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Axians Brasil e Lokimesh firmam parceria para levar Cyber Deception ao mercado corporativo

Acordo combina a capacidade de consultoria e integração da Axians com a plataforma de deception technology da Lokimesh, que utiliza ativos, credenciais e ambientes falsos para identificar invasores durante as primeiras movimentações dentro da infraestrutura.

A Axians Brasil anunciou uma parceria com a Lokimesh para ampliar sua oferta de cibersegurança no mercado brasileiro. O acordo incorpora soluções de Cyber Deception ao portfólio da integradora, adicionando uma camada de defesa projetada para detectar atacantes por meio de armadilhas digitais distribuídas pela infraestrutura corporativa.

A parceria foi divulgada pelas duas empresas nos últimos dias e envolve tecnologias como GhostGrid, Code Ambusher e Strategic Breadcrumbs, combinadas aos serviços de consultoria, integração e segurança oferecidos pela Axians.

A proposta é mudar parte da lógica tradicional da defesa: em vez de depender exclusivamente da identificação de comportamentos suspeitos em sistemas reais, a tecnologia cria recursos falsos que um usuário legítimo não deveria acessar. Quando alguém interage com esses elementos, a atividade pode produzir um alerta de alta relevância para o SOC.

Como funciona o Cyber Deception

O conceito é uma evolução dos tradicionais honeypots utilizados há anos por equipes de segurança.

A diferença está na escala e na capacidade de distribuir diferentes tipos de elementos falsos pela infraestrutura.

É possível criar servidores, serviços, arquivos, credenciais, aplicações e outros ativos que parecem legítimos para quem conseguiu entrar na rede.

Para um invasor realizando reconhecimento ou movimentação lateral, esses recursos aparecem como potenciais alvos.

Para a empresa, são armadilhas.

A interação com um ativo que não possui utilização operacional legítima reduz a ambiguidade do alerta e pode ajudar a equipe de segurança a identificar uma intrusão antes que o atacante alcance sistemas realmente críticos.

GhostGrid cria uma rede falsa dentro da infraestrutura

Entre as tecnologias apresentadas pela Lokimesh está o GhostGrid, responsável por criar redes de sistemas e serviços simulados.

A plataforma pode reproduzir características da infraestrutura existente e espalhar ativos virtuais que aparentam fazer parte do ambiente corporativo.

Segundo especificações divulgadas pela desenvolvedora, a tecnologia suporta mais de mil ativos virtuais por implantação e dezenas de serviços simulados, além de ambientes virtualizados, nuvem e contêineres.

Um atacante que consiga ultrapassar as primeiras barreiras pode acabar direcionando suas ações para essa infraestrutura falsa.

Isso permite observar técnicas, ferramentas e padrões utilizados durante a tentativa de invasão sem necessariamente expor os ativos de produção.

Código também pode receber armadilhas

Outro componente é o Code Ambusher, que leva o conceito de deception para aplicações.

A tecnologia introduz elementos projetados para atrair atividades maliciosas dentro do código, permitindo monitorar interações suspeitas e coletar informações para análise forense.

A Lokimesh afirma que o mecanismo pode ser integrado a pipelines de desenvolvimento e suporta mais de 15 linguagens de programação.

A estratégia busca ampliar o uso de deception para além da rede tradicional, acompanhando ambientes modernos em que aplicações, APIs, contêineres e serviços em nuvem representam uma parcela crescente da superfície de ataque.

Breadcrumbs tentam direcionar o invasor

A plataforma também utiliza os chamados breadcrumbs, ou “migalhas digitais”.

São pistas deliberadamente posicionadas no ambiente para parecer interessantes aos olhos de um atacante.

Uma credencial falsa, um documento aparentemente confidencial ou uma referência a determinado servidor pode direcionar o criminoso para uma armadilha monitorada.

O objetivo não é apenas detectar que alguém entrou na infraestrutura, mas compreender como o invasor se movimenta depois de conseguir acesso.

Essa informação pode ajudar equipes de segurança a descobrir quais caminhos seriam utilizados para alcançar sistemas críticos.

Menos ruído para os SOCs

Um dos problemas enfrentados pelos Security Operations Centers é a quantidade de alertas produzidos pelas ferramentas de segurança.

Firewalls, endpoints, sistemas de identidade, SIEMs e outras plataformas podem gerar milhares de eventos diariamente.

Grande parte precisa ser analisada antes que seja possível determinar se existe realmente uma ameaça.

O Cyber Deception tenta criar um sinal diferente.

Se determinado servidor ou credencial existe exclusivamente como armadilha, praticamente qualquer interação com esse recurso merece investigação.

A Lokimesh afirma que sua plataforma foi projetada para operar com baixo índice de falsos positivos e pode ser integrada a sistemas de SIEM e SOAR, permitindo que os alertas entrem nos fluxos já utilizados pelas equipes de segurança.

Axians entra como integradora da tecnologia

A participação da Axians é justamente transformar essa tecnologia em projetos adaptados à realidade das organizações.

A companhia atua no Brasil com soluções de cibersegurança, cloud, inteligência artificial, redes, infraestrutura de data centers, analytics e serviços gerenciados.

Com a parceria, a empresa passa a combinar essa capacidade de integração com a especialização da Lokimesh em deception.

Isso é relevante porque ferramentas desse tipo precisam ser posicionadas estrategicamente.

Uma armadilha mal desenhada ou desconectada da arquitetura real pode ser facilmente reconhecida por um atacante experiente. Quanto mais convincente for o ambiente falso, maior a possibilidade de induzir o invasor a revelar sua presença.

Segurança começa a tentar enganar quem ataca

A parceria também representa uma mudança interessante na evolução da cibersegurança.

Durante décadas, boa parte das ferramentas foi construída para impedir a entrada do invasor: firewall, antivírus, autenticação, controle de acesso e filtros de tráfego.

Depois surgiram tecnologias voltadas a identificar comportamentos anormais e responder rapidamente quando essas barreiras são ultrapassadas.

O Cyber Deception adiciona outra estratégia: manipular a percepção do próprio atacante.

Em vez de permitir que o criminoso enxergue claramente a infraestrutura depois de entrar, o ambiente passa a conter recursos falsos misturados aos verdadeiros.

Quanto maior a dúvida sobre o que é real, maior o custo operacional da invasão.

Parceria mira defesa mais proativa

A Axians afirma que a combinação entre consultoria, integração e Cyber Deception pretende fortalecer a capacidade de detecção e resposta das organizações.

Para a Lokimesh, a parceria amplia a chegada de sua tecnologia ao mercado corporativo brasileiro, utilizando a estrutura comercial e técnica de uma integradora já estabelecida.

O acordo ocorre em um momento no qual empresas precisam lidar não apenas com ataques mais numerosos, mas com invasores capazes de automatizar reconhecimento e exploração.

Nesse cenário, impedir 100% das tentativas de entrada é uma meta cada vez mais difícil.

A estratégia passa também por descobrir rapidamente quando alguém conseguiu atravessar as primeiras barreiras.

É justamente aí que está a aposta da parceria: se não for possível evitar todas as invasões, fazer o atacante interagir com uma armadilha antes de encontrar aquilo que realmente procura pode transformar o jogo da defesa.

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