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Da IA que negocia com fornecedores ao dinheiro parado em estoque: o que está em jogo nas decisões de Compras das empresas?

Com pressão sobre custos, Reforma Tributária e avanço da automação, decisões antes restritas às áreas operacionais ganham peso financeiro e estratégico. Executivos de grandes companhias discutem o cenário nos dias 6 e 7 de outubro, em São Paulo.

Quanto custa uma decisão errada de Compras? A resposta já não está apenas no preço pago por um produto ou serviço. Está no capital que permanece imobilizado em estoque, nos riscos de uma contratação mal estruturada, na falta de visibilidade sobre fornecedores e na capacidade das empresas de reagir a mudanças econômicas e tecnológicas. Com a Reforma Tributária no horizonte, a pressão sobre margens e o avanço da inteligência artificial, a área de Procurement passa por uma transformação que ultrapassa a negociação de contratos e alcança diretamente a estratégia financeira das organizações.

O assunto ganha espaço na 23ª edição do Fórum de Compras & Sourcing, promovido pelo Inbrasc e Live University, nos dias 6 e 7 de outubro, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Com expectativa de reunir mais de 8 mil profissionais, 200 palestrantes e oito palcos de conteúdo, o encontro terá a participação de executivos de companhias como Nubank, Mercado Livre, BMW, Hershey, Grupo Boticário e PepsiCo, além de especialistas que atuam na transformação das operações de Compras, Finanças e Supply Chain.

Uma das mudanças mais expressivas está na aplicação da inteligência artificial às atividades que, até pouco tempo, dependiam exclusivamente da intervenção humana. A PG Consulting, consultoria global especializada em Procurement, Supply Chain, Logística e Finance, leva ao debate sua experiência em transformação empresarial e a atuação conjunta com a ACUME, startup parceira responsável pelo desenvolvimento de agentes de IA capazes de executar atividades como análise de gastos, cálculo de should-cost, negociações, acompanhamento de pedidos e controle da base de fornecedores. Com mais de 580 projetos realizados e US$4,8 bilhões em resultados tangíveis reportados pela companhia, a PG coloca em discussão uma nova etapa da digitalização: a passagem de sistemas que organizam informações para tecnologias que também participam da execução dos processos.

Mas a eficiência não depende apenas de automatizar decisões. Em muitas organizações, parte importante dos recursos financeiros permanece comprometida em estoques definidos a partir de parâmetros históricos, sem uma avaliação aprofundada de seu impacto econômico. É essa relação que Laís Roupinha, Country Manager da Slimstock Brasil, pretende explorar na palestra “Estoque é dinheiro: como transformar critérios financeiros em decisões de planejamento”, marcada para 7 de outubro, às 14h40. A executiva discutirá como lotes de compra, frequência de abastecimento, previsibilidade da demanda e níveis de serviço determinam não apenas a disponibilidade de produtos, mas também o capital necessário para sustentar uma operação. A questão central é compreender quanto custa manter determinado estoque e qual risco financeiro a empresa assume quando decide reduzi-lo.

O desafio de controlar recursos também aparece nas compras indiretas, especialmente em categorias com múltiplos fornecedores e processos pouco padronizados. Para Beto Sirotsky, co-CEO da BPool, a contratação representa apenas uma etapa de uma jornada que ainda apresenta dificuldades de governança, pagamentos e visibilidade sobre gastos de menor valor, conhecidos como tail spend. O executivo abordará o assunto no dia 6 de outubro. A companhia também participa da programação com Felipe Gracias, sócio e Head of Business Development, que discutirá, no dia 7, como dados proprietários e tecnologia podem tornar mais eficiente a contratação de eventos e ativações, uma categoria historicamente complexa para as áreas de Procurement.

A digitalização dos pagamentos empresariais completa esse cenário de transformação. Marcela Pinori, vice-presidente de Soluções Comerciais da Visa do Brasil, participa do painel “Onde os Desafios de Compras Encontram Soluções”, no dia 7 de outubro, das 12h20 às 12h50. Responsável pela expansão das soluções comerciais da companhia no país, a executiva atua no desenvolvimento de ofertas para empresas de diferentes portes e governos, com foco em inovação e eficiência nos pagamentos B2B. Sua participação amplia a discussão sobre a conexão entre as decisões de Compras e os processos financeiros que sustentam as operações corporativas.

Embora partam de desafios distintos, os temas convergem para uma preocupação comum: como transformar Compras em uma área capaz de proteger recursos, antecipar riscos e contribuir de maneira efetiva para os resultados do negócio. A discussão ganha relevância diante de um ambiente de maior complexidade regulatória, mudanças nas cadeias globais de suprimentos e novas possibilidades abertas pela inteligência artificial. Nesse contexto, negociar o menor preço já não é suficiente para assegurar a melhor decisão.

Além dessas abordagens, o Fórum de Compras & Sourcing reunirá lideranças de diferentes setores para discutir Reforma Tributária, geopolítica, inovação, gestão de fornecedores, competitividade e os caminhos para a evolução de Procurement no Brasil.

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