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Os profissionais que vão crescer nos próximos cinco anos

Por Andressa Aldrighi

O futuro não será apenas de quem entende de tecnologia. Será de quem nunca para de aprender.

Quando falamos sobre as profissões que terão maior espaço nos próximos cinco anos, é comum pensarmos imediatamente em inteligência artificial, programação, dados, cibersegurança, automação e outras áreas ligadas à tecnologia.

E, de fato, essas áreas estão transformando o mercado de trabalho.

Mas existe uma característica que pode ser ainda mais importante do que dominar uma determinada ferramenta ou profissão: a capacidade de aprender continuamente.

Porque existe algo que podemos afirmar com bastante segurança sobre os próximos cinco anos: as tecnologias que serão utilizadas daqui a cinco anos provavelmente serão diferentes das que dominamos hoje.

As ferramentas vão mudar, muitos processos vão surgir, algumas profissões vão se reajustar e outras vão surgir.

E, consequentemente, o profissional que depender exclusivamente do conhecimento que já possui poderá encontrar cada vez mais dificuldade para acompanhar esse movimento.

Por outro lado, quem desenvolve o hábito de aprender, testar, se atualizar e se reinventar constrói uma vantagem que não depende de uma única tecnologia.

Aprender pode se tornar uma das principais competências profissionais do futuro.

O diploma não encerra a aprendizagem, muito pelo contrário, ele é o início de uma grande jornada de um eterno aprendizado

Durante muito tempo, a formação profissional foi vista quase como uma linha de chegada. A pessoa estudava, concluía uma graduação, fazia uma especialização e, então, estava preparada para exercer sua profissão.

Hoje, essa lógica está sendo desafiada, não porque a formação deixou de ser importante, muito pelo contrário, mas porque o conhecimento necessário para exercer uma profissão está mudando em uma velocidade muito maior.

Um profissional formado há alguns anos pode ter aprendido uma série de ferramentas que já foram substituídas.

Um profissional que trabalha com marketing precisa acompanhar novas plataformas, formatos, métricas e comportamentos.

Quem trabalha com administração precisa lidar com novos sistemas, automação, análise de dados e inteligência artificial.

Profissionais de vendas precisam entender novas ferramentas de CRM, automação e comportamento do consumidor.

Até mesmo profissões tradicionalmente pouco associadas à tecnologia estão sendo impactadas pela transformação digital.

Por isso, a formação profissional tende a deixar de ser um evento pontual para se transformar em um processo contínuo.

O profissional que mais cresce é aquele que continua se desenvolvendo

Existe uma diferença importante entre ter experiência e continuar evoluindo depois de adquirir experiência, a experiência traz repertório, mas a capacidade de aprender permite atualizar esse repertório.

É possível ter dez anos de experiência e continuar fazendo a mesma coisa há dez anos.

Também é possível ter poucos anos de carreira, mas demonstrar uma enorme capacidade de evolução.

O segundo profissional pode estar construindo uma trajetória muito mais adaptada ao futuro.

Por isso, talvez uma das perguntas mais importantes que um profissional possa fazer atualmente não seja: “Quanto eu já sei?” mas sim: “O que eu preciso aprender agora?”

Essa mudança de mentalidade faz diferença, pois aprender não significa fazer dezenas de cursos. Existe também um equívoco quando falamos em desenvolvimento profissional.

Muitas pessoas associam aprendizagem exclusivamente a cursos, certificados e diplomas.

Eles são importantes, mas não são a única forma de aprender.

É possível aprender, observando profissionais mais experientes, participando de projetos, testando novas ferramentas, lendo, ouvindo pessoas de outras áreas, participando de eventos, conversando com clientes, recebendo feedback, errando e corrigindo, e principalmente, resolvendo problemas reais.

Em muitos casos, o aprendizado mais valioso acontece justamente quando precisamos resolver algo que ainda não sabemos fazer.

E é aí que surge uma característica muito importante para o futuro: a curiosidade profissional, curiosidade que pode ser uma vantagem competitiva. O profissional curioso não espera necessariamente que alguém diga o que precisa aprender, ele pesquisa, pergunta, testa, compara, experimenta e procura entender como as coisas funcionam.

Quando surge uma nova ferramenta, ele quer descobrir o que pode fazer com ela, quando percebe uma dificuldade no trabalho, procura entender como poderia solucioná-la, quando recebe um feedback, tenta identificar o que pode melhorar.

Essa postura cria um ciclo: 

curiosidade → aprendizado → experimentação → experiência → evolução.

E esse ciclo pode se tornar extremamente poderoso em um mercado que muda constantemente.

É aqui que as startups entram nessa conversa!

Talvez nenhum ambiente represente tão bem essa lógica quanto o universo das startups.

Uma startup nasce, geralmente, tentando resolver um problema, mas, no início, quase nada está completamente definido. O produto pode mudar, o modelo de negócio pode mudar, o público pode mudar, o preço pode mudar e a estratégia pode mudar.

O próprio problema que a empresa acreditava estar resolvendo pode ser reinterpretado depois de ouvir os clientes.

Isso exige uma característica fundamental: capacidade de aprender rapidamente.

O empreendedor precisa conversar com clientes, testar hipóteses, analisar resultados, receber críticas e ajustar a rota.

E o mesmo acontece com quem trabalha dentro dessas empresas.

Em uma startup, é comum que um profissional precise aprender algo novo rapidamente porque o negócio está crescendo ou porque surgiu uma necessidade que não existia algumas semanas antes.

Por isso, startups não são apenas ambientes de inovação tecnológica, elas são principalmente ambientes de aprendizagem acelerada.

O profissional de startup precisa estar disposto a sair da zona de conforto

Em uma empresa muito estruturada, as funções podem ser bastante específicas, já em uma startup, especialmente nos estágios iniciais, as fronteiras podem ser mais flexíveis.

Um profissional de marketing pode participar de uma reunião de produto, uma pessoa de produto na qual pode conversar diretamente com clientes. Um profissional comercial pode ajudar a identificar problemas na experiência do usuário, já um fundador pode participar de vendas, atendimento, estratégia e até testar ferramentas tecnológicas.

Isso exige uma mentalidade diferente, é preciso ter especialização, mas também disposição para entender outras áreas, esse perfil mais multidisciplinar tende a ser cada vez mais relevante.

Um grande exemplo disso é o nosso ecossistema gaúcho.

Um levantamento do Observatório Sebrae Startups publicado em 2026 identificou cerca de 1,3 mil startups no estado. A maior parte está concentrada em estágios iniciais: 36,1% em validação, 27,3% em tração e 18,2% em ideação.

Esses números ajudam a entender uma característica importante desse ambiente: muitas empresas ainda estão descobrindo, testando e ajustando seus modelos.

O levantamento também aponta a presença de polos de inovação em diferentes regiões do estado, incluindo Pelotas, que aparece com 45 startups mapeadas.

Isso significa que a inovação não está restrita às grandes capitais, ecossistemas regionais também estão criando oportunidades para empreendedores e profissionais desenvolverem novas competências. E, nesse contexto, participar de comunidades, eventos, programas de aceleração, incubadoras, hubs e iniciativas de inovação pode ser uma forma de aprendizagem tão importante quanto um curso tradicional.

A carreira pode ser construída em ciclos, talvez precisemos mudar a forma como pensamos em carreira

Em vez de imaginar, estudar, conseguir emprego, trabalhar e se aposentar, podemos pensar em aprender, aplicar, experimentar, evoluir e aprender novamente.

Isso não significa trocar de profissão constantemente, significa atualizar constantemente a forma de exercer a profissão.

Um administrador pode continuar sendo administrador, mas incorporar análise de dados e inteligência artificial, um jornalista pode continuar sendo jornalista, mas dominar novas ferramentas de produção e distribuição, um vendedor pode continuar vendendo, mas utilizar automação, CRM e inteligência artificial, um designer pode continuar criando, mas incorporar novas ferramentas de geração e prototipação.

A profissão permanece, mas a forma de trabalhar evolui, e a inteligência artificial torna isso ainda mais evidente

A inteligência artificial está acelerando esse processo, e talvez a pergunta mais útil agora não seja apenas quais profissões serão substituídas, mas quais profissionais estarão preparados para trabalhar com as novas ferramentas que surgirem.

O futuro do trabalho provavelmente não será definido apenas por quem conhece a tecnologia mais recente, mas por quem consegue aprender a utilizá-la, questioná-la e incorporá-la à sua profissão.

Por isso, mais do que escolher hoje qual será a profissão do futuro, talvez seja necessário desenvolver a capacidade de continuar aprendendo ao longo da carreira.

Porque as ferramentas vão mudar. Os mercados vão mudar. As profissões vão mudar.

E aqueles que aprenderem a mudar junto com elas estarão mais preparados para construir as oportunidades que ainda nem conseguimos imaginar.

Andressa Aldrighi

Empreendedora, mentora de startups e especialista em inovação e tecnologia, atua no desenvolvimento de negócios em fase inicial com foco em estruturação, validação e crescimento. É fundadora de startups e trabalha na criação de soluções digitais, com experiência em plataformas, modelos de negócio baseados em tecnologia e conexão de mercados. Como mentora, apoia empreendedores na transformação de ideias em produtos e soluções escaláveis, contribuindo para o fortalecimento do ecossistema de inovação

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