NewsTelecom
Tendência

Claro entra na disputa pela nuvem empresarial com plataforma baseada no Oracle Alloy

Operadora será a primeira provedora da América Latina a utilizar o Oracle Alloy e prepara oferta de cloud e inteligência artificial voltada ao mercado corporativo brasileiro.

A competição pelo mercado brasileiro de computação em nuvem ganha um novo movimento com a entrada da Claro em uma camada mais profunda desse negócio. A Claro Empresas anunciou a adoção do Oracle Alloy, plataforma que permitirá à operadora oferecer infraestrutura e serviços de cloud e inteligência artificial baseados no Oracle Cloud Infrastructure (OCI), mas operados e comercializados dentro de sua própria estratégia.

O acordo transforma a Claro na primeira provedora da América Latina a utilizar o Oracle Alloy. A expectativa é disponibilizar aos clientes corporativos mais de 200 serviços relacionados a nuvem e inteligência artificial, atendendo desde aplicações empresariais até cargas consideradas de missão crítica.

A iniciativa também coloca em evidência uma tendência importante no mercado corporativo: empresas brasileiras querem utilizar recursos avançados de cloud e IA, mas setores regulados e organizações que lidam com informações sensíveis também estão aumentando suas exigências sobre localização, controle e soberania dos dados.

O que é o Oracle Alloy?

O Oracle Alloy foi desenvolvido para permitir que parceiros operem serviços baseados no Oracle Cloud Infrastructure dentro de suas próprias ofertas de nuvem.

Em vez de atuar apenas como revendedora de capacidade de um hyperscaler, uma empresa que utiliza o Alloy pode assumir características de um provedor de cloud.

Isso inclui a possibilidade de personalizar serviços, experiência comercial, operação e relacionamento com os clientes.

A arquitetura utiliza a tecnologia do OCI como base, permitindo acesso a recursos de computação, armazenamento, bancos de dados, redes, segurança e inteligência artificial.

Para a Claro, isso significa incorporar uma infraestrutura de cloud empresarial ao portfólio que já mantém em telecomunicações, conectividade, data centers, cibersegurança e serviços de tecnologia.

Claro terá mais de 200 serviços de cloud e IA

Segundo o anúncio divulgado pela Oracle, a plataforma permitirá à Claro Empresas oferecer mais de 200 serviços de inteligência artificial e nuvem do OCI.

Entre as possibilidades estão recursos de computação, armazenamento, bancos de dados e tecnologias destinadas à execução de aplicações empresariais.

A infraestrutura também deverá suportar workloads relacionados à inteligência artificial.

Essa capacidade ganha importância em um momento no qual empresas estão migrando da fase de experimentação com IA generativa para projetos integrados aos processos de negócio.

Treinamento, inferência, agentes de IA e processamento de grandes volumes de dados exigem infraestrutura computacional que pode representar uma barreira para empresas interessadas em desenvolver essas aplicações internamente.

A Claro pretende posicionar sua nova oferta justamente dentro desse mercado.

IA soberana ganha espaço na estratégia

Um dos conceitos destacados no anúncio é o de IA soberana.

A expressão está relacionada à capacidade de organizações executarem inteligência artificial mantendo maior controle sobre onde dados, modelos e infraestrutura estão localizados e administrados.

Isso pode ser particularmente relevante para organizações que lidam com informações sensíveis ou precisam cumprir requisitos específicos de governança e regulamentação.

Bancos, instituições de saúde, governos e empresas responsáveis por infraestruturas críticas estão entre os setores nos quais questões relacionadas à soberania digital podem assumir maior importância.

Ao utilizar o Oracle Alloy, a Claro pretende oferecer recursos de IA dentro de uma infraestrutura localizada no Brasil.

Isso pode ajudar organizações que buscam combinar recursos avançados de inteligência artificial com requisitos relacionados à residência e governança dos dados.

Dados poderão permanecer no Brasil

A localização da infraestrutura é um dos principais elementos estratégicos do projeto.

Segundo as empresas, os serviços serão disponibilizados a partir da infraestrutura da Claro no Brasil.

Na prática, isso permitirá que clientes mantenham determinados dados e workloads dentro do território nacional.

É importante observar que localização física dos dados não resolve, isoladamente, todas as questões relacionadas à conformidade.

Empresas continuam responsáveis por políticas de acesso, classificação das informações, criptografia, identidade, retenção e outros controles necessários para atender à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e às regulamentações específicas de seus setores.

Ainda assim, a capacidade de escolher onde determinados dados serão processados e armazenados é um componente importante das estratégias de governança de cloud.

Claro amplia atuação além da conectividade

A iniciativa também mostra como o papel das grandes operadoras de telecomunicações está mudando.

Durante décadas, empresas como a Claro concentraram grande parte de sua atuação corporativa em conectividade, telefonia e transmissão de dados.

A transformação digital ampliou esse mercado.

Empresas passaram a contratar redes, cloud, segurança, data center e serviços gerenciados como partes de uma mesma infraestrutura tecnológica.

Com o Oracle Alloy, a Claro aprofunda sua atuação nesse modelo.

Em vez de fornecer apenas a conexão entre uma empresa e uma nuvem pública, a operadora passa a ter condições de oferecer a própria camada de cloud dentro do seu portfólio.

Isso pode facilitar projetos nos quais conectividade, segurança e infraestrutura computacional precisam ser contratadas e administradas de maneira integrada.

Telecom e cloud estão cada vez mais próximas

A aproximação entre telecomunicações e computação em nuvem não é exclusiva do Brasil.

Redes 5G, edge computing, inteligência artificial e Internet das Coisas aumentaram a necessidade de aproximar processamento e conectividade.

Aplicações industriais, por exemplo, podem precisar enviar grandes quantidades de informações entre sensores, redes privadas e ambientes de processamento.

Em outros casos, empresas precisam conectar diferentes filiais diretamente aos workloads hospedados na nuvem.

Uma operadora capaz de controlar parte significativa da conectividade e da infraestrutura computacional pode construir ofertas integradas para esses cenários.

É justamente essa convergência que torna a movimentação da Claro relevante para o mercado brasileiro.

Parceria entre Claro e Oracle já possui histórico

A aproximação entre as duas companhias não começou com o novo projeto brasileiro.

Em 2023, Oracle e Claro trabalharam juntas na implantação da primeira região de nuvem pública de hiperescala da Oracle na Colômbia.

A Claro atuou como uma das parceiras de hospedagem da Oracle Cloud Region em Bogotá.

A nova iniciativa no Brasil avança essa relação ao colocar a operadora na posição de provedora de uma plataforma construída sobre o Oracle Alloy.

Com isso, a parceria deixa de estar limitada à hospedagem e conectividade e passa a envolver diretamente a oferta de serviços de cloud.

Oracle busca ampliar alcance do OCI por meio de parceiros

Para a Oracle, o Alloy possui uma função estratégica diferente da expansão tradicional de regiões públicas de cloud.

O modelo permite levar a tecnologia do OCI para provedores que já possuem presença comercial, infraestrutura e relacionamento com clientes em mercados específicos.

Esses parceiros podem criar serviços próprios utilizando a plataforma Oracle como base.

Isso permite à companhia ampliar o alcance de sua tecnologia sem depender exclusivamente de regiões públicas operadas diretamente pela Oracle.

Para provedores locais, a vantagem está em evitar a necessidade de desenvolver do zero toda a tecnologia necessária para construir uma nuvem pública empresarial.

Mercado brasileiro de cloud ganha mais uma alternativa

Para empresas brasileiras, a chegada da oferta pode ampliar as possibilidades de arquitetura multicloud e híbrida.

Organizações não precisam necessariamente concentrar todos os workloads em um único provedor.

Sistemas podem ser distribuídos entre ambientes próprios, diferentes clouds públicas e infraestruturas oferecidas por provedores locais.

A decisão depende de fatores como custo, latência, desempenho, requisitos regulatórios, disponibilidade, integração e conhecimento técnico das equipes.

A entrada da Claro com uma plataforma baseada em OCI acrescenta uma nova alternativa nesse processo.

Também aumenta a competição em um mercado no qual Amazon Web Services, Microsoft Azure, Google Cloud, Oracle e diferentes provedores nacionais disputam investimentos corporativos.

IA pode acelerar demanda por infraestrutura local

A inteligência artificial adiciona outra dimensão a essa disputa.

Projetos de IA demandam grande capacidade computacional e movimentam volumes significativos de dados.

Ao mesmo tempo, muitas empresas não querem enviar indiscriminadamente informações corporativas sensíveis para serviços externos de IA.

Isso está criando demanda por arquiteturas nas quais modelos possam ser executados em ambientes com maior controle empresarial.

A combinação entre cloud local, conectividade e serviços de IA pode se tornar um diferencial importante nesse cenário.

É também por isso que a Claro e a Oracle destacam a capacidade de executar workloads de inteligência artificial dentro da nova infraestrutura.

Claro passa de conectividade para infraestrutura digital completa

O lançamento baseado no Oracle Alloy representa mais do que a inclusão de outro produto no portfólio da Claro Empresas.

Ele reforça uma transformação estrutural das operadoras de telecomunicações.

À medida que conectividade se torna cada vez mais integrada a cloud, segurança e inteligência artificial, as fronteiras entre uma telecom e uma empresa de infraestrutura de TI ficam menos definidas.

Para a Claro, possuir uma oferta própria de nuvem permite disputar uma parcela maior dos investimentos tecnológicos de seus clientes corporativos.

Para a Oracle, significa ampliar a presença do OCI utilizando a infraestrutura e a base comercial de um dos maiores grupos de telecomunicações do país.

E, para o mercado brasileiro, significa mais uma alternativa em um momento no qual soberania de dados, inteligência artificial e infraestrutura de nuvem estão se tornando partes da mesma discussão estratégica.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo