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STF avança em ajustes da tese do Marco Civil da Internet, mas julgamento será retomado na próxima semana

Supremo consolida maioria sobre responsabilidade das plataformas digitais, debate limites da moderação de conteúdo e discute a aplicação temporal da decisão sobre o Marco Civil da Internet.

O Supremo Tribunal Federal (STF) avançou na análise dos embargos de declaração relacionados ao julgamento do Marco Civil da Internet, mas a conclusão do caso foi adiada para a próxima quarta-feira. A sessão desta semana foi marcada por novos ajustes na redação da tese que trata da responsabilização das plataformas digitais por conteúdos publicados por terceiros.

O relator do processo, o ministro Dias Toffoli, reforçou que a decisão do STF já produz efeitos desde a publicação da ata do julgamento de mérito, ocorrida em junho de 2025. Segundo o magistrado, não há necessidade de aguardar a conclusão dos embargos para que o entendimento seja aplicado pelos tribunais. Para evitar dúvidas, Toffoli propôs uma nova redação para deixar explícito o alcance temporal da decisão.

Um dos principais debates da sessão envolveu justamente a chamada modulação dos efeitos. O ministro Flávio Dino apresentou divergência parcial ao defender que casos relacionados a fatos ocorridos antes do julgamento continuem sendo analisados pelas regras anteriores, argumentando que a aplicação retroativa poderia gerar insegurança jurídica.

Já o ministro Cristiano Zanin acompanhou integralmente o voto do relator e sugeriu apenas ajustes de redação para tornar mais clara a responsabilidade solidária das plataformas em determinadas situações previstas na tese. O entendimento reforça a possibilidade de empresas responderem por danos decorrentes de conteúdos publicados por usuários em hipóteses específicas.

Durante o julgamento, o ministro André Mendonça voltou a manifestar preocupação com os impactos da responsabilização ampliada das plataformas. Para ele, regras excessivamente abrangentes podem incentivar a remoção preventiva de conteúdos por receio de sanções judiciais, gerando riscos para a liberdade de expressão. O magistrado também defendeu que a remoção sem ordem judicial seja restrita a casos de ilicitude evidente.

Em linha semelhante, o ministro Cássio Nunes Marques sugeriu o uso de critérios mais objetivos para definir quando uma plataforma pode ser responsabilizada após ser notificada sobre determinado conteúdo. O objetivo seria reduzir interpretações subjetivas e aumentar a segurança jurídica para empresas e usuários.

Outro tema recorrente na sessão foi o fortalecimento da Autoridade Nacional de Proteção de Dados. Ministros destacaram que a futura transformação da entidade em agência reguladora poderá contribuir para a construção de diretrizes administrativas mais claras para o ambiente digital, reduzindo a necessidade de judicialização de conflitos envolvendo redes sociais e plataformas online.

Apesar dos avanços na consolidação do texto, o Supremo ainda precisa concluir a coleta de votos e finalizar a redação definitiva da tese. A expectativa é que o julgamento seja retomado na próxima quarta-feira, quando a Corte deverá definir a versão final do entendimento que servirá de referência para processos envolvendo redes sociais, provedores de aplicação e plataformas digitais em todo o país.

A decisão é considerada uma das mais importantes para o futuro da regulação da internet no Brasil, pois poderá influenciar diretamente a forma como plataformas digitais moderam conteúdos, respondem a notificações e lidam com questões relacionadas à desinformação, discurso de ódio e proteção dos usuários.

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