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Samsung libera pacote de segurança de setembro com correções para 90 vulnerabilidades em dispositivos Galaxy

Atualização reúne falhas corrigidas pelo Google, Samsung Mobile e Samsung Semiconductor, incluindo brechas críticas capazes de permitir execução remota de código. Pacote também corrige vulnerabilidade de alta gravidade ligada a componentes de semicondutores da companhia.

A Samsung detalhou nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, seu novo pacote mensal de segurança para smartphones e tablets Galaxy, trazendo uma atualização particularmente extensa para os dispositivos da fabricante.

O Security Maintenance Release de setembro de 2026 (SMR-SEP-2026) reúne correções para 90 vulnerabilidades de segurança, considerando problemas tratados pelo Google, Samsung Semiconductor e pela própria divisão Samsung Mobile.

Entre elas existem falhas classificadas como críticas, inclusive vulnerabilidades que poderiam permitir a execução remota de código em determinadas circunstâncias.

A atualização começará a chegar gradualmente aos aparelhos elegíveis. Como normalmente acontece com os pacotes mensais da Samsung, a disponibilidade varia conforme modelo, região, versão do sistema e operadora.

Pacote reúne 90 correções

O conjunto de setembro pode ser dividido em três grandes grupos.

São 58 correções provenientes do boletim de segurança do Android mantido pelo Google, uma correção relacionada à Samsung Semiconductor e 31 itens Samsung Vulnerabilities and Exposures (SVE) tratados diretamente pela fabricante sul-coreana.

Dentro das 58 correções provenientes do Android, 18 são classificadas como críticas e 40 como de alta gravidade.

A vulnerabilidade tratada pela Samsung Semiconductor possui classificação alta.

Já entre os 31 itens SVE da Samsung Mobile, a companhia revelou até agora duas falhas críticas, três de alta gravidade e 15 moderadas. Outros problemas permanecem parcialmente ocultos por motivos de segurança.

Nem todas as vulnerabilidades do Android atingem Galaxy

Existe uma distinção importante.

O boletim geral do Android possui problemas que não necessariamente afetam todos os smartphones do mercado.

A própria Samsung informa que 40 vulnerabilidades presentes no boletim do Google de setembro não são aplicáveis aos dispositivos Galaxy.

Outra falha já havia sido corrigida anteriormente pela fabricante.

Portanto, não seria correto simplesmente somar todas as vulnerabilidades publicadas pelo Google e afirmar que todos os celulares Galaxy estavam vulneráveis a elas.

Duas falhas críticas chamam atenção

Entre os problemas específicos corrigidos pela Samsung estão duas vulnerabilidades particularmente relevantes:

CVE-2026-21095 e CVE-2026-21096.

As duas estão relacionadas a componentes utilizados no processamento de imagens.

A primeira envolve o decodificador de arquivos DNG, enquanto a segunda afeta o processamento de imagens JPEG.

Nos dois casos, o problema está relacionado a estouros de buffer na memória heap.

Arquivo malicioso poderia abrir caminho para execução de código

A gravidade dessas falhas está no cenário de exploração.

Segundo a Samsung, as vulnerabilidades existentes antes do pacote SMR de setembro poderiam permitir que um atacante remoto executasse código arbitrário.

A CVE-2026-21095 afeta o decodificador DNG presente na biblioteca libimagecodec.quram.so.

Já a CVE-2026-21096 está relacionada ao decodificador JPEG da mesma biblioteca.

A correção adiciona ou melhora a validação das informações recebidas pelos componentes.

Android 14, 15, 16 e 17 estão entre as versões afetadas

As duas vulnerabilidades críticas específicas da Samsung afetam aparelhos executando:

Android 14;

Android 15;

Android 16;

e Android 17.

Isso amplia bastante o universo potencial de dispositivos afetados antes da instalação das correções.

Não significa, entretanto, que qualquer aparelho Galaxy com uma dessas versões possa automaticamente ser comprometido.

A exploração depende das condições específicas da vulnerabilidade e dos componentes presentes no dispositivo.

Google Project Zero ajudou a encontrar as falhas

As duas vulnerabilidades críticas foram reportadas de forma privada à Samsung.

Entre os pesquisadores creditados estão Brendon Tiszka e Mateusz Jurczyk, do Google Project Zero.

O fato de as falhas terem sido divulgadas de maneira responsável é relevante.

Permite que a fabricante desenvolva uma correção antes da publicação dos detalhes técnicos necessários para facilitar ataques.

Falha no Wi-Fi também recebeu correção

Outra vulnerabilidade de alta gravidade aparece no wpa_supplicant, componente fundamental para conexões Wi-Fi.

Identificada como CVE-2026-21094, a falha decorre de validação inadequada de entradas e poderia permitir escrita fora dos limites da memória.

Nesse cenário, o atacante precisaria estar em uma posição de proximidade adequada para explorar o problema.

A Samsung adicionou validações para impedir esse comportamento.

Knox Vault também aparece no boletim

Um dos componentes de segurança mais importantes dos aparelhos Galaxy também recebeu correção.

A vulnerabilidade CVE-2026-21104 afeta um trustlet do Knox Vault.

O Knox Vault é uma das camadas utilizadas pela Samsung para proteger informações particularmente sensíveis do dispositivo.

Ele possui arquitetura destinada a isolar elementos como credenciais e chaves criptográficas de outras partes do sistema.

Ataque ao Knox Vault exigiria privilégios locais

A vulnerabilidade consiste em um estouro de buffer baseado em heap.

Segundo a Samsung, um atacante local já privilegiado poderia utilizá-la para executar código arbitrário.

Esse requisito reduz bastante a facilidade de exploração quando comparado a uma falha remota sem autenticação.

Ainda assim, problemas em componentes de alta confiança são importantes porque podem participar de cadeias de exploração, nas quais várias vulnerabilidades são combinadas para aumentar os privilégios de um invasor.

Falhas podem ser encadeadas

Esse conceito é essencial para entender por que vulnerabilidades aparentemente limitadas ainda recebem atenção.

Uma falha que exige acesso local pode parecer pouco perigosa isoladamente.

Mas um atacante pode utilizar outra vulnerabilidade para conseguir a primeira entrada no dispositivo.

Depois, explora uma segunda para elevar privilégios.

Em seguida, uma terceira pode fornecer acesso a informações protegidas.

Essa combinação é conhecida como exploit chain.

É por isso que fabricantes corrigem também vulnerabilidades que, sozinhas, possuem condições relativamente difíceis de exploração.

DualDAR teve problemas corrigidos

O pacote também trata falhas relacionadas ao DualDAR, tecnologia de proteção de dados presente no ecossistema Knox.

Uma delas é a CVE-2026-21101, envolvendo validação inadequada no driver DualDAR.

Em determinadas condições, um atacante local privilegiado poderia potencialmente executar código com privilégios de root.

Outra vulnerabilidade, a CVE-2026-21102, envolve uma condição conhecida como use-after-free.

Também nesse caso existe a possibilidade de execução de código com privilégios elevados quando os pré-requisitos do ataque são atendidos.

Link to Windows também recebeu correção

A integração entre celulares Galaxy e computadores Windows aparece no boletim.

A CVE-2026-21098 afeta o recurso Link to Windows.

Segundo a Samsung, uma falha de controle de acesso poderia permitir que um atacante local estabelecesse conexão com um computador sem a interação adequada do usuário.

A atualização adiciona controles de acesso adicionais para corrigir o problema.

Galaxy Diagnostics apresentava path traversal

Outra correção envolve o Galaxy Diagnostics.

A CVE-2026-21103 é uma vulnerabilidade do tipo path traversal.

Esse tipo de falha ocorre quando um sistema não valida adequadamente caminhos utilizados para acessar arquivos.

No cenário descrito pela Samsung, seria necessário acesso físico ao dispositivo.

Um atacante poderia então tentar acessar arquivos utilizando privilégios do sistema.

A atualização adiciona validações adicionais.

ImsService possuía falha explorável remotamente

Outro problema interessante está no ImsService, componente relacionado aos serviços de comunicação.

A vulnerabilidade CVE-2026-21092 também envolve path traversal.

Nesse caso, entretanto, a Samsung afirma que atacantes remotos poderiam criar arquivos de imagem utilizando privilégios do system server.

A correção implementa validação adicional para impedir caminhos malformados.

SystemUI também entra na lista

A interface central do sistema Galaxy recebeu uma correção de controle de acesso.

A CVE-2026-21100 poderia permitir que um atacante local iniciasse atividades arbitrárias através do SystemUI.

Embora classificada como moderada, a vulnerabilidade mostra como o pacote mensal não se limita a componentes obscuros.

Partes fundamentais da experiência do smartphone também são constantemente analisadas.

Problemas alcançam processamento de mídia

Várias das vulnerabilidades corrigidas estão relacionadas ao processamento de arquivos multimídia.

Existem problemas envolvendo:

imagens DNG;

JPEG;

legendas;

arquivos AVI;

codecs;

e outros componentes.

Isso não é coincidência.

Decodificadores precisam processar dados complexos potencialmente recebidos de fontes externas.

Um arquivo aparentemente simples pode conter estruturas especialmente manipuladas para provocar comportamento inesperado no software.

Samsung Semiconductor corrige vulnerabilidade de alta gravidade

O pacote também incorpora uma correção proveniente da divisão Samsung Semiconductor.

A vulnerabilidade identificada como CVE-2026-48173 recebeu classificação de alta gravidade.

Esse componente do boletim é particularmente relevante para determinados aparelhos que utilizam tecnologias desenvolvidas pela própria Samsung.

Mas há uma nuance importante em relação ao destaque dado ao Exynos.

Atualização não significa que todo Galaxy com Exynos possuía todas as falhas

É incorreto interpretar o boletim como se todas as 90 vulnerabilidades fossem falhas específicas dos processadores Exynos.

A maioria das correções vem do ecossistema Android ou de componentes de software da Samsung.

Existe uma correção proveniente da Samsung Semiconductor dentro desse pacote.

Portanto, manchetes que associem todo o conjunto exclusivamente aos chips Exynos podem transmitir uma impressão errada.

O pacote é muito mais amplo.

Aplicativos Samsung também receberam atualizações

Paralelamente ao pacote de firmware, a Samsung publicou correções relacionadas a diferentes aplicativos e softwares.

Entre os componentes atualizados em setembro aparecem:

Samsung Notes;

Samsung Cloud Assistant;

Bixby Touch;

Collection;

Visual Voicemail;

Samsung Tips;

e componentes ligados a relógios Galaxy.

Essas correções podem chegar através de mecanismos diferentes da atualização principal do firmware.

Samsung Notes tinha vulnerabilidade de memória

A CVE-2026-21107 afeta versões anteriores à 4.4.45.5 do Samsung Notes.

Uma escrita fora dos limites da memória poderia ser provocada por um atacante local.

A versão corrigida adiciona validação adequada dos dados processados.

Embora classificada como moderada, a falha reforça a necessidade de manter também os aplicativos da Samsung atualizados.

Samsung Cloud Assistant também foi corrigido

A CVE-2026-21106 envolve verificação inadequada de intents pelo broadcast receiver do Samsung Cloud Assistant.

Em determinadas condições, um atacante local poderia desativar configurações de proteção avançada de dados.

A versão 9.0.5 corrige o problema com controles de acesso adicionais.

Atualização chegará gradualmente

A Samsung não libera os patches simultaneamente para todos os aparelhos do mundo.

O cronograma depende de diversos fatores.

Modelos topo de linha normalmente aparecem entre os primeiros.

Depois, a atualização avança para outras famílias.

Região e operadora também podem interferir no calendário.

Por isso, dois aparelhos idênticos podem receber o pacote em datas diferentes.

Como verificar a atualização

Usuários de aparelhos Galaxy podem procurar manualmente pelo pacote através de:

Configurações > Atualização de software > Baixar e instalar.

Também é recomendável manter os aplicativos atualizados através da Galaxy Store e Google Play.

Caso o pacote ainda não apareça, isso não significa necessariamente que o dispositivo deixou de ser suportado.

A distribuição pode simplesmente não ter começado naquela região ou variante.

Patch merece prioridade

Atualizações mensais de segurança podem parecer menos interessantes que novas versões da One UI ou novos recursos.

Mas são justamente esses pacotes que fecham caminhos utilizados em ataques reais.

O boletim de setembro inclui vulnerabilidades capazes de permitir execução de código, problemas de memória, falhas de controle de acesso e vulnerabilidades envolvendo componentes privilegiados.

Em dispositivos utilizados para bancos, autenticação, trabalho e armazenamento de informações pessoais, manter o sistema atualizado é uma das medidas de segurança mais simples e importantes.

Não há indicação de exploração ativa das principais falhas Samsung divulgadas

Também é importante evitar alarmismo.

O boletim da Samsung descreve as principais vulnerabilidades específicas como tendo sido reportadas privadamente.

Até a publicação das informações analisadas, a fabricante não indicava que as duas falhas críticas de decodificação de imagens estivessem sendo amplamente exploradas em ataques reais.

Isso não reduz a importância da atualização.

Mas existe uma diferença significativa entre uma vulnerabilidade tecnicamente explorável e uma falha que já esteja sendo utilizada em campanhas ativas.

Pacote de setembro reforça estratégia mensal de segurança

O tamanho da atualização chama atenção: 90 correções de segurança consideradas no pacote destinado ao ecossistema Galaxy.

São 58 correções provenientes do Google, uma da Samsung Semiconductor e 31 itens tratados pela Samsung Mobile.

O número elevado não significa que existam 90 ataques ativos contra smartphones Galaxy.

Significa que a atualização reúne problemas encontrados em diferentes componentes e níveis do sistema.

O ponto mais importante para o usuário é simples.

Quem possui um Galaxy elegível deve instalar o pacote de setembro assim que ele estiver disponível para seu aparelho.

Com smartphones concentrando senhas, contas bancárias, documentos, fotografias, autenticação corporativa e informações pessoais, uma atualização de segurança deixou há muito tempo de ser apenas manutenção de software.

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