
Por Carolina Franco
Quem circula por uma feira de eventos e turismo encontra muito mais do que apresentações de hotéis e destinos. Há conversas à mesa, reencontros nos corredores, experiências que despertam curiosidade e espaços que convidam a ficar um pouco mais. Na IMEX America, em Las Vegas, observar essas cenas ajuda a compreender por que tanta gente ainda faz as malas para estar no mesmo lugar.
A edição de 2026 reuniu mais de 17.800 participantes no Mandalay Bay, entre eles mais de 6 mil compradores. Segundo a organização, foram 96 mil reuniões agendadas, com 82 mil encontros individuais e 14 mil reuniões em grupo e apresentações nos estandes. Ao todo, 48 mil horas de contato entre profissionais.
Os números dão uma ideia da dimensão da feira. A experiência de percorrê-la revela outros aspectos. Um aroma chama a atenção antes mesmo de o visitante identificar o destino. A comida abre uma conversa sobre cultura. O jeito de receber permite perceber um pouco da hospitalidade de um lugar que, até então, talvez só existisse em fotografias.
Para quem trabalha com eventos, essas escolhas têm importância. É preciso pensar em como as pessoas chegam, se orientam, descansam e encontram espaço para conversar. Depois de horas entre compromissos e deslocamentos, uma mesa disponível e uma recepção atenta fazem diferença na disposição para permanecer ali.
Essa percepção ganha interesse em meio à expansão da inteligência artificial. A tecnologia facilita o acesso à informação e oferece recursos para pesquisa, organização e planejamento. Ao mesmo tempo, a experiência presencial envolve atenção ao ambiente, ao ritmo de uma conversa e às reações de quem está por perto. Uma pergunta pode mudar o rumo de um encontro. Uma troca sem pressa pode revelar algo que não apareceu na apresentação.
Os efeitos dessas relações também aparecem fora do pavilhão. Um caso divulgado pela IMEX liga um encontro entre a Discover Puerto Rico e a Vibee, em 2024, à hospedagem para a residência de Bad Bunny em Porto Rico no ano seguinte. Os 31 shows estiveram associados a 48.255 diárias de hotel. O exemplo permite olhar para um grande evento a partir da cidade que o recebe: hotéis, equipes e serviços fazem parte de uma experiência que começa antes da apresentação e continua depois dela.
Há também encontros cujo resultado só deve aparecer daqui a alguns anos. A Tourisme Montréal relatou receber solicitações de proposta para dois congressos em 2030, um para 1.500 participantes e outro para até 1.700 pessoas. São projetos que exigem tempo, diálogo e conhecimento sobre as necessidades de públicos diferentes.
Para o Brasil, a reflexão passa pelo cuidado com quem participa. A programação importa, assim como a possibilidade de ouvir bem uma palestra, encontrar um lugar para sentar ou conversar sem disputar espaço com o som do ambiente. Quem organiza precisa conhecer essa experiência também pelo lado de quem chega.
Na IMEX, entre uma reunião e outra, era possível observar esse interesse pelo encontro: gente que parava para experimentar algo, fazia uma pergunta fora do roteiro ou estendia uma conversa. São momentos pequenos diante do tamanho da feira, mas ajudam a explicar a escolha de estar ali.



