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Paramount vende UCI no Brasil para grupos donos do Cine Araújo e Cineart

Operação transfere 25 complexos e mais de 200 salas para uma nova joint venture brasileira. Negócio amplia a consolidação do setor e cria um grupo com 432 salas, que deverá ocupar a terceira posição entre as maiores redes de cinema do país.

O mercado brasileiro de cinemas passa por uma importante mudança de forças. A Paramount Skydance acertou a venda das operações da UCI Cinemas no Brasil para uma sociedade formada pelos grupos responsáveis pelas redes Cine Araújo e Cineart.

Para realizar a aquisição, os compradores criaram a Cia Brasileira de Cinemas, joint venture que assumirá 100% da UCI Brasil e da UCI Ribeiro. O negócio envolve 25 complexos e mais de 200 salas, distribuídos por 11 estados. O valor da transação não foi divulgado publicamente.

A operação ainda representa uma mudança significativa no ranking do setor: considerando as estruturas envolvidas, o novo grupo chegará a 66 complexos e 432 salas de exibição, passando a ocupar a terceira colocação nacional em número de salas, atrás apenas de Cinemark e Cinépolis.

UCI passa para controle de grupos brasileiros

A compradora reúne dois nomes já estabelecidos no mercado nacional.

De um lado está o Cine Araújo, rede paulista que possui forte presença em cidades do interior e já opera em diferentes estados brasileiros.

Do outro está o Grupo Vila Rica, controlador da rede mineira Cineart e também da distribuidora Cineart Filmes.

As duas empresas continuarão administrando independentemente os cinemas que já possuem sob suas próprias marcas, apesar da parceria criada especificamente para a aquisição da UCI.

A operação amplia principalmente a presença geográfica das compradoras, que passam a alcançar mercados onde ainda tinham participação limitada ou inexistente.

UCI possui mais de 200 salas no país

A dimensão da operação explica a importância do negócio.

UCI e UCI Kinoplex somam 25 complexos e mais de 200 salas de cinema em 11 estados, incluindo mercados importantes como São Paulo e Rio de Janeiro.

A rede também possui presença em cidades como Recife, Fortaleza, Belém e Juiz de Fora, ampliando significativamente a cobertura nacional dos compradores.

Além das salas convencionais, a marca tornou-se conhecida no Brasil pela oferta de formatos premium e tecnologias de exibição diferenciadas.

Cine Araújo ganha escala nacional

Para o Cine Araújo, a aquisição representa um salto importante.

A empresa atualmente possui forte atuação fora de algumas das principais capitais brasileiras. Com a incorporação da UCI à estrutura da nova companhia, o grupo passa a acessar mercados estratégicos e aumenta significativamente seu número de telas.

A combinação colocará a operação à frente de redes como Cinesystem e Kinoplex em número de salas.

O resultado é uma mudança importante na estrutura competitiva do mercado exibidor brasileiro.

Nova empresa terá 432 salas

Somadas as estruturas relacionadas ao negócio, a nova configuração chega a 432 salas espalhadas pelo Brasil.

O número coloca a companhia atrás somente das duas maiores redes do país em quantidade de salas.

Para um setor no qual escala é importante para negociar contratos com shopping centers, fornecedores, distribuidores e parceiros comerciais, esse crescimento pode produzir efeitos relevantes.

A nova companhia também passa a possuir presença em diferentes regiões do Brasil, reduzindo sua dependência de mercados específicos.

Venda vinha sendo preparada há meses

A saída da Paramount do negócio de exibição cinematográfica brasileiro não aconteceu de maneira repentina.

A possibilidade de venda da UCI já circulava desde 2025, quando começaram a surgir informações de que a companhia estava avaliando alternativas para suas operações de cinemas.

O processo teria levado mais de um ano e atraído diferentes interessados antes da definição dos compradores.

A UCI teria registrado faturamento de aproximadamente R$ 360 milhões no Brasil em 2024, mostrando que a operação possui dimensão relevante dentro do setor nacional.

Paramount está reduzindo participação direta em cinemas

A negociação brasileira também faz parte de um movimento mais amplo envolvendo ativos herdados da antiga National Amusements.

A Paramount Skydance foi formada em 2025 após a combinação entre Paramount Global e Skydance Media, processo que também incorporou ativos anteriormente ligados à National Amusements.

Desde então, outros ativos relacionados à exibição cinematográfica também entraram em processos de venda.

Nos Estados Unidos, por exemplo, 13 unidades da Showcase foram negociadas com o grupo belga Kinepolis por cerca de US$ 30 milhões. A companhia também busca alternativas para operações na Argentina.

A estratégia sugere uma concentração maior da Paramount em produção, propriedade intelectual, televisão e streaming, em vez da operação direta de salas.

Negócio acontece enquanto Paramount busca Warner Bros.

Existe outro elemento importante por trás da negociação.

A Paramount está envolvida em um processo de aquisição da Warner Bros. Discovery que enfrenta questionamentos concorrenciais nos Estados Unidos. Autoridades de diversos estados argumentam que a combinação poderia aumentar a concentração em cinema e televisão.

No Brasil, a propriedade da UCI também criava uma situação estratégica peculiar.

Uma companhia poderia simultaneamente controlar uma parcela importante da produção e distribuição de filmes e possuir uma das maiores redes responsáveis por exibi-los ao público.

Com a venda, essa integração vertical diminui no mercado brasileiro.

Venda pode reduzir preocupação concorrencial

A questão ganha importância porque uma eventual combinação entre Paramount e Warner ampliaria consideravelmente o catálogo de filmes controlado pelo grupo.

Ao mesmo tempo, manter uma grande rede própria de cinemas poderia aumentar preocupações sobre condições comerciais oferecidas a concorrentes e distribuidores.

A venda da UCI elimina essa sobreposição específica no Brasil.

Isso não significa automaticamente que qualquer outra operação envolvendo a Paramount esteja liberada do ponto de vista concorrencial, mas retira uma variável importante da análise brasileira.

Negócio precisa passar pelo Cade

A aquisição da UCI foi apresentada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), responsável por analisar operações capazes de alterar a concorrência no mercado brasileiro.

O órgão poderá avaliar fatores como participação de mercado, concentração regional e possíveis impactos para consumidores e concorrentes.

A análise é particularmente relevante porque o negócio cria um grupo de escala nacional.

Consolidação avança no mercado de cinemas

A operação também acontece em um momento de transformação da indústria cinematográfica.

O setor ainda enfrenta os efeitos das mudanças de comportamento iniciadas durante a pandemia e intensificadas pela expansão do streaming.

Netflix, Prime Video, Disney+, Paramount+ e outras plataformas modificaram a relação do público com lançamentos audiovisuais.

Mesmo com a recuperação das bilheterias, as salas precisam disputar o tempo e o orçamento do consumidor com uma quantidade muito maior de alternativas de entretenimento.

Experiência premium virou estratégia

Nesse ambiente, redes de cinema passaram a investir cada vez mais na experiência que não pode ser facilmente reproduzida dentro de casa.

Telas gigantes, som avançado, IMAX, salas 4DX, poltronas especiais e espaços premium ganharam importância.

A UCI possui justamente alguns desses ativos.

Isso significa que a aquisição não entrega apenas centenas de telas aos novos controladores.

Ela também incorpora uma marca conhecida e estruturas premium localizadas em mercados importantes.

Capital brasileiro ganha força no setor

Outro aspecto relevante é a mudança do controle.

Uma operação anteriormente vinculada a um dos maiores conglomerados de mídia dos Estados Unidos passa para uma joint venture formada por grupos brasileiros.

A movimentação fortalece empresas nacionais em um mercado no qual grandes redes internacionais possuem participação importante.

Com 432 salas, a nova estrutura terá escala suficiente para disputar espaço diretamente entre as maiores companhias do setor.

Venda muda o mapa dos cinemas brasileiros

A negociação da UCI representa, portanto, muito mais do que uma simples troca de proprietário.

Ela modifica o ranking das maiores redes, amplia a presença nacional de Cine Araújo e Cineart e reduz a participação direta da Paramount no negócio de exibição cinematográfica.

Também acontece justamente enquanto a indústria global passa por uma forte onda de consolidação.

De um lado, conglomerados procuram ganhar escala em produção e streaming.

Do outro, redes exibidoras também buscam tamanho suficiente para enfrentar um mercado cada vez mais competitivo.

No Brasil, a venda da UCI mostra claramente esse movimento: enquanto a Paramount concentra seus esforços em conteúdo e grandes operações globais de mídia, grupos brasileiros aproveitam a oportunidade para ganhar escala justamente no ponto onde esses conteúdos chegam às telas de cinema.

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