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Mãe solo de três filhos troca trabalho informal pela tecnologia e transforma a própria história

As mulheres representaram 17,9% dos formandos nos cursos de TIC em 2023, segundo o relatório "Perspectivas do Mercado de Trabalho do Macrossetor TIC" realizado pela Brasscom

Durante anos, Kamila Rosa viveu com a incerteza de quanto conseguiria ganhar a cada mês. Mãe solo de três meninos, hoje com 10, 7 e 3 anos, conciliava os cuidados com os filhos com o trabalho autônomo em um salão de beleza de bairro em São Paulo. Especializada em unhas e sobrancelhas, sua renda girava em torno de R$ 1.500 mensais — valor que variava conforme o movimento do salão.

“Eu não via perspectiva. Como autônoma, nunca sabia quanto iria ganhar no fim do mês. Essa incerteza me preocupava muito, principalmente porque eu tinha três filhos para sustentar”, relembra.

A história de Kamila reflete a realidade de milhões de brasileiras. Segundo dados do IBGE, cerca de 11 milhões de mulheres criam os filhos sozinhas no país. Muitas precisam equilibrar maternidade, trabalho e estudos, frequentemente abrindo mão da qualificação profissional para garantir o sustento da família.

Foi justamente pensando no futuro dos filhos que Kamila decidiu mudar completamente de carreira.

Mesmo sem experiência na área de tecnologia, sempre teve curiosidade por informática. Incentivada pela mãe, começou a pesquisar cursos que pudessem abrir portas para um mercado com maior estabilidade e melhores salários. Foi nessa busca que conheceu a Escola da Nuvem, organização sem fins lucrativos que oferece capacitação gratuita em Tecnologia da Informação para pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Em 2024, iniciou sua jornada na área de tecnologia. Concluiu a formação em Cloud Practitioner AWS, pela Escola da Nuvem, ingressou na graduação em Gestão de TI e continuou estudando desenvolvimento de software. A rotina era intensa: conciliava os estudos, o trabalho como autônoma, a casa e a criação dos três filhos praticamente sem uma rede de apoio.

“A virada aconteceu quando consegui meu estágio. Eu já tinha concluído a formação em Cloud Practitioner e continuei estudando Developer. Foi uma fase muito difícil, mas eu sabia que estava construindo um futuro melhor para nós”.

Hoje, Kamila trabalha como Assistente de Projetos na Darede, integrando a equipe de Professional Services. Além de conquistar um salário fixo de quase o dobro do que ganhava antes, passou a contar com benefícios como plano de saúde, plano odontológico e vale-alimentação.

Mais do que o aumento da renda, a mudança trouxe qualidade de vida. “Hoje trabalho em home office. Posso acompanhar o crescimento dos meus filhos e estar presente na rotina deles. Isso não tem preço. Me sinto realizada”.

Kamila afirma que a transformação vai muito além da carreira. “Graças à Escola da Nuvem eu consegui mudar de vida. Hoje tenho uma profissão com perspectivas de crescimento e acredito que muitas outras pessoas podem viver essa mesma transformação”.

A trajetória da profissional reforça um movimento cada vez mais presente no mercado brasileiro: a tecnologia como instrumento de inclusão social e mobilidade econômica. Segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV), encomendada pelo Fantástico com base em dados do IBGE, mais de 41 milhões de domicílios brasileiros têm mulheres como principais provedoras da família. Grande parte delas atua na informalidade e recebe salários inferiores aos dos homens, mesmo desempenhando funções equivalentes.

De acordo com o relatório “Perspectivas do Mercado de Trabalho do Macrossetor TIC” realizado pela Brasscom, as mulheres representaram 17,9% dos formandos nos cursos de TIC em 2023, um total de 16.066 profissionais. O número representa um aumento de 41,7% em relação ao ano de 2022, quando 11.340 mulheres concluíram a formação em cursos na área de tecnologia.

Criada para ampliar o acesso à tecnologia, a Escola da Nuvem já formou mais 3.577 mulheres cis e 26 mulheres trans em cursos de tecnologia. Em 2025, a participação feminina nos cursos saltou de 40,8% para 50,3%. Desde a sua fundação, a Organização contribuiu para a empregabilidade de cerca de 4.000 profissionais e formou mais de 8.000 alunos, conectando pessoas em situação de vulnerabilidade social a um dos mercados que mais cresce no país.

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