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Tecnologia puxa crescimento dos serviços e avança 8,4% no segundo trimestre de 2026

Segmento de informação e comunicação registrou o maior crescimento entre as atividades de serviços acompanhadas pelo IBGE. Setor também acumula alta de 8% no primeiro semestre, desempenho mais de quatro vezes superior ao crescimento da economia brasileira no período.

O setor de tecnologia e comunicação voltou a se destacar na economia brasileira. A atividade de Informação e Comunicação cresceu 8,4% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, apresentando o melhor desempenho entre as atividades de serviços analisadas nas Contas Nacionais Trimestrais.

Os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o segmento avançou em ritmo muito superior ao restante da economia. No mesmo período, o PIB brasileiro cresceu 2%, enquanto o conjunto do setor de Serviços avançou 1,5%.

O desempenho reforça o peso crescente da economia digital no país, impulsionada por áreas como desenvolvimento de software, serviços de tecnologia, infraestrutura digital, telecomunicações, processamento de dados e soluções utilizadas na transformação digital das empresas.

Tecnologia também liderou na comparação trimestral

Na comparação com os primeiros três meses de 2026, considerando os dados com ajuste sazonal, Informação e Comunicação avançou 2,1%.

Novamente, foi o maior crescimento entre as atividades de Serviços.

O resultado ganha ainda mais relevância quando comparado ao desempenho geral da economia. O PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre em relação ao primeiro, enquanto o setor de Serviços avançou apenas 0,2%.

Entre as demais atividades de serviços, Transporte, Armazenagem e Correio avançou 1,1%, enquanto Atividades Imobiliárias cresceram 0,2%. Comércio e Outras Atividades de Serviços permaneceram praticamente estáveis.

Os números mostram que Informação e Comunicação não está apenas acompanhando o crescimento da economia: o segmento está avançando em velocidade significativamente superior.

Setor cresce 8% no primeiro semestre

Quando o período analisado é ampliado para os seis primeiros meses do ano, a diferença permanece expressiva.

A atividade de Informação e Comunicação acumulou crescimento de 8% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025.

Foi novamente o maior avanço entre os segmentos que compõem o setor de Serviços.

No mesmo período, os Serviços cresceram 1,8% e a economia brasileira avançou 1,9%. Agropecuária apresentou crescimento de 3,6%, enquanto a Indústria avançou 1,6%.

Isso significa que Informação e Comunicação cresceu mais de quatro vezes acima do PIB brasileiro no primeiro semestre.

Crescimento também aparece no longo prazo

O desempenho não está restrito aos últimos meses.

No acumulado dos quatro trimestres encerrados em junho, Informação e Comunicação registrou expansão de 7,1%.

Novamente, o resultado ficou bastante acima do crescimento de 1,9% registrado pelo PIB e dos 1,7% observados no conjunto dos Serviços.

Outros segmentos avançaram em ritmo consideravelmente menor.

Atividades Imobiliárias cresceram 2,3%; Atividades Financeiras, Seguros e Serviços Relacionados avançaram 2,2%; e Transporte, Armazenagem e Correio cresceram 2%.

Comércio e o grupo formado por Administração Pública, Defesa, Saúde, Educação e Seguridade Social registraram crescimento de 0,8%.

O resultado coloca tecnologia e comunicação em uma posição bastante diferente dentro da economia brasileira.

PIB brasileiro chega a R$ 3,4 trilhões no trimestre

Entre abril e junho, o Produto Interno Bruto brasileiro alcançou aproximadamente R$ 3,4 trilhões em valores correntes.

Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o crescimento foi de 0,5%.

O resultado representa uma desaceleração em relação ao início do ano. No primeiro trimestre de 2026, a economia havia avançado 1,1% frente aos últimos três meses de 2025.

Mesmo nesse cenário de crescimento mais moderado da atividade econômica, Informação e Comunicação conseguiu manter uma expansão bastante superior à média.

Software também ajuda a movimentar investimentos

O papel da tecnologia aparece em outro indicador importante divulgado pelo IBGE.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede investimentos em máquinas, equipamentos, construção e ativos de propriedade intelectual, cresceu 1,4% no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2025.

Segundo o IBGE, o resultado foi influenciado pelo aumento da importação de bens de capital e também pelo desenvolvimento de software.

Na comparação com o primeiro trimestre, os investimentos avançaram 1,2%.

No primeiro semestre, porém, ficaram praticamente estáveis frente ao mesmo período de 2025, enquanto no acumulado de quatro trimestres houve queda de 0,2%.

A taxa de investimento brasileira ficou em 16,1% do PIB, abaixo dos 16,6% registrados no segundo trimestre do ano passado.

Software deixou de ser apenas despesa operacional

O destaque dado ao desenvolvimento de software dentro dos investimentos mostra uma transformação importante na estrutura das empresas.

Durante muito tempo, tecnologia era tratada principalmente como uma despesa necessária para manter computadores, servidores e sistemas funcionando.

Esse cenário mudou.

Software passou a representar infraestrutura estratégica.

Uma empresa pode investir em sistemas de gestão, plataformas digitais, inteligência artificial, automação, aplicativos, integração de dados, cibersegurança e infraestrutura em nuvem para aumentar produtividade ou criar novos produtos.

Parte desses investimentos passa a integrar diretamente a capacidade produtiva das organizações.

Inteligência artificial aumenta pressão por modernização

A expansão da inteligência artificial também tende a reforçar esse movimento.

Empresas interessadas em utilizar IA generativa e agentes inteligentes rapidamente descobrem que precisam modernizar outras partes de sua infraestrutura.

Modelos precisam acessar dados.

Dados precisam estar organizados.

Sistemas precisam possuir APIs.

Infraestruturas precisam conseguir processar volumes crescentes de informação.

Aplicações antigas precisam conversar com plataformas modernas.

Assim, um projeto inicialmente chamado de “projeto de inteligência artificial” frequentemente desencadeia investimentos em cloud, bancos de dados, software, integração e segurança.

A IA pode funcionar, portanto, como um acelerador de investimentos em todo o ecossistema de tecnologia.

Cloud também mudou a estrutura tecnológica das empresas

Outro fator importante é a expansão da computação em nuvem.

Empresas que anteriormente precisavam adquirir servidores e instalar equipamentos próprios podem contratar capacidade computacional de grandes provedores.

Isso transformou profundamente a maneira como infraestrutura tecnológica é consumida.

Novos serviços podem ser disponibilizados rapidamente e recursos computacionais podem aumentar ou diminuir conforme a demanda.

Ao mesmo tempo, essa flexibilidade exige profissionais especializados em arquitetura, segurança, dados e desenvolvimento.

O crescimento de Informação e Comunicação no PIB captura parte dessa transformação estrutural.

Telecomunicações sustentam a economia digital

A expansão tecnológica também depende diretamente das redes de telecomunicações.

Serviços em nuvem, aplicativos, plataformas de streaming, sistemas financeiros, inteligência artificial e trabalho remoto dependem de conectividade.

Isso coloca redes de fibra óptica, data centers, 5G e infraestrutura de internet como elementos fundamentais para a expansão da economia digital.

Quanto mais empresas digitalizam suas operações, maior se torna a quantidade de dados trafegando pelas redes.

Essa demanda cria oportunidades para operadoras, provedores regionais, empresas de infraestrutura, data centers e fornecedores de serviços tecnológicos.

Data centers ganham importância

Outro segmento diretamente beneficiado pela digitalização é o mercado de data centers.

Aplicações empresariais, serviços em nuvem e principalmente sistemas de inteligência artificial exigem capacidade computacional crescente.

Modelos de IA precisam de grandes volumes de processamento tanto durante o treinamento quanto durante sua utilização.

Isso cria demanda por servidores, GPUs, redes de alta capacidade, armazenamento e energia.

O Brasil vem tentando se posicionar nesse mercado justamente por possuir um grande mercado consumidor digital e uma matriz elétrica com participação relevante de fontes renováveis.

Cibersegurança cresce junto com digitalização

Quanto maior a dependência tecnológica das empresas, maior também a necessidade de proteção.

Uma companhia que depende de sistemas digitais para vender, produzir, receber pagamentos e atender clientes pode sofrer impactos significativos quando sua infraestrutura fica indisponível.

Por isso, a expansão da economia digital também movimenta áreas como monitoramento de segurança, proteção de endpoints, gestão de identidades, segurança em nuvem, prevenção de fraudes e resposta a incidentes.

A transformação digital aumenta produtividade, mas também amplia a superfície que precisa ser protegida.

Tecnologia passa a atravessar praticamente todos os setores

Outro aspecto importante é que o crescimento de Informação e Comunicação não representa apenas empresas tradicionalmente classificadas como “empresas de tecnologia”.

Software e conectividade passaram a fazer parte de praticamente todos os setores.

Bancos possuem enormes estruturas de desenvolvimento.

Varejistas operam marketplaces e aplicativos.

Indústrias utilizam sensores e automação.

Empresas de logística dependem de rastreamento e análise de dados.

Agronegócio utiliza conectividade, imagens de satélite e sistemas de gestão.

Hospitais digitalizam prontuários e diagnósticos.

A tecnologia deixou de funcionar como um setor isolado e passou a atuar como infraestrutura transversal da economia.

Pequenas empresas também entram na transformação

A digitalização não está limitada às grandes corporações.

Pequenas empresas utilizam cada vez mais sistemas de gestão em nuvem, plataformas de comércio eletrônico, pagamentos digitais, marketing online, inteligência artificial e ferramentas de automação.

Serviços que anteriormente exigiam equipes próprias de TI hoje podem ser contratados por assinatura.

Isso reduz a barreira de entrada para pequenas organizações e amplia o mercado potencial das empresas de software.

A inteligência artificial generativa acelerou ainda mais esse processo ao permitir que pequenos negócios utilizem tecnologias que anteriormente exigiriam equipes especializadas.

IA pode aumentar produtividade do setor de serviços

O impacto da tecnologia sobre o PIB pode aparecer também de maneira indireta.

Ferramentas digitais permitem que profissionais realizem determinadas atividades em menos tempo.

IA pode auxiliar na produção de documentos, análise de dados, programação, atendimento ao cliente e automação administrativa.

Sistemas empresariais reduzem atividades manuais.

Cloud diminui o tempo necessário para disponibilizar infraestrutura.

Automação permite executar tarefas continuamente.

Quando essas tecnologias são adotadas em escala, podem contribuir para ganhos de produtividade em diferentes áreas da economia.

Brasil ainda possui espaço enorme para digitalização

Apesar do crescimento observado, existe uma grande quantidade de empresas brasileiras que ainda possuem processos pouco digitalizados.

Planilhas continuam sendo utilizadas para tarefas que poderiam ser automatizadas.

Sistemas antigos permanecem em operação.

Pequenas empresas ainda apresentam baixo nível de integração tecnológica.

Isso significa que existe espaço significativo para expansão do mercado de software, infraestrutura e serviços digitais nos próximos anos.

A inteligência artificial adiciona mais um incentivo para essa modernização.

Empresas que querem utilizar agentes e automação precisam primeiro garantir que seus processos e dados estejam disponíveis digitalmente.

Crescimento de 8,4% mostra mudança estrutural

O desempenho de Informação e Comunicação no segundo trimestre ajuda a demonstrar uma transformação que vem acontecendo gradualmente na economia brasileira.

Enquanto o PIB avançou 2% na comparação anual, tecnologia e comunicação cresceram 8,4%.

No primeiro semestre, a diferença também foi expressiva: 8% contra 1,9% da economia brasileira.

O crescimento não significa que todos os segmentos tecnológicos estejam avançando na mesma velocidade, mas revela uma tendência clara: atividades ligadas à digitalização continuam ganhando participação e importância econômica.

Software também aparece diretamente entre os fatores que contribuíram para o crescimento dos investimentos no trimestre.

A combinação de cloud, conectividade, inteligência artificial, automação, cibersegurança e modernização de sistemas tende a manter a tecnologia no centro das decisões empresariais.

O resultado do segundo trimestre mostra que essa transformação já aparece nos números oficiais da economia.

Tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta utilizada pelas empresas e está se consolidando como um dos motores de crescimento do setor de serviços brasileiro.

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