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Busca por eletropostos cresce 309% no Brasil e acompanha avanço dos carros elétricos

Levantamento mostra explosão no interesse por pontos de recarga entre junho de 2025 e maio de 2026. Crescimento da frota eletrificada, expansão da rede pública e busca por novas oportunidades de negócio ajudam a explicar o movimento.

O avanço dos carros elétricos no Brasil já começa a mudar não apenas o mercado automotivo, mas também o comportamento dos consumidores. Um levantamento da Descarbonize Soluções identificou crescimento de 309% nas buscas pelo termo “eletroposto” no Google entre junho de 2025 e maio de 2026.

Outros termos ligados à infraestrutura de recarga também registraram forte alta. As pesquisas por “estação de recarga de veículos elétricos” cresceram 235%, enquanto “carregadores carros elétricos” avançou 84% no mesmo período.

O movimento mostra que a discussão sobre eletrificação está mudando de estágio. Até pouco tempo, grande parte da atenção estava concentrada em autonomia, preço e disponibilidade dos carros. Agora, uma pergunta começa a ganhar o mesmo peso: onde e como recarregar?

Distrito Federal lidera interesse por eletropostos

O levantamento também revelou diferenças regionais importantes.

O Distrito Federal aparece na primeira posição entre as unidades da federação com maior interesse pelo termo “eletroposto”, seguido por Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul. Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro também aparecem entre os locais com maior procura.

O destaque do Sul e Sudeste acompanha parcialmente a expansão da frota eletrificada e da própria infraestrutura de recarga nessas regiões.

Mas o resultado também sugere que o interesse não está restrito aos locais com maior população.

A chegada dos elétricos está criando uma nova demanda de mobilidade que envolve consumidores, condomínios, estacionamentos, supermercados, empresas e redes de postos.

Interesse não vem apenas dos motoristas

Um dos dados mais interessantes do levantamento é que parte relevante das pesquisas não parece vir somente de proprietários de veículos elétricos.

As buscas por “franquia eletroposto” cresceram cerca de 700%, sinalizando que empreendedores também começaram a enxergar a recarga como oportunidade comercial.

Entre as perguntas mais pesquisadas aparecem dúvidas como:

  • como montar um eletroposto;
  • quanto custa instalar uma estação;
  • como funciona esse tipo de negócio;
  • qual o lucro possível;
  • como abrir uma estação de recarga;
  • se eletropostos representam um bom investimento.

Isso mostra uma mudança importante.

A infraestrutura de recarga deixa de ser apenas uma necessidade para quem compra um elétrico e começa a se transformar em um mercado próprio de serviços e investimentos.

Rede brasileira já ultrapassou 21 mil pontos

A explosão das buscas acontece justamente quando a infraestrutura de recarga do país avança rapidamente.

Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico e da Tupi Mobilidade apontavam 21.061 pontos públicos e semipúblicos de recarga em fevereiro de 2026, contra 14.827 um ano antes — crescimento de aproximadamente 42%.

O avanço mais expressivo aconteceu entre os carregadores rápidos e ultrarrápidos em corrente contínua.

Os pontos DC passaram de 2.430 para 6.479 em 12 meses, alta de 167%. Eles já representavam 31% da rede pública e semipública naquele levantamento.

Esse crescimento é particularmente importante para viagens.

Carregadores AC são adequados para locais onde o veículo permanece parado por mais tempo, como hotéis, escritórios e estacionamentos.

Já os equipamentos rápidos em corrente contínua permitem recuperar uma parcela significativa da bateria em períodos muito menores, tornando mais viável utilizar carros elétricos em rodovias.

Rede pode já ter ultrapassado 25 mil carregadores

Dados mais recentes citados em agosto indicam que a infraestrutura brasileira já pode ter ultrapassado 25 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga em maio de 2026.

A diferença entre os levantamentos reflete justamente a rapidez com que o setor está crescendo.

A implantação de novos carregadores acontece em estacionamentos, shopping centers, supermercados, hotéis, concessionárias, postos de combustíveis e rodovias.

Esse tipo de expansão é fundamental para reduzir uma das principais preocupações de quem considera comprar um veículo elétrico: a chamada ansiedade de autonomia.

Mesmo que um automóvel possua alcance suficiente para a rotina diária, consumidores querem saber que terão onde recarregar caso precisem realizar uma viagem mais longa.

Frota eletrificada também cresce

O interesse pela infraestrutura acompanha o crescimento do próprio mercado automotivo.

Segundo dados citados pela ABVE, as vendas de veículos eletrificados cresceram 26% em 2025 em comparação com o ano anterior.

Em 2026, o mercado continua avançando.

Entre janeiro e julho, foram emplacadas cerca de 271 mil unidades híbridas e elétricas, representando aproximadamente 8,4% do mercado automotivo brasileiro, segundo dados citados pelo UOL.

É importante lembrar que “eletrificados” reúne tecnologias diferentes.

Entram nessa categoria modelos:

  • híbridos leves;
  • híbridos convencionais;
  • híbridos plug-in;
  • elétricos com extensor de autonomia;
  • elétricos puros.

A necessidade de eletropostos afeta principalmente veículos totalmente elétricos e híbridos plug-in, que conseguem recarregar suas baterias externamente.

Infraestrutura começa a influenciar decisão de compra

À medida que a rede cresce, ela própria pode estimular novas vendas.

Esse efeito cria uma espécie de ciclo.

Mais veículos elétricos → mais demanda por carregadores → mais investimento em eletropostos → maior confiança do consumidor → mais veículos elétricos.

É um padrão observado em outros países durante a expansão da mobilidade elétrica.

No início, consumidores podem evitar comprar um elétrico por receio de não encontrar onde carregar.

Quando a infraestrutura se torna visível e abundante, essa preocupação diminui.

É justamente por isso que empresas estão instalando pontos de recarga mesmo em locais onde essa atividade não representa o principal negócio.

Um supermercado, por exemplo, pode disponibilizar carregadores para atrair clientes e aumentar o tempo de permanência no estabelecimento.

Eletroposto pode virar novo serviço de conveniência

Esse modelo também começa a mudar a lógica tradicional do abastecimento.

Em um posto de combustível, o motorista permanece poucos minutos.

Na recarga elétrica, dependendo da potência do carregador e do veículo, o tempo pode ser significativamente maior.

Isso cria oportunidade para integrar recarga a restaurantes, cafeterias, centros comerciais e outros serviços.

Em outras palavras, o eletroposto pode deixar de ser simplesmente um local para “abastecer” o carro e se tornar parte de uma experiência comercial mais ampla.

É por isso que varejistas, redes de estacionamento e empresas de energia começaram a olhar com atenção para o setor.

Carregadores ultrarrápidos podem mudar experiência

Outro fator importante será a evolução tecnológica.

Carregadores ultrarrápidos estão reduzindo significativamente o tempo necessário para recuperar energia.

No Festival Interlagos 2026, por exemplo, a BYD apresentou sua tecnologia Flash Charging, que promete levar baterias compatíveis de 10% a 97% em aproximadamente nove minutos em condições específicas. A montadora pretende instalar mil unidades até 2027.

A tecnologia ainda possui compatibilidade limitada e exige infraestrutura elétrica extremamente potente.

Mesmo assim, ela mostra para onde o mercado está caminhando.

Quanto mais rápido o carregamento, mais semelhante se torna a experiência em relação ao abastecimento tradicional.

Energia disponível será novo desafio

Existe, entretanto, um obstáculo que tende a crescer conforme os eletropostos se multiplicam.

Instalar um carregador não depende apenas de comprar o equipamento.

Carregadores rápidos podem exigir uma infraestrutura elétrica robusta, especialmente quando vários veículos precisam recarregar simultaneamente.

Isso envolve:

  • capacidade da rede local;
  • transformadores;
  • demanda contratada;
  • sistemas de proteção;
  • obras civis;
  • conexão com distribuidoras.

Em alguns casos, a própria disponibilidade de energia pode se tornar o principal limitador.

Essa questão será especialmente importante em rodovias e grandes hubs de recarga.

Condomínios também terão papel central

A maior parte dos proprietários de veículos elétricos provavelmente continuará realizando uma parcela significativa das recargas em casa.

Por isso, condomínios residenciais estão se tornando outro ponto importante dessa transformação.

Prédios mais antigos muitas vezes não foram projetados para dezenas de veículos carregando simultaneamente.

Isso pode exigir sistemas inteligentes capazes de distribuir a potência disponível entre diferentes carros.

A expansão da frota elétrica tende, portanto, a movimentar não apenas eletropostos públicos, mas também infraestrutura elétrica residencial e empresarial.

Brasil ainda possui enorme espaço para crescer

Apesar da expansão acelerada, a rede brasileira ainda é pequena diante do tamanho territorial do país.

O Brasil possui mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados e uma malha rodoviária extensa.

Criar uma rede confiável para viagens de longa distância exige muito mais do que instalar pontos nas capitais.

Será necessário criar corredores de recarga em rodovias, cidades intermediárias e regiões turísticas.

A qualidade também será tão importante quanto a quantidade.

Um carregador existente no mapa, mas indisponível, quebrado ou ocupado durante muito tempo não resolve o problema do usuário.

Por isso, operadores terão de investir em confiabilidade, manutenção, disponibilidade em tempo real e métodos simples de pagamento.

Experiência do usuário pode definir vencedores

No mercado de combustíveis tradicionais, o processo de abastecimento é extremamente padronizado.

Carros elétricos ainda enfrentam uma experiência mais fragmentada.

Diferentes redes podem possuir aplicativos distintos, cadastros próprios e preços variados.

À medida que o mercado amadurecer, consumidores provavelmente darão preferência a redes que ofereçam:

  • carregadores funcionando;
  • informação de disponibilidade;
  • pagamento simples;
  • preços transparentes;
  • boa localização;
  • velocidade consistente.

A infraestrutura de recarga começará, portanto, a competir também por qualidade de serviço.

Crescimento de 309% mostra mudança de comportamento

O dado sobre buscas não representa diretamente aumento de 309% no número de eletropostos.

Ele mede interesse online.

Essa diferença é importante.

Ainda assim, pesquisas no Google funcionam como um indicador interessante de intenção e curiosidade dos consumidores.

Quando termos relacionados a um setor crescem centenas de por cento em pouco tempo, normalmente significa que aquela tecnologia está começando a entrar no cotidiano de um público maior.

No caso dos carros elétricos, o consumidor deixou de perguntar apenas “qual a autonomia?” e passou a perguntar “onde eu carrego?”.

Essa mudança pode parecer pequena, mas mostra que a eletrificação começa a sair do estágio de novidade.

Próxima disputa será pela infraestrutura

Durante os últimos anos, a competição do mercado automotivo esteve concentrada principalmente nos veículos.

BYD, GWM, Volvo, Geely, Chevrolet, BMW e diversas outras marcas disputam consumidores com preços, autonomia e tecnologia.

Agora, uma segunda competição começa a ganhar importância: quem construirá a infraestrutura de recarga necessária para sustentar essa frota?

Empresas de energia, redes de postos, fabricantes de veículos, startups e varejistas podem participar dessa corrida.

Os dados de busca mostram que os próprios consumidores e empreendedores já perceberam essa oportunidade.

Se a frota elétrica continuar crescendo no ritmo atual, eletropostos deixarão de ser uma infraestrutura relativamente rara para se tornar parte comum da paisagem urbana e rodoviária brasileira.

A alta de 309% nas pesquisas é, portanto, mais do que uma curiosidade estatística.

Ela mostra uma mudança concreta no mercado: o Brasil começa a entrar na fase em que vender carros elétricos já não é suficiente — será necessário construir toda a infraestrutura capaz de mantê-los circulando.

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