
A Apple iniciou uma nova reorganização interna que resultará na eliminação de mais de 200 postos de trabalho ligados principalmente às equipes da Siri, Vision Pro e desenvolvimento de software com inteligência artificial.
O número é maior do que os mais de 60 cortes inicialmente reportados em parte da divisão de realidade virtual. Informações posteriores apontam aproximadamente 100 vagas eliminadas na organização do Vision Pro e outras 100 entre Siri e equipes relacionadas a software.
A movimentação indica uma mudança de prioridades dentro da companhia, que pretende concentrar mais recursos em inteligência artificial e novos dispositivos, incluindo óculos inteligentes.
Vision Pro perde espaço
Uma das áreas mais afetadas é justamente a divisão responsável pelo Vision Pro.
A Apple estaria praticamente encerrando uma equipe dedicada ao desenvolvimento de jogos para o headset, além de reduzir o grupo responsável pela produção de vídeos imersivos.
Produzir esse tipo de conteúdo exige equipes especializadas e investimentos elevados, enquanto o Vision Pro ainda possui uma base relativamente pequena de usuários.
Apesar dos cortes, isso não significa o fim do produto. A empresa continua trabalhando no Vision Pro e no sistema operacional visionOS.
Siri também passa por transformação
Os cortes atingem ainda profissionais envolvidos com a Siri e com a divisão Intelligent Systems Experience, responsável por alguns recursos de IA presentes nos dispositivos da empresa.
A Apple trabalha em uma profunda reformulação de sua assistente virtual, justamente quando a inteligência artificial generativa está modificando a maneira como usuários interagem com smartphones e computadores.
Nesse cenário, a companhia precisa competir com plataformas que passaram a oferecer assistentes capazes de compreender contexto, analisar informações e realizar tarefas cada vez mais complexas.
Próxima aposta pode estar nos óculos inteligentes
Parte dos recursos deverá migrar para uma categoria considerada estratégica: os smart glasses equipados com inteligência artificial.
Segundo informações sobre os planos da empresa, a Apple vem testando diferentes designs de óculos inteligentes. Diferentemente do Vision Pro, esses dispositivos seriam mais leves e inicialmente não teriam foco em experiências avançadas de realidade virtual.
A estratégia colocaria a Apple em confronto direto com a Meta, que conseguiu ganhar espaço nesse mercado com seus óculos inteligentes.
A mudança também mostra como a corrida pela IA está reorganizando investimentos dentro das maiores empresas de tecnologia. Para a Apple, o desafio será transformar tecnologias desenvolvidas para o Vision Pro em experiências que possam alcançar um público muito maior.
Os cortes, portanto, parecem representar menos um abandono da computação espacial e mais uma mudança de formato: de headsets caros e imersivos para dispositivos mais leves, conectados à IA e preparados para utilização cotidiana.



