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AIR levanta US$ 50 milhões para criar um “firewall” capaz de proteger agentes autônomos de IA

Startup de cibersegurança saiu do modo stealth com uma plataforma que descobre agentes utilizados dentro das empresas, verifica skills, plugins e servidores MCP e bloqueia componentes considerados perigosos. A aposta é que a nova geração de agentes criará uma cadeia de suprimentos de software que precisará ser monitorada continuamente.

A corrida pelos agentes autônomos de inteligência artificial está criando um novo mercado de cibersegurança. A startup AIR Security saiu do modo stealth após levantar US$ 50 milhões para desenvolver uma camada de proteção voltada especificamente aos agentes de IA utilizados dentro das empresas.

A informação apresentada na imagem está correta quanto ao investimento, mas a descrição de que a AIR pretende simplesmente “avaliar habilidades dos agentes” pode gerar uma interpretação incompleta. O foco principal da empresa é avaliar e controlar as skills, plugins, servidores MCP, ferramentas e outros componentes externos utilizados pelos agentes, além de descobrir quais agentes estão funcionando dentro do ambiente corporativo.

Os US$ 50 milhões foram levantados em duas rodadas seed realizadas com poucas semanas de diferença: a primeira, de US$ 10 milhões, foi liderada pela Sequoia Capital; a segunda, de US$ 40 milhões, teve liderança da Greenoaks.

Agentes estão ganhando poder dentro das empresas

A preocupação da AIR surge justamente da evolução dos assistentes tradicionais para sistemas capazes de executar tarefas.

Um chatbot normalmente recebe uma pergunta e produz uma resposta.

Um agente pode ir muito além.

Ele pode acessar arquivos, consultar bancos de dados, navegar na internet, chamar APIs, utilizar ferramentas externas, executar código e tomar determinadas decisões para concluir uma tarefa.

Quanto maior a autonomia, maior também a superfície de ataque.

O problema deixa de ser apenas saber se o modelo de IA é seguro. É necessário verificar tudo aquilo que o agente pode utilizar para realizar seu trabalho.

Skills e plugins criam uma nova cadeia de suprimentos

Os fundadores da AIR enxergam o surgimento de uma espécie de nova cadeia de suprimentos de software.

Agentes podem incorporar skills, plugins, servidores MCP e diferentes add-ons produzidos por terceiros.

Esses componentes ampliam enormemente o que uma IA consegue fazer, mas também introduzem novas dependências.

Uma ferramenta legítima hoje pode se tornar perigosa amanhã caso seu desenvolvedor seja comprometido, uma biblioteca utilizada por ela seja modificada ou uma atualização introduza código malicioso.

Isso lembra os tradicionais ataques de supply chain, nos quais criminosos comprometem fornecedores ou bibliotecas para alcançar milhares de organizações simultaneamente.

A diferença é que agora existe outro elemento: o próprio agente pode decidir utilizar essas ferramentas de forma autônoma.

AIR quer funcionar como firewall dos agentes

A proposta da startup é criar uma camada intermediária entre o agente e tudo aquilo que entra em seu contexto.

Primeiro, a plataforma identifica agentes em execução dentro da organização.

Isso inclui ferramentas oficialmente autorizadas e também situações de Shadow AI, nas quais funcionários utilizam serviços ou contas pessoais sem conhecimento da equipe de TI.

Depois, o sistema acompanha os componentes utilizados por esses agentes.

Quando uma IA tenta carregar uma skill, utilizar determinado plugin ou buscar conteúdo externo, a plataforma pode analisar a ação antes que ela prossiga.

Se o recurso não atender aos critérios de segurança definidos pela organização, a interação pode ser bloqueada.

27% dos componentes analisados são rejeitados

Um número divulgado pela AIR ajuda a dimensionar o problema.

A empresa afirma que sua plataforma atualmente rejeita aproximadamente 27% das skills e add-ons encontrados publicamente na internet.

Isso não significa que todos esses componentes sejam necessariamente malware.

Eles podem ser bloqueados por diferentes razões, incluindo comportamento considerado inseguro, origem não confiável, permissões excessivas ou falha em atender aos critérios estabelecidos pela plataforma.

Mesmo assim, o percentual demonstra como o ecossistema de ferramentas para agentes ainda está longe da maturidade observada em plataformas tradicionais de software.

Ataque pode acontecer sem invadir diretamente a IA

Existe ainda uma característica particularmente preocupante nos agentes.

Um criminoso nem sempre precisa comprometer diretamente o modelo.

Ele pode tentar manipular as informações que o agente consome.

Imagine uma IA empresarial autorizada a navegar na web para pesquisar fornecedores.

Um invasor poderia criar uma página contendo instruções maliciosas escondidas do usuário humano, mas interpretáveis pelo agente.

Ao acessar aquele conteúdo, a IA poderia ser induzida a executar ações não previstas.

Essa técnica está relacionada aos ataques conhecidos como prompt injection indireto.

Quando o agente também possui acesso a e-mails, documentos, sistemas financeiros ou ferramentas corporativas, as consequências podem ser muito maiores.

MCP aumenta poder — e responsabilidade

O crescimento do Model Context Protocol (MCP) tornou essa discussão ainda mais importante.

O protocolo permite conectar modelos de IA a ferramentas e fontes externas de dados de maneira padronizada.

Na prática, um servidor MCP pode fornecer ao agente capacidade para consultar sistemas, manipular arquivos, acessar serviços corporativos ou executar diferentes funções.

Essa flexibilidade acelerou a criação de ecossistemas de agentes.

Mas cada nova integração também representa uma relação adicional de confiança.

Um servidor MCP malicioso ou comprometido pode tentar influenciar o comportamento do agente ou obter acesso a informações que não deveria receber.

Startup também terá marketplace de componentes verificados

Além do monitoramento, a AIR pretende oferecer um marketplace com skills e add-ons previamente avaliados.

A ideia lembra lojas de aplicativos que verificam programas antes de disponibilizá-los aos usuários.

Só que existe uma diferença importante.

Uma análise feita apenas no momento da publicação não é suficiente.

O componente pode mudar posteriormente.

Uma dependência pode ser comprometida, uma atualização pode introduzir comportamento perigoso ou a conta do próprio desenvolvedor pode ser tomada por criminosos.

Por isso, a empresa aposta em revalidação contínua.

Fundadores vieram da cibersegurança ofensiva

A AIR foi fundada por Yair Saban, CEO, e Niv Hoffman, CTO, ambos veteranos da Unidade 8200, divisão de inteligência militar israelense conhecida por formar profissionais que posteriormente criam empresas de cibersegurança.

Os dois trabalharam anteriormente com segurança ofensiva.

A startup possui atualmente cerca de 40 funcionários e pretende utilizar o novo capital principalmente para contratar pesquisadores e ampliar sua presença comercial nos Estados Unidos e Europa.

A companhia afirma já possuir mais de 20 clientes, sendo aproximadamente um quarto grandes empresas.

A maior procura estaria vindo de setores altamente regulados, especialmente serviços financeiros e indústria farmacêutica.

Mercado de segurança para agentes começa a atrair milhões

A AIR não está sozinha.

Empresas como Noma Security, Zenity, Astrix Security e Operant AI também estão desenvolvendo tecnologias destinadas à descoberta, governança e proteção de agentes e servidores MCP.

O volume de investimentos demonstra a expectativa de que essa categoria se torne relevante.

A Zenity, por exemplo, levantou US$ 125 milhões em uma Série C em agosto, enquanto a Noma conseguiu US$ 100 milhões em uma Série B anteriormente.

Os investidores parecem apostar que a adoção corporativa de agentes criará uma nova camada obrigatória na arquitetura de segurança.

Segurança precisa acompanhar a autonomia da IA

Durante a primeira fase da inteligência artificial generativa, grande parte da discussão de segurança estava concentrada no que um chatbot poderia responder.

Os agentes mudam essa equação.

O risco passa a envolver o que a inteligência artificial pode fazer.

Quanto mais sistemas corporativos um agente consegue acessar, maior o impacto potencial de uma decisão equivocada ou de uma manipulação externa.

Isso cria um desafio semelhante ao enfrentado pela indústria de computadores décadas atrás.

Softwares ganharam acesso a sistemas operacionais, surgiram lojas de aplicativos, assinaturas digitais, controles de permissão e mecanismos de proteção.

Agora, a indústria começa a construir uma infraestrutura semelhante para agentes.

A aposta da AIR é justamente que as empresas não confiarão apenas nas proteções oferecidas pelos próprios fornecedores de modelos. Organizações que utilizam diferentes IAs precisarão de uma camada independente capaz de enxergar todas elas.

Se essa previsão estiver correta, os agentes poderão criar não apenas uma nova categoria de software, mas também uma nova geração de firewalls — desenvolvidos para controlar aquilo que entra na “mente” das inteligências artificiais antes que elas tomem uma decisão.

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