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O algoritmo não vota.

Por Fernando Röhsig

Há algo de paradoxal no nosso tempo. Nunca tivemos tanta tecnologia à disposição para analisar dados, prever tendências e automatizar decisões. Ainda assim, a principal mensagem do 27º Congresso do IBGC foi simples: quanto mais avançada a tecnologia, maior a necessidade de discernimento humano.

Em praticamente todos os painéis, da inteligência artificial ao agronegócio, da saúde mental à geopolítica, reapareceu a mesma convicção: máquinas processam informações; pessoas assumem responsabilidades.

A neurocientista Heather Collins alertou para um risco silencioso. Ao terceirizarmos excessivamente nosso raciocínio para a IA, podemos atrofiar justamente aquilo que nos diferencia: pensamento crítico, julgamento e capacidade de interpretar contexto. Em outras palavras, a IA pode nos tornar mais eficientes, mas não necessariamente mais inteligentes.

Talvez a síntese mais elegante do congresso tenha vindo da palestra de Jubran Coelho, da KPMG. Ao discutir o futuro das empresas, ele apresentou quatro movimentos que precisam avançar simultaneamente: gerar valor real com a tecnologia, construir confiança por meio da governança, desenvolver pessoas para um ambiente de trabalho cada vez mais híbrido e fortalecer a qualidade dos dados que sustentam as decisões. A transformação digital não é uma questão tecnológica, mas essencialmente humana.

Outra reflexão relevante surgiu nos debates sobre liderança. Em um ambiente de pressão permanente, resultados sustentáveis dependem menos de controle e mais de confiança, propósito e saúde mental. Empresas não adoecem apenas por falta de recursos; adoecem quando perdem conexão humana.

Talvez a principal provocação do congresso tenha sido dirigida aos conselhos e líderes empresariais. Não basta perguntar o que a tecnologia pode fazer. A pergunta estratégica é outra: o que os seres humanos precisam continuar fazendo para que a tecnologia seja uma aliada e não uma substituta do bom senso?

O futuro certamente será digital. Mas, se houve uma conclusão dominante nos dois dias de debates, ela foi inequívoca: a vantagem competitiva continuará pertencendo às organizações capazes de combinar tecnologia com julgamento, dados com sabedoria, eficiência com propósito.

Porque, no fim das contas, o algoritmo recomenda. Quem responde continua sendo o ser humano.

Fernando Röhsig – Conselheiro de Administração (CCA – IBGC).

Fernando Rohsig

Conselheiro Independente para Conselho de Administração, Consultivo, Fiscal e de Família. Mestre em Controladoria pela Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS. Especializações em “Managing a Global Business” pela HEC (Paris/França) e Gestão Empresarial, Recursos Humanos, Gestão da Qualidade, Custos e Produção, todos pela UFRGS. Também é pós-graduado em Gestão da Qualidade pela Unisinos. Graduado em Administração de Empresas pela UFRGS. Certificado como Conselheiro de Administração pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). Realizou cursos complementares pela FIERGS na Stanford School of Business, pela Fundação Dom Cabral na Kellogg School Of Management (Northwestern – Chicago/EUA), Tsinghua University (Beijing/China), Cambridge Univesity (Climate Governance Initiative) e Role of the Chair e Leadership Essentials for Navigating Complexity – IoD Institute of Directors (Londres/Inglaterra) e Univesrity of Pennsylvania - Wharton School – Ai Leadership Program (Pensilvânia/EUA). Professor de Graduação, Pós-Graduação e In Company na UFRGS, ESPM, La Salle, Sicredi, Unicred, Sicoob e Univates. Trabalhos voluntários em diversas entidades, com destaque para Junior Achievement (RS) e IBGC Capítulo Sul. Integrante de grupos do IBGC em Jornadas Técnicas ao Vale do Silício em Ago/18, Israel em Mai/19, Inglaterra em Set/23, China em Out/Nov/24, EUA em Set/25 e Japão em Nov/26. Atuação como executivo por mais de trinta anos em Finanças e Operações. Proprietário da F&F_Allegra_Consultoria. Trabalhos desenvolvidos em nível de conselho e direção para empresas de atuação em cooperativas de crédito, médicos, de infraestrutura de energia renovável (geração e distribuição), empresas de comunicação, telecom, design, varejo (moda), bancos / fintechs, franquias, indústrias de alimentos, metal mecânica, química, explosivos, mineração, equipamentos pesados, odontológicos e de estética, construção civil e de infraestrutura pesada, entre outras.

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