforma-se em uma teia de assassinatos, espionagem e interesses políticos.

E Bundle está cada vez mais próxima do centro de tudo.

Uma sociedade secreta, máscaras e uma fórmula revolucionária

É aqui que Seven Dials ganha uma atmosfera deliciosamente clássica.

Bundle chega ao Seven Dials, uma boate decadente de Londres, e descobre algo que parece saído diretamente de um pesadelo elegante dos anos 1920: uma sociedade secreta cujos integrantes usam máscaras em formato de relógio.

Sim, relógios.

E quanto mais ela investiga, mais percebe que os Sete Dials não são apenas uma brincadeira macabra.

Existe uma invenção capaz de fortalecer metais de maneira revolucionária. Uma fórmula tão valiosa que pode interessar ao governo britânico — e também a pessoas dispostas a matar para colocá-la nas mãos certas.

Durante uma demonstração, o inventor Dr. Cyril Matip mostra que sua fórmula pode tornar um relógio de bolso praticamente à prova de balas.

E, naturalmente, você já pode imaginar o que acontece quando uma invenção como essa cai nas mãos erradas.

A fórmula desaparece.

Matip é encontrado sedado.

E alguém dentro da casa foi capaz de fazer tudo isso sem ser descoberto.

Quando você acha que entendeu… a série muda tudo

Uma das melhores coisas de Agatha Christie’s Seven Dials é justamente a maneira como a história brinca com nossas suspeitas.

Quando parece que determinada pessoa está por trás de tudo, surge uma nova informação.

Quando você acredita que finalmente entendeu o plano, aparece outra peça.

E quando pensa que já descobriu quem está mentindo…

descobre que estava olhando para a pessoa errada.

A trama ainda envolve perseguições, tiros, espionagem, identidades escondidas e uma sequência eletrizante dentro de um trem.

E há uma revelação particularmente importante: alguém muito próximo de Bundle está muito mais envolvido na conspiração do que ela poderia imaginar.

Sem entregar todos os detalhes, basta dizer que a verdadeira mente por trás do plano está muito mais perto de Bundle do que o espectador imagina.

Helena Bonham Carter e Martin Freeman completam o charme da produção

O elenco também ajuda a criar a personalidade da série.

Helena Bonham Carter traz para a produção aquela presença magnética que combina perfeitamente com uma história de segredos familiares, aristocracia e mistério.

Já Martin Freeman participa de uma trama que mistura investigação policial, espionagem e sociedade secreta, reforçando o tom de suspense da produção.

Mas é Mia McKenna-Bruce, como Bundle, quem conduz o espectador por esse labirinto.

E acompanhar sua transformação de jovem curiosa em investigadora cada vez mais habilidosa é uma das partes mais divertidas da série.

Três episódios passam voando

Talvez essa seja minha principal reclamação — e, ao mesmo tempo, um elogio.

São apenas três episódios.

Quando a história finalmente engrena, você começa a se acostumar com aquele universo de mansões inglesas, festas aristocráticas, sociedades secretas, relógios misteriosos e conspirações.

E então acaba.

Foi exatamente aí que fiquei com aquela sensação de:

“Quero mais.”

A conclusão resolve o mistério principal e entrega respostas importantes. Mas a maneira como a história termina também abre uma possibilidade muito interessante.

Bundle é apresentada à verdadeira missão da Sociedade dos Sete Mostradores, uma organização que atua secretamente em favor do bem público.

E, em vez de simplesmente voltar para sua vida anterior, ela recebe um convite para ocupar o lugar de seu falecido pai.

Ela aceita.

Entusiasmada.

E nós ficamos imaginando tudo o que poderia acontecer a partir daí.

Vale a pena assistir?

Se você gosta de Agatha Christie, mistérios de assassinato, histórias de época, sociedades secretas, conspirações, espionagem e personagens que escondem mais do que revelam, Agatha Christie’s Seven Dials merece entrar na sua lista.

A série combina o charme clássico de uma história ambientada nos anos 1920 com uma narrativa ágil e cheia de reviravoltas.

Não é preciso esperar dezenas de episódios para descobrir o desfecho. Em apenas três capítulos, a trama entrega assassinatos, investigação, perseguições, segredos de família e uma boa dose de suspense.

Mas existe um pequeno problema:

quando os créditos finais aparecem, você provavelmente vai querer que existam mais episódios.

Eu, pelo menos, terminei Seven Dials com essa sensação.

Quero mais Bundle. Quero mais Sete Mostradores. E, principalmente, quero descobrir quais outros mistérios essa sociedade secreta ainda poderia esconder.

Se você estiver procurando uma série curta para assistir de uma vez, daquelas que começam com um simples assassinato e rapidamente transformam tudo em uma grande conspiração, Agatha Christie’s Seven Dials pode ser uma ótima escolha para a próxima maratona.

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