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Snowflake acelera 37% em receita de produtos e transforma IA em novo motor de crescimento

Companhia alcançou US$ 1,49 bilhão em receita de produtos no segundo trimestre fiscal de 2027 e elevou projeções para o ano. Assistente de programação CoCo já está presente em mais de 9,1 mil contas, enquanto executivos afirmam que a inteligência artificial responde por cerca de metade da recente aceleração do negócio.

A corrida corporativa pela inteligência artificial começa a produzir resultados concretos para empresas que fornecem a infraestrutura necessária para colocar agentes, modelos e dados para trabalhar juntos.

A Snowflake encerrou seu segundo trimestre fiscal de 2027, terminado em 31 de julho de 2026, com US$ 1,49 bilhão em receita de produtos, avanço de 37% na comparação anual.

A receita total chegou a US$ 1,55 bilhão, crescimento de 35% sobre o mesmo período do ano anterior.

Os resultados superaram as expectativas do mercado e levaram a companhia a elevar sua projeção de receita de produtos para todo o exercício fiscal.

Mas existe um detalhe particularmente importante por trás dos números: a inteligência artificial deixou de representar apenas uma promessa dentro da estratégia da Snowflake e começou a aumentar efetivamente o consumo de sua plataforma.

CoCo ultrapassa 9,1 mil contas

Um dos produtos que melhor demonstram essa transformação é o CoCo, assistente de programação e engenharia de dados baseado em inteligência artificial.

A ferramenta ultrapassou 9,1 mil contas no trimestre.

Mais de 2 mil foram adicionadas somente durante os três meses encerrados em julho.

A velocidade da adoção chama atenção porque o CoCo não funciona apenas como um chatbot genérico para programadores.

A proposta é permitir que profissionais interajam com dados e executem tarefas dentro do ecossistema Snowflake utilizando linguagem natural.

IA começa a trazer novos usuários para a plataforma

Esse é um ponto importante da estratégia.

Historicamente, plataformas de dados corporativos eram utilizadas principalmente por profissionais especializados.

Engenheiros de dados.

Analistas.

Desenvolvedores.

Administradores de bancos de dados.

A inteligência artificial começa a reduzir essa barreira.

Em vez de exigir que todo usuário domine linguagens, consultas e ferramentas especializadas, interfaces conversacionais permitem transformar pedidos escritos em linguagem natural em operações técnicas.

Isso amplia o universo potencial de pessoas capazes de utilizar a plataforma.

CoWork também cresce

O CoCo não está sozinho.

O CoWork, outra ferramenta de IA da Snowflake voltada à interação com informações empresariais, chegou a aproximadamente 5,8 mil contas, crescimento próximo de 11% em relação ao trimestre anterior.

Os dois produtos fazem parte de uma estratégia mais ampla da empresa para transformar sua plataforma de dados em uma base operacional para agentes de inteligência artificial.

A ideia é que empresas não utilizem IA apenas para responder perguntas, mas para trabalhar diretamente sobre seus próprios dados corporativos.

IA respondeu por cerca de metade da aceleração recente

O CEO da Snowflake, Sridhar Ramaswamy, atribuiu aproximadamente metade da recente aceleração do crescimento da companhia à inteligência artificial.

Isso não significa que metade dos US$ 1,49 bilhão de receita de produtos tenha vindo diretamente do CoCo ou de outros produtos de IA.

Essa distinção é fundamental.

A Snowflake não divulgou quanto o CoCo gera individualmente em receita.

O efeito da IA aparece também de maneira indireta.

Quem utiliza IA passa a consumir mais Snowflake

Segundo a companhia, contas que adotam produtos como CoCo e CoWork tendem a aumentar também o consumo da plataforma principal.

Esse comportamento cria o que a administração chama de um efeito de flywheel, ou ciclo de retroalimentação.

A empresa começa utilizando Snowflake para armazenar e processar dados.

Depois adiciona inteligência artificial.

A IA cria novos casos de uso.

Novos funcionários começam a acessar os dados.

Mais consultas são executadas.

Mais processamento é necessário.

E o consumo da infraestrutura aumenta.

Para uma empresa cujo modelo comercial está fortemente relacionado ao consumo da plataforma, essa dinâmica pode ter impacto direto na receita.

Modelo de consumo torna adoção especialmente importante

Esse é um dos aspectos que diferenciam a Snowflake de empresas tradicionais de software por assinatura.

Em muitos serviços SaaS, uma empresa compra determinado número de licenças e paga uma mensalidade relativamente previsível.

Na Snowflake, uma parcela importante da receita depende do volume efetivamente consumido pelos clientes.

Quanto mais processamento, armazenamento e serviços são utilizados, maior pode ser a receita.

Por isso, ferramentas de IA capazes de gerar novas cargas de trabalho possuem importância financeira muito maior do que simplesmente adicionar uma nova funcionalidade ao produto.

Receita total chegou a US$ 1,55 bilhão

Os resultados financeiros reforçam essa aceleração.

A receita total trimestral alcançou US$ 1,55 bilhão, contra aproximadamente US$ 1,48 bilhão esperado pelo mercado.

A receita de produtos, principal indicador acompanhado pelos investidores, ficou em US$ 1,49 bilhão, também acima das expectativas, que estavam próximas de US$ 1,42 bilhão.

O lucro ajustado por ação chegou a US$ 0,62, enquanto analistas esperavam aproximadamente US$ 0,45.

Crescimento acelerou pelo terceiro trimestre consecutivo

Existe outro indicador importante.

O segundo trimestre fiscal marcou o terceiro trimestre consecutivo de aceleração do crescimento da receita de produtos.

Isso é especialmente relevante porque a Snowflake já opera em escala bilionária.

Crescer rapidamente quando uma empresa possui receita pequena é relativamente mais simples.

Manter aceleração acima de 30% quando a receita trimestral de produtos se aproxima de US$ 1,5 bilhão exige adicionar centenas de milhões de dólares em consumo.

Previsão anual sobe para US$ 6,07 bilhões

A confiança da administração aumentou depois dos resultados.

A Snowflake elevou sua projeção de receita de produtos para o ano fiscal de 2027 de aproximadamente US$ 5,84 bilhões para US$ 6,07 bilhões.

Isso representaria crescimento anual próximo de 36%.

Para o próximo trimestre, a empresa espera aproximadamente US$ 1,59 bilhão em receita de produtos, o que indicaria uma expansão ao redor de 38% sobre o mesmo período do ano anterior.

Se confirmado, o ritmo continuaria acelerando.

Mercado reagiu imediatamente

Os investidores receberam os resultados com entusiasmo.

As ações da Snowflake chegaram a avançar mais de 20% nas negociações posteriores à divulgação do balanço e fecharam a sessão seguinte com alta expressiva.

A reação não ocorreu apenas porque a companhia superou as estimativas.

O mercado está tentando responder a uma questão maior:

a inteligência artificial realmente aumentará a receita das empresas tradicionais de software ou acabará substituindo parte delas?

No caso da Snowflake, os resultados oferecem evidências favoráveis à primeira hipótese.

IA não está destruindo o negócio principal

Nos últimos anos, investidores começaram a questionar se agentes de IA poderiam enfraquecer o modelo tradicional de software corporativo.

Se uma inteligência artificial consegue operar sistemas por linguagem natural, empresas ainda precisarão comprar tantas interfaces e aplicações?

Essa discussão provocou volatilidade em diferentes companhias de software.

A Snowflake apresenta uma tese diferente.

Quanto mais IA uma empresa utiliza, mais dados precisam estar organizados, governados e disponíveis para os modelos.

É justamente nessa camada que a companhia quer se posicionar.

Sem dados organizados, agente corporativo tem pouco valor

Um agente pode ser extremamente inteligente.

Mas se não consegue acessar os dados corretos de uma empresa, sua utilidade é limitada.

Imagine um agente financeiro.

Para responder corretamente, ele precisa consultar:

faturamento;

contratos;

estoque;

histórico de clientes;

pagamentos;

projeções;

dados contábeis.

Essas informações frequentemente estão espalhadas entre diferentes sistemas.

A Snowflake quer funcionar como uma camada capaz de organizar e disponibilizar esses dados para humanos e agentes.

CoCo tenta transformar linguagem natural em interface de dados

É nesse cenário que o CoCo ganha importância.

Em vez de exigir que um funcionário escreva comandos complexos, a ferramenta permite utilizar linguagem natural para executar diferentes tarefas.

Isso reduz a distância entre uma pergunta de negócio e a infraestrutura técnica necessária para respondê-la.

Quanto mais simples se torna acessar os dados, maior tende a ser o número de usuários.

E quanto mais usuários, maior pode ser o consumo.

1Password está entre os clientes citados

A Snowflake destacou a adoção do CoCo pela 1Password.

Segundo a companhia, a ferramenta ajudou equipes a transferir pipelines de dados para a plataforma e preparar uma base destinada a novas cargas de inteligência artificial.

Outro exemplo apresentado foi o Indeed, que utiliza CoCo e CoWork em suas equipes de dados.

Esses casos são apresentados pela própria Snowflake como exemplos comerciais e não devem ser interpretados como comprovação independente de ganhos específicos de produtividade.

IA corporativa começa pelos dados

A explosão dos chatbots popularizou a ideia de que a corrida da inteligência artificial acontece principalmente entre modelos.

Mas dentro das empresas existe outra competição igualmente importante.

Quem controla os dados que alimentam esses modelos?

É nesse mercado que Snowflake, Databricks e grandes provedores de nuvem disputam espaço.

A empresa que se tornar a principal camada entre dados corporativos e agentes de IA poderá ocupar uma posição estratégica na próxima geração de software empresarial.

Mais de 14,5 mil clientes utilizam Snowflake

A companhia encerrou o período com aproximadamente 14.554 clientes.

Durante o trimestre, foram adicionados 692 novos clientes líquidos.

Entre eles, 14 pertencem ao grupo Forbes Global 2000.

A Snowflake também possui 829 clientes integrantes do Forbes Global 2000, indicador utilizado para acompanhar sua penetração entre grandes organizações.

Grandes clientes continuam aumentando

Outro indicador relevante está entre empresas que gastam grandes quantias na plataforma.

A Snowflake terminou o trimestre com 828 clientes gerando mais de US$ 1 milhão em receita de produtos nos últimos 12 meses.

O número representa crescimento de aproximadamente 27% em relação ao ano anterior.

Além disso, dezenas de organizações já ultrapassam US$ 10 milhões em consumo anual.

Esses números ajudam a demonstrar por que a expansão da IA dentro das contas existentes é tão importante.

IA pode aumentar receita sem conquistar um novo cliente

Imagine uma grande empresa que já utiliza Snowflake.

A companhia não precisa conquistar esse cliente novamente.

Se ele começa a utilizar CoCo, cria agentes, adiciona departamentos e aumenta o processamento, o consumo cresce dentro da mesma conta.

Esse modelo de expansão é particularmente atraente porque reduz a dependência de conquistar continuamente novos clientes.

A inteligência artificial pode funcionar como uma ferramenta de upsell baseada em consumo.

Snowflake Intelligence amplia estratégia

Além do CoCo e CoWork, a empresa vem construindo uma família maior de produtos relacionados à inteligência artificial.

Snowflake Intelligence procura permitir que usuários corporativos conversem diretamente com seus dados e obtenham análises utilizando linguagem natural.

A companhia também apresentou tecnologias destinadas a conectar modelos, agentes e informações empresariais.

O objetivo é claro:

fazer com que a plataforma deixe de ser percebida apenas como um lugar onde dados ficam armazenados.

De data warehouse para “AI Data Cloud”

A própria comunicação corporativa demonstra essa mudança.

Durante anos, Snowflake foi conhecida principalmente por seu data warehouse em nuvem.

Depois passou a utilizar o conceito de Data Cloud.

Agora se apresenta como uma AI Data Cloud.

Não é apenas uma mudança de marketing.

Ela representa uma tentativa de ocupar uma camada muito mais valiosa da infraestrutura empresarial.

Armazenar dados é importante.

Permitir que milhares de agentes utilizem esses dados pode ser muito mais lucrativo.

Mais de 330 recursos chegaram ao mercado em seis meses

A velocidade de desenvolvimento também aumentou.

A Snowflake afirma ter colocado mais de 330 recursos em disponibilidade geral durante o primeiro semestre fiscal de 2027, crescimento de aproximadamente 35% em relação ao ano anterior.

Entre os lançamentos estão tecnologias relacionadas a contexto empresarial e gateways para utilização de modelos e agentes.

Essa velocidade reflete uma característica da corrida atual da IA.

Empresas não podem esperar ciclos tradicionais de desenvolvimento de software de vários anos.

Parceria com AWS chega a US$ 6 bilhões

Outro elemento importante da estratégia é a infraestrutura.

Snowflake mantém uma relação profunda com os grandes provedores de nuvem e recentemente ampliou seu compromisso com a Amazon Web Services.

As empresas estabeleceram um acordo de aproximadamente US$ 6 bilhões ao longo de cinco anos.

A parceria envolve utilização de infraestrutura da AWS, incluindo tecnologias de processamento e recursos destinados a cargas de inteligência artificial.

Esse acordo mostra a escala computacional necessária para sustentar a expansão.

IA gera receita, mas também custa caro

Existe um contraponto importante.

Modelos de inteligência artificial exigem processamento intensivo.

GPUs e outros aceleradores são caros.

Inferência custa dinheiro.

Quanto mais clientes utilizam IA, maior também pode ser o custo computacional.

Portanto, não basta aumentar receita.

A Snowflake precisa garantir que o crescimento da utilização seja economicamente sustentável.

Margens mostram que desafio está sendo administrado

No trimestre, a margem bruta ajustada de produtos ficou próxima de 74,7%.

A margem operacional ajustada chegou a aproximadamente 15,3%.

A administração também elevou sua expectativa de margem operacional ajustada para o exercício fiscal.

Esse é um sinal importante porque demonstra que, pelo menos até agora, a expansão das cargas de IA não está impedindo a companhia de melhorar eficiência operacional.

Mercado começa a cobrar monetização real da IA

A fase inicial da inteligência artificial generativa foi dominada por anúncios.

Empresas acrescentavam “AI” aos produtos.

Criavam copilotos.

Apresentavam demonstrações.

Prometiam produtividade.

Agora os investidores querem números.

Quantos clientes utilizam?

Quanto consomem?

Quanto pagam?

Aumentam o gasto depois da adoção?

O CoCo começa a oferecer algumas dessas respostas.

Mas Snowflake ainda não revela receita específica do CoCo

Esse cuidado é fundamental para interpretar o balanço.

Sabemos que existem mais de 9,1 mil contas utilizando CoCo.

Sabemos que foram adicionadas mais de 2 mil no trimestre.

Sabemos que a Snowflake observa maior consumo entre contas que utilizam suas ferramentas de IA.

Mas não sabemos quanto dinheiro o CoCo gera diretamente.

A companhia não divulgou essa informação.

Portanto, seria incorreto afirmar que o crescimento de 37% aconteceu exclusivamente por causa do assistente.

Plataforma principal continua essencial

O próprio balanço mostra que o crescimento resulta da combinação entre a plataforma tradicional de dados e a expansão da inteligência artificial.

A IA está funcionando como acelerador.

Não como substituta do negócio anterior.

Essa diferença ajuda a explicar por que os resultados chamaram tanta atenção de Wall Street.

Software empresarial pode estar entrando em nova fase

Durante décadas, software corporativo foi construído ao redor de interfaces.

Menus.

Botões.

Dashboards.

Planilhas.

Formulários.

A inteligência artificial começa a introduzir uma interface completamente diferente: a linguagem natural.

O usuário descreve o que precisa.

O agente descobre como executar.

Se essa mudança se consolidar, plataformas que possuem acesso aos dados e sistemas empresariais podem se tornar ainda mais importantes.

Snowflake quer estar abaixo dos agentes

Essa talvez seja a melhor maneira de compreender a estratégia.

A companhia não precisa necessariamente construir o modelo de IA mais poderoso do mundo.

Ela precisa ser o lugar onde os agentes encontram os dados corporativos necessários para trabalhar.

Isso coloca Snowflake em uma posição potencialmente complementar aos grandes desenvolvedores de modelos.

Empresas poderão utilizar diferentes IAs.

Mas todas continuarão precisando acessar dados confiáveis.

O verdadeiro teste será manter o crescimento

Os resultados do segundo trimestre fiscal de 2027 são fortes.

Receita total de US$ 1,55 bilhão.

Receita de produtos de US$ 1,49 bilhão.

Crescimento de 37%.

Mais de 9,1 mil contas utilizando CoCo.

5,8 mil utilizando CoWork.

Projeção anual elevada para US$ 6,07 bilhões.

Mas o desafio agora aumenta.

Quanto maior fica a base de comparação, mais difícil será continuar crescendo acima de 30%.

A Snowflake terá de provar que a adoção inicial dos agentes se transforma em consumo recorrente e não apenas experimentação.

IA começa a sair do PowerPoint e entrar no balanço

Esse talvez seja o aspecto mais relevante dos números.

Durante três anos, praticamente toda grande empresa de tecnologia apresentou uma estratégia de inteligência artificial.

Agora começa uma segunda fase.

O mercado quer saber quem realmente consegue transformar IA em receita.

No caso da Snowflake, os primeiros sinais são claros: produtos de IA estão atraindo novos usuários, aumentando cargas de trabalho e estimulando o consumo da plataforma principal.

A inteligência artificial começa a deixar de ser apenas uma promessa de crescimento para a Snowflake e passa a aparecer nos indicadores que mais importam para o mercado: clientes, consumo, receita e projeções.

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