
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) reafirmou que a decisão sobre a destinação da faixa de 6 GHz será tomada com base em evidências técnicas, estudos especializados e amplo debate com o setor. A declaração foi feita durante a abertura do seminário promovido pelo Centro de Altos Estudos em Comunicações Digitais e Inovações Tecnológicas (Ceadi), que reuniu representantes da indústria, operadoras, fabricantes, academia e entidades do setor.
O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, destacou que a discussão precisa ser conduzida com cautela devido à importância estratégica da faixa para o futuro das telecomunicações, especialmente para o desenvolvimento do 6G. Segundo ele, a Agência ouvirá todos os segmentos envolvidos antes de tomar uma decisão definitiva.
O uso da faixa de 6 GHz é alvo de disputa entre diferentes setores. De um lado, operadoras de telecomunicações defendem a destinação de parte do espectro para futuras redes móveis, incluindo o 6G. Do outro, representantes da indústria de Wi-Fi e provedores regionais argumentam que a faixa é fundamental para a expansão das redes sem fio de alta capacidade e para tecnologias como Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7.
Durante o evento, a Anatel reforçou que o processo regulatório buscará equilibrar inovação, inclusão digital, harmonização internacional e interesse público, levando em consideração experiências adotadas em outros países, estudos de impacto econômico e avaliações sobre o uso eficiente do espectro.
A programação do seminário incluiu debates sobre a evolução regulatória da faixa de 6 GHz, impactos tecnológicos e econômicos das diferentes formas de utilização do espectro, além das perspectivas para o 5G Avançado, 6G e as novas gerações de Wi-Fi. Fabricantes como Ericsson, Qualcomm e Huawei, além de representantes de entidades como GSMA e Abrint, participaram das discussões.
A decisão da Anatel é considerada estratégica para o futuro da conectividade no Brasil. A definição sobre como a faixa será utilizada poderá influenciar a evolução das redes móveis, o desempenho das conexões Wi-Fi, a expansão da infraestrutura digital e o posicionamento do país na adoção das tecnologias de próxima geração.



