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Broadcom dispara com inteligência artificial e fatura US$ 29,6 bilhões em apenas três meses

Demanda por aceleradores personalizados e redes para data centers levou a receita da companhia a crescer 86% em um ano. Só os semicondutores ligados à IA renderam US$ 16,7 bilhões, alta de 221%, e a empresa já projeta US$ 21,7 bilhões para o próximo trimestre.

A corrida mundial pela infraestrutura necessária para inteligência artificial está produzindo números cada vez maiores — e não apenas para a Nvidia. A Broadcom encerrou seu terceiro trimestre fiscal de 2026 com receita recorde de US$ 29,59 bilhões, avanço de 86% na comparação com os US$ 15,95 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.

O resultado confirma a informação apresentada na imagem, mas existe uma correção importante: não foi a receita total da Broadcom que cresceu 86% exclusivamente por causa dos chips de IA. Os US$ 29,6 bilhões correspondem ao faturamento consolidado da companhia. Dentro dele, a área de semicondutores para inteligência artificial alcançou US$ 16,7 bilhões e apresentou crescimento muito mais acelerado: 221% em relação ao ano anterior.

O desempenho mostra como a Broadcom está se tornando uma das maiores beneficiárias da construção global de data centers destinados à IA.

IA já representa mais da metade do faturamento

Os números dão uma dimensão da transformação.

Dos US$ 29,6 bilhões faturados no trimestre, US$ 16,7 bilhões vieram de semicondutores relacionados à inteligência artificial.

Isso representa aproximadamente 56% de toda a receita trimestral da Broadcom.

Um ano antes, a companhia havia registrado cerca de US$ 5,2 bilhões em receitas de IA no mesmo trimestre.

Em apenas 12 meses, portanto, esse negócio mais que triplicou.

Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, quando a Broadcom havia obtido US$ 10,8 bilhões com semicondutores de IA, o crescimento foi de aproximadamente 54%.

Broadcom virou peça-chave na estratégia de chips próprios

Grande parte dessa expansão vem dos chamados aceleradores personalizados de IA, conhecidos no mercado como ASICs.

Enquanto GPUs como as produzidas pela Nvidia são desenvolvidas para atender diferentes clientes e tipos de cargas computacionais, gigantes da tecnologia também estão criando processadores específicos para suas próprias necessidades.

É aí que a Broadcom ocupa uma posição estratégica.

A companhia ajuda grandes clientes a projetar chips personalizados e fornece tecnologias de rede utilizadas para conectar enormes quantidades de aceleradores dentro dos data centers.

Isso permite que empresas reduzam a dependência de uma única arquitetura e desenvolvam hardware otimizado para seus próprios modelos e serviços.

OpenAI, Meta e Anthropic estão no centro da corrida

Entre os grandes nomes ligados à expansão da Broadcom estão empresas que atualmente realizam alguns dos maiores investimentos em inteligência artificial do mundo.

A companhia possui compromissos de infraestrutura associados a clientes como OpenAI, Meta e Anthropic, além de outras gigantes que desenvolvem seus próprios aceleradores.

A OpenAI, por exemplo, escolheu a Broadcom para participar do desenvolvimento de seus primeiros processadores próprios destinados à inteligência artificial.

O movimento faz parte de uma tendência mais ampla.

Empresas que gastam dezenas de bilhões de dólares por ano em infraestrutura perceberam que desenvolver chips personalizados pode gerar ganhos de desempenho, eficiência energética e custo quando utilizados em escala gigantesca.

Receita de semicondutores mais que dobrou

Considerando todos os chips vendidos pela companhia — e não apenas aqueles classificados como IA — o segmento de soluções de semicondutores faturou US$ 20,84 bilhões no trimestre.

Um ano antes eram US$ 9,17 bilhões.

Isso representa crescimento de 127%.

A divisão de semicondutores agora responde por aproximadamente 70% de toda a receita da Broadcom.

Os outros 30% vieram da área de software de infraestrutura, que inclui os negócios relacionados à VMware e alcançou US$ 8,75 bilhões, avanço de 29% na comparação anual.

Lucro líquido ultrapassa US$ 13 bilhões

A explosão das vendas também apareceu diretamente na lucratividade.

A Broadcom registrou lucro líquido GAAP de US$ 13,09 bilhões, contra US$ 4,14 bilhões no mesmo período do ano anterior.

O avanço foi de aproximadamente 216%.

O lucro operacional atingiu quase US$ 16 bilhões, enquanto o resultado operacional ajustado chegou a US$ 20,1 bilhões.

O lucro diluído por ação ficou em US$ 2,68 pelo padrão contábil GAAP e US$ 3,32 em termos ajustados.

Empresa gerou US$ 13,7 bilhões em caixa livre

Outro número chama atenção.

Durante apenas três meses, a Broadcom gerou US$ 14,2 bilhões em caixa operacional.

Depois de aproximadamente US$ 500 milhões em investimentos de capital, sobraram US$ 13,7 bilhões em fluxo de caixa livre.

Isso equivale a cerca de 46% da receita do período.

A companhia encerrou o trimestre com aproximadamente US$ 24 bilhões em caixa e equivalentes.

Os números mostram como a infraestrutura de IA não está apenas elevando o faturamento, mas também produzindo enorme geração de caixa para fornecedores posicionados em pontos estratégicos da cadeia.

Próximo trimestre pode ser ainda maior

A Broadcom acredita que a aceleração está longe de terminar.

Para o quarto trimestre fiscal de 2026, a companhia projeta receita total próxima de US$ 34,8 bilhões, o que representaria crescimento anual de aproximadamente 93%.

Só a receita proveniente de semicondutores de IA deve alcançar US$ 21,7 bilhões.

Se a previsão for confirmada, o negócio crescerá cerca de 236% em apenas um ano.

Isso significa que, entre o segundo e o quarto trimestre fiscal deste ano, a receita trimestral de IA da Broadcom poderá praticamente dobrar: de US$ 10,8 bilhões para US$ 21,7 bilhões.

Meta agora é US$ 115 bilhões em chips de IA em 2027

A companhia também elevou suas expectativas para o médio prazo.

A Broadcom passou a projetar aproximadamente US$ 115 bilhões em receita com chips de IA no ano fiscal de 2027, acima de uma previsão anterior superior a US$ 100 bilhões.

Para 2028, a expectativa chega a aproximadamente US$ 230 bilhões.

São projeções extremamente agressivas e dependem da continuidade dos investimentos bilionários realizados pelas grandes empresas de tecnologia.

Mas ajudam a demonstrar a escala que a Broadcom acredita que esse mercado poderá alcançar.

IA começa a criar alternativas à Nvidia

A Nvidia continua sendo a força dominante no mercado de aceleradores para inteligência artificial.

Mas a expansão da Broadcom revela que a infraestrutura da IA está ficando mais diversificada.

Google, Meta, OpenAI e outras gigantes possuem incentivo financeiro para desenvolver alternativas próprias, principalmente quando operam data centers com centenas de milhares de aceleradores.

Uma economia relativamente pequena por chip pode representar bilhões de dólares quando multiplicada por essa escala.

A disputa, portanto, deixa de ser apenas Nvidia contra AMD.

Existe uma segunda corrida acontecendo: gigantes de tecnologia construindo seus próprios chips com ajuda de empresas especializadas como a Broadcom.

Redes se tornam tão importantes quanto os próprios chips

Outro ponto estratégico é a conectividade.

Treinar e executar os maiores modelos de IA exige conectar milhares ou até centenas de milhares de processadores.

Se os chips não conseguirem trocar informações rapidamente, parte do poder computacional fica ociosa.

A Broadcom é uma das principais fornecedoras mundiais das tecnologias de rede utilizadas para resolver esse gargalo.

É por isso que o CEO Hock Tan destaca simultaneamente a demanda por aceleradores personalizados e networking para IA.

Na próxima geração de data centers, vender apenas o processador pode não ser suficiente. A infraestrutura responsável por fazer milhares deles funcionarem como um único sistema também se tornou um mercado bilionário.

Corrida da IA está redistribuindo bilhões pela indústria

O resultado da Broadcom reforça uma mudança importante na economia da inteligência artificial.

A primeira fase da corrida ficou marcada principalmente pelos modelos generativos e pelo crescimento explosivo da Nvidia.

Agora, os investimentos começam a se espalhar por toda a infraestrutura: chips personalizados, redes, memória, energia, refrigeração, data centers e sistemas de armazenamento.

Broadcom está posicionada em algumas das áreas mais estratégicas dessa cadeia.

Os US$ 16,7 bilhões obtidos com semicondutores de IA em apenas um trimestre mostram que a empresa deixou de ser apenas uma fornecedora beneficiada indiretamente pelo boom.

Ela se transformou em um dos principais termômetros da expansão física da inteligência artificial.

E a projeção de US$ 21,7 bilhões já para o próximo trimestre indica que, pelo menos por enquanto, a corrida mundial para construir capacidade computacional continua acelerando.

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