IA & InovaçãoNews
Tendência

Aneel autoriza Scala AI City a se conectar à rede elétrica no RS; primeira etapa terá demanda de 120 MW

Autorização abre caminho para a conexão do megacomplexo de data centers de Eldorado do Sul à Rede Básica do Sistema Interligado Nacional. O planejamento analisado pelo ONS prevê energização em janeiro de 2028 e demanda inicial de 120 MW, enquanto o projeto de longo prazo da Scala prevê expansão para vários gigawatts destinados principalmente a cargas de inteligência artificial.

Um dos maiores projetos de infraestrutura digital planejados para o Brasil acaba de superar uma etapa fundamental: garantir acesso à rede de transmissão de energia elétrica.

A Agência Nacional de Energia Elétrica — Aneel — autorizou a Scala Data Centers a conectar a Scala AI City, projetada para Eldorado do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, à Rede Básica do Sistema Interligado Nacional — SIN.

A decisão consta do Despacho nº 3.506, de 3 de setembro de 2026, publicado no Diário Oficial da União em 10 de setembro. O parecer de acesso elaborado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico — ONS — trabalha com a entrada da instalação em janeiro de 2028, inicialmente com demanda de 120 megawatts.

Esse número é importante porque representa apenas a configuração inicial analisada para a conexão.

O projeto completo da Scala é muito maior.

A conexão será feita diretamente na Rede Básica

O AI City não dependerá simplesmente da rede convencional de distribuição utilizada por residências e pequenos estabelecimentos.

A conexão prevista ocorrerá em uma linha de transmissão de:

525 quilovolts — 525 kV.

O acesso será realizado por meio do seccionamento do circuito 1 da linha:

Guaíba 3–Nova Santa Rita.

A infraestrutura pertence à Axia Energia, antiga CGT Eletrosul.

Na prática, parte da linha existente será aberta para permitir que a futura subestação do empreendimento seja inserida no sistema elétrico.

Serão aproximadamente 3,34 quilômetros de nova transmissão

O projeto técnico prevê um trecho em circuito duplo com aproximadamente:

3,34 km

entre o ponto onde a linha Guaíba 3–Nova Santa Rita será seccionada e a futura subestação:

Scala AI City.

A partir dela, instalações de uso exclusivo levarão a energia até uma segunda subestação, responsável por reduzir a tensão de:

525 kV para 34,5 kV.

Essa redução é necessária porque a energia chega pela Rede Básica em altíssima tensão, adequada para transmissão a grandes distâncias, mas precisa ser transformada para níveis compatíveis com a infraestrutura interna do campus.

Dois transformadores estarão prontos desde a energização

Na configuração inicial estudada, dois transformadores estarão disponíveis desde o começo:

um em operação principal;

outro energizado como reserva.

Segundo a documentação analisada, esse desenho é suficiente para suportar os:

120 MW previstos para 2028.

A redundância é particularmente importante para data centers.

Uma instalação desse tipo não pode depender de uma arquitetura elétrica semelhante à de um prédio convencional.

Ela precisa lidar com:

falhas;

manutenções;

oscilações;

contingências

sem provocar interrupções relevantes nos servidores.

O ONS concluiu que a entrada do data center é tecnicamente possível

O parecer do Operador Nacional do Sistema Elétrico avaliou como a nova carga afetaria o sistema de transmissão regional.

A conclusão foi de que, nas condições consideradas, a entrada de 120 MW em janeiro de 2028 preserva os limites técnicos de:

tensão

e:

carregamento

das linhas e equipamentos da região.

A análise incluiu tanto a situação normal de operação quanto cenários de:

contingência simples.

Isso não significa que qualquer expansão futura do AI City esteja automaticamente autorizada.

O parecer atual corresponde ao cenário efetivamente estudado.

E essa distinção é fundamental

A Scala apresenta o AI City como um complexo que poderá alcançar vários gigawatts de capacidade no longo prazo.

Mas:

120 MW autorizados para a conexão inicial não significam autorização automática para 5 GW.

Cada grande expansão depende de:

capacidade disponível;

novos estudos;

infraestrutura;

transmissão;

regulação;

licenciamento.

O próprio Ministério de Minas e Energia já havia reconhecido, em 2025, uma alternativa de acesso do projeto à Rede Básica como compatível com o planejamento da expansão elétrica. O MME mencionou um planejamento de 1,8 GW de demanda até 2033 e um potencial posterior de até 5 GW, ressaltando que o patamar maior exigiria novos estudos da Empresa de Pesquisa Energética e demais etapas do setor elétrico.

120 MW já representam uma carga muito grande

Para entender o porte, um data center moderno de inteligência artificial pode consumir uma quantidade de eletricidade muito superior à de instalações tradicionais de TI.

Os principais responsáveis são:

GPUs;

aceleradores;

servidores de alta densidade;

equipamentos de rede;

refrigeração;

bombas;

UPS;

sistemas elétricos auxiliares.

A IA está transformando data centers em verdadeiras:

cargas industriais de energia.

E 120 MW são apenas a primeira etapa elétrica analisada

Segundo o cronograma levado ao ONS, a Scala pretende manter demanda de:

120 MW durante todo o ano de 2028,

tanto nos horários de ponta quanto fora deles.

Esse detalhe é relevante porque data centers funcionam de forma diferente de muitos consumidores.

Uma indústria pode reduzir produção durante determinados horários.

Um shopping possui forte variação entre dia e madrugada.

Um data center de IA pode operar:

24 horas por dia.

Servidores não dormem à noite

Treinamento de inteligência artificial pode continuar:

durante a madrugada;

finais de semana;

feriados.

Inferência também acontece continuamente conforme usuários utilizam:

chatbots;

sistemas corporativos;

aplicativos;

serviços de nuvem.

Por isso, data centers podem apresentar uma curva de consumo muito mais constante do que outras atividades econômicas.

Para o sistema elétrico, não importa apenas:

quanto será o pico.

Importa também:

por quanto tempo aquela carga permanecerá elevada.

O empreendimento terá que monitorar qualidade de energia

O parecer estabelece exigências técnicas adicionais.

A Scala deverá revisar o estudo de:

distorção harmônica de tensão.

A razão é que a análise anterior utilizou medições de um modelo de equipamento diferente daquele que será efetivamente instalado no empreendimento.

Um dos componentes relevantes são os sistemas:

UPS — Uninterruptible Power Supply.

UPS mantém servidores funcionando durante problemas elétricos

Uma UPS atua como uma camada intermediária entre:

rede elétrica;

servidores.

Em caso de:

queda;

oscilação;

falha temporária,

ela ajuda a manter os equipamentos energizados enquanto outros sistemas, como geradores ou fontes alternativas, assumem.

Mas grandes equipamentos eletrônicos também podem provocar efeitos sobre a:

qualidade da energia.

Por isso, o ONS exige estudos específicos.

Scala terá que medir a qualidade antes e depois da conexão

A empresa deverá fazer medições:

antes da entrada em operação;

depois da energização.

Além disso, haverá:

monitoramento contínuo.

Os resultados deverão ser encaminhados ao ONS:

a cada seis meses.

Isso permite verificar se a operação real corresponde ao comportamento previsto nos estudos.

Parte da infraestrutura poderá passar para a Axia Energia

Outro detalhe importante da autorização envolve os ativos utilizados para seccionar a linha.

Caso a própria Scala execute determinadas instalações relacionadas à intervenção, elementos como:

barramentos;

entradas;

extensões de linha

deverão ser transferidos à Axia Energia:

sem indenização.

Depois disso, passam a fazer parte da concessão de transmissão e da própria:

Rede Básica.

O contrato com o ONS já foi assinado

Antes de pedir formalmente a autorização à Aneel, a Scala avançou em outra etapa decisiva.

O Contrato de Uso do Sistema de Transmissão — CUST foi assinado com o ONS em:

7 de agosto de 2026.

A solicitação à Aneel foi protocolada em:

12 de agosto.

Poucas semanas depois veio o Despacho nº 3.506.

Essa sequência demonstra o avanço do projeto pela complexa cadeia necessária para conectar uma carga desse porte ao sistema elétrico brasileiro.

O projeto já havia enfrentado uma disputa regulatória

A trajetória até o CUST não foi totalmente linear.

Em maio de 2026, a Aneel indeferiu pedidos cautelares apresentados pela Scala relacionados às regras para acesso à Rede Básica nos projetos de:

Jundiaí

e:

Scala AI City em Eldorado do Sul.

A empresa buscava preservar condições associadas aos pareceres de acesso enquanto eram analisadas questões regulatórias ligadas à contratação do uso do sistema de transmissão. A decisão consta do Despacho nº 1.618, de maio de 2026.

Agora, com o CUST assinado e a nova autorização, a conexão de 120 MW avança formalmente.

Mas autorização elétrica não significa que o data center esteja pronto para operar

Essa distinção também é importante.

O empreendimento ainda depende de outras etapas.

Entre elas:

licenciamento ambiental;

licenciamento urbanístico;

acessos viários;

obras civis;

subestações;

data centers;

conectividade;

instalação de equipamentos.

A empresa vinha conduzindo os processos de licenciamento ao longo de 2026. Em julho, a previsão divulgada pela Scala era de início das operações entre o fim de 2028 e o começo de 2029, dependendo da evolução dessas etapas.

Portanto, o janeiro de 2028 presente no parecer elétrico deve ser entendido como:

previsão de disponibilidade/conexão considerada no planejamento do sistema, não garantia de que todo o complexo comercial estará operando naquela data.

O AI City nasceu com uma ambição muito maior

O projeto foi anunciado como uma verdadeira:

“cidade de data centers”.

A área fica em Eldorado do Sul, próxima à infraestrutura elétrica de alta tensão.

O investimento inicialmente divulgado para a primeira fase é de aproximadamente:

R$ 3 bilhões.

Em estimativas anteriores, a companhia afirmou que a implantação inicial poderia gerar cerca de:

3 mil empregos diretos e indiretos.

Esses números são projeções divulgadas para o projeto e não devem ser confundidos com empregos já criados ou investimentos integralmente realizados.

O potencial de 5 GW mostra uma dimensão completamente diferente

O planejamento de longo prazo divulgado para o campus chegou a mencionar:

até 5 GW.

Para comparação técnica, o próprio Ministério de Minas e Energia afirmou em 2025 que, caso o projeto alcançasse todo esse potencial, sua demanda poderia corresponder a aproximadamente:

20% da carga máxima então registrada na Região Sul do Brasil.

Esse número ajuda a mostrar a dimensão do desafio energético.

Não estamos falando apenas de:

construir prédios com servidores.

Estamos falando de:

planejamento do sistema elétrico.

Um campus de vários gigawatts muda a escala da discussão

5 GW equivalem a:

5.000 MW.

Compare com a primeira etapa:

120 MW.

O potencial completo seria mais de:

40 vezes maior

do que a demanda inicial analisada para 2028.

Por isso, não seria tecnicamente correto interpretar a autorização atual como uma aprovação para todo o projeto de 5 GW.

Ela representa:

um primeiro degrau.

A chegada da IA mudou o mercado de data centers

Durante anos, data centers foram construídos principalmente para:

hospedagem;

cloud;

sites;

bancos de dados;

sistemas corporativos.

A inteligência artificial mudou brutalmente a densidade computacional necessária.

Um rack convencional podia trabalhar com:

poucos quilowatts.

Racks modernos para IA podem superar:

100 kW

e, em algumas arquiteturas, chegar ainda mais alto.

A Scala apresenta o AI City justamente como uma infraestrutura preparada para cargas de alta densidade, incluindo sistemas de:

resfriamento líquido.

Resfriamento líquido tornou-se estratégico

GPUs de alta performance geram enorme quantidade de calor.

Quanto mais potência é concentrada em um único rack:

mais difícil fica remover esse calor apenas com ar.

Por isso, novos data centers voltados para IA adotam sistemas em que líquidos circulam próximos:

aos chips;

às placas;

aos servidores.

Isso permite elevar:

a densidade computacional por metro quadrado.

Mas também aumenta a complexidade de:

projeto;

operação;

manutenção.

Energia não é suficiente sem conectividade

Um megadata center precisa de outra infraestrutura essencial:

telecomunicações.

Em julho, a Eletronet foi anunciada como primeira provedora de conectividade do AI City e pretende instalar um:

Ponto de Presença — PoP

dentro do empreendimento.

A arquitetura foi apresentada como neutra, permitindo integração com diferentes redes e rotas nacionais e internacionais.

Isso é particularmente importante para workloads de IA e cloud.

Um data center pode ter energia e mesmo assim ser pouco competitivo

Se os dados precisam viajar por rotas:

longas;

caras;

sem redundância;

com alta latência,

a infraestrutura perde atratividade.

Grandes clientes exigem múltiplas opções de:

fibra;

operadoras;

rotas;

interconexão.

Por isso, energia e telecom caminham juntas.

Rio Grande do Sul pode ganhar uma nova categoria de infraestrutura

Historicamente, grandes concentrações de data centers brasileiros foram atraídas principalmente para:

São Paulo;

Barueri;

Santana de Parnaíba;

Campinas;

Rio de Janeiro.

A implantação de um campus de grande escala em Eldorado do Sul pode ampliar a presença desse tipo de infraestrutura no Sul do país.

Mas a execução precisa acompanhar:

as autorizações;

o licenciamento;

a demanda comercial;

a expansão elétrica.

A proximidade da transmissão é um dos ativos do projeto

Grandes data centers muitas vezes enfrentam um problema aparentemente simples:

não existe energia suficiente perto do terreno.

Construir longas linhas de transmissão pode adicionar:

anos;

custos;

licenciamento;

complexidade.

A Scala escolheu a região justamente considerando a proximidade com infraestrutura energética relevante.

Agora a autorização para seccionar a linha de 525 kV transforma essa vantagem geográfica em:

um caminho técnico formal de conexão.

O Brasil enfrenta uma corrida para receber data centers de IA

O anúncio acontece em um momento em que a infraestrutura de inteligência artificial virou tema central do setor tecnológico.

Empresas globais estão buscando locais com:

energia;

fibra;

terreno;

água ou soluções eficientes de refrigeração;

segurança energética;

conectividade internacional.

A disponibilidade de eletricidade passou a ser uma das principais limitações para expansão mundial de IA.

O desafio é evitar confundir anúncio com capacidade instalada

Projetos de data centers frequentemente divulgam números como:

1 GW;

2 GW;

5 GW.

Esses valores normalmente representam:

capacidade planejada ou potencial de desenvolvimento.

Não significam necessariamente que:

essa carga existe hoje;

todos os prédios estão contratados;

todos os clientes já foram definidos;

toda a infraestrutura recebeu autorização.

No caso da Scala AI City, o avanço concreto agora é:

120 MW de conexão previstos no parecer do ONS para a primeira etapa.

E esse avanço é significativo

O empreendimento já possui:

alternativa reconhecida pelo planejamento energético;

Contrato de Uso do Sistema de Transmissão;

autorização da Aneel para acesso;

definição técnica do ponto de conexão.

Essas são etapas essenciais para qualquer consumidor de altíssima potência.

Sem elas:

não existe AI City em grande escala.

A próxima corrida será para transformar megawatts autorizados em servidores operando

Agora será preciso construir:

subestação;

linhas;

salas;

sistemas de refrigeração;

redundância;

rede de telecom;

infraestrutura interna.

E, finalmente:

encher os prédios com capacidade computacional.

É nessa última parte que entram:

GPUs;

CPUs;

aceleradores;

storage;

switches;

servidores.

Em data centers de IA, o investimento tecnológico colocado pelos clientes pode superar em muito:

o custo da própria construção civil.

O projeto mostra como IA e setor elétrico passaram a falar a mesma língua

Até poucos anos atrás, notícias sobre inteligência artificial normalmente envolviam:

algoritmos;

modelos;

software;

startups.

Agora elas envolvem:

525 kV;

subestações;

transformadores;

gigawatts;

linhas de transmissão.

Isso resume uma das maiores mudanças provocadas pela IA.

A inteligência artificial continua sendo software.

Mas para rodar em grande escala ela depende cada vez mais de:

infraestrutura pesada.

E a decisão da Aneel sobre a Scala AI City deixa essa realidade particularmente clara no Rio Grande do Sul.

O empreendimento ainda tem um longo caminho até alcançar a escala anunciada para o futuro.

Mas uma das perguntas mais importantes para qualquer data center de inteligência artificial acaba de receber uma resposta concreta:

de onde virá a energia da primeira etapa.

A resposta é a Rede Básica brasileira, por uma conexão de 525 kV, com demanda inicial de 120 MW prevista para 2028.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo