Colunistas
Tendência

Recrutamento com IA. Candidatura com IA. E agora?

Fábio Steren

Hoje muitos candidatos usam IA para otimizar currículo, gerar carta de apresentação e até responder testes de triagem.

Do outro lado, empresas usam IA para ler esses currículos, aplicar filtros automáticos e conduzir as primeiras entrevistas por chatbot.

O resultado é curioso: uma IA otimizando a candidatura para agradar outra IA que faz a seleção.

E isso levanta uma pergunta incômoda: o que está sendo avaliado, afinal?

A adequação real da pessoa à vaga, ou a habilidade de um sistema em “vencer” outro sistema?

Currículos passam a ser escritos para máquinas, não mais para humanos.

Entrevistas em vídeo são treinadas para reconhecer padrões de fala, não competência real.

O risco é claro: o processo seletivo virar um jogo de otimização mútua, distante de talento, criatividade e fit cultural.

Ainda assim, não acho que o caminho seja demonizar a tecnologia, sabendo que a IA pode reduzir vieses inconscientes, agilizar etapas repetitivas e dar visibilidade a candidatos que antes nem chegavam à triagem.

O problema não é a ferramenta, e sim, permitir que ela substitui ao em vez de apoiar o julgamento humano.

Recrutar é, no fim, uma decisão sobre pessoas e isso exige contexto, empatia e responsabilidade que nenhum modelo assume sozinho.

E quando os dois lados terceirizam esse julgamento para algoritmos, quem realmente decide qual profissional será contratado?

O futuro provável não é a ausência de IA nos processos seletivos, mas uma nova divisão de papéis e uma consciência maior de como o ser humano deve utilizar cada ferramenta e em quais etapas desta seleção. Pensar em uma triagem inicial automatizada, talvez traga maior agilidade, mas as etapas decisivas precisam voltar a ser humanas e, de preferência, presencial.

Menos currículo, mais portfólio. Menos filtro automático, mais conversa real.

Será que estamos construindo processos seletivos mais eficientes, ou só mais automatizados?

A diferença entre essas duas coisas pode definir se a IA vai melhorar o recrutamento, ou apenas deslocar o problema para um nível mais sofisticado — e mais difícil de perceber.

Em meio a tanta tecnologia que faz parte das nossas rotinas, será que o Ser Humano não está deixado aos poucos de ser humano?

 

#RecrutamentoEseleção #InteligenciaArtificial #FuturoDoTrabalho #RH

Fabio Steren

Empreendedor e Headhunter, Hanagá Recrutamento Especializado

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo