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LinkISP 2026: Gramado consolida-se como capital dos provedores regionais de internet no Sul do Brasil

Nos dias 27 e 28 de agosto, o Serra Park, em Gramado (RS), recebeu a 7ª edição do LinkISP, um dos principais encontros de telecomunicações do país voltado especificamente aos ISPs — os provedores regionais de internet que, longe dos grandes centros, sustentam boa parte da conectividade no interior do Brasil. Organizado pela InternetSul, associação que reúne cerca de 170 provedores no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e outros estados, o evento reforçou seu papel como ponto de encontro entre mercado, governo e agências reguladoras.

Um evento que não para de crescer

Segundo a presidente da InternetSul, Raquel Schwambach, a edição deste ano cresceu 30% em relação a 2025, reflexo de uma demanda que, segundo ela, já vinha sendo represada pelo mercado. O crescimento também aparece nos números de expositores: enquanto a cobertura local registrou mais de 100 empresas presentes no salão, a organização já projetava, antes do evento, algo próximo de 120 expositores vindos de diferentes regiões do país — um indicativo de que o LinkISP deixou de ser um evento regional para se tornar uma vitrine nacional do setor.

A programação incluiu ainda o Fiber Cup, competição inédita entre técnicos de fusão e conectorização de fibra óptica, e contou com áreas temáticas de negócios, tecnologia e entretenimento — um formato que tenta equilibrar conteúdo técnico com geração de negócios e networking, um dos pilares do evento desde sua criação.

Governo e Anatel discutem os gargalos do setor

Um dos diferenciais do LinkISP em relação a outras feiras de tecnologia é a presença consistente de órgãos reguladores e do governo federal. Este ano, marcaram presença representantes do Ministério das Comunicações, da Anatel e de diversas associações de provedores de todo o país.

O secretário nacional de Telecomunicações, Hermano Tercuis, aproveitou o espaço para destacar o momento de expansão da infraestrutura digital gaúcha: somente entre janeiro e julho de 2026, o Rio Grande do Sul recebeu o anúncio de três grandes investimentos em data centers, somando R$ 857 milhões. O número, embora expressivo, é apenas uma fração do que vem sendo anunciado para o estado ao longo do ano — a InternetSul, aliás, opera num cenário em que o Rio Grande do Sul disputa posição de destaque nacional no setor: projetos como o data center da Parks em Cachoeirinha (R$ 500 milhões), o complexo da Tecto na zona norte de Porto Alegre (R$ 700 milhões) e, principalmente, a megaestrutura da Scala em Eldorado do Sul — batizada de “Scala AI City”, com potencial para atrair investimentos bilionários em capacidade voltada a inteligência artificial — colocam o estado no radar de operadoras, hyperscalers e fundos internacionais.

Já o superintendente executivo da Anatel, Gustavo Santana Borges, chamou atenção para um ponto estrutural do mercado brasileiro de internet: a força dos pequenos provedores regionais. Para ele, a posição do Brasil como referência mundial em conectividade se deve, em grande parte, a empresas que começaram pequenas e locais, e foram expandindo sua fibra própria — um modelo bem diferente do que se vê em boa parte do mundo, onde grandes operadoras dominam quase integralmente o mercado.

Interior conectado: o papel histórico dos provedores regionais

A fala de Flávio Feistauer, diretor Comercial da Sebratel, resumiu um dos temas centrais do evento: o papel da união entre provedores regionais na expansão da internet para além das capitais e regiões metropolitanas. Esse movimento — que ganhou força ao longo da última década, como lembrou o Business Advisor Paulo Roberto Todeschini — é hoje um dos pilares da conectividade no interior do país, especialmente em regiões onde grandes operadoras nacionais historicamente não chegaram com a mesma velocidade.

Esse contexto ajuda a explicar por que o LinkISP se tornou, ao longo de sete edições, um espaço tão relevante: ele não é apenas uma feira de tecnologia, mas um ambiente onde provedores regionais discutem gestão, crédito, regulação e infraestrutura — temas que, para empresas menores, muitas vezes pesam tanto quanto a própria tecnologia na hora de crescer.

Data centers, IA e o novo mapa da infraestrutura digital gaúcha

O pano de fundo desse crescimento é o boom de investimentos em data centers que o Rio Grande do Sul vive em 2026. O estado, que hoje responde por cerca de 2% da infraestrutura nacional de data centers, tenta aproveitar a disponibilidade de energia e a localização estratégica para atrair projetos voltados à computação em nuvem e à inteligência artificial — segmento que vem puxando boa parte dos novos investimentos no setor em todo o país.

Para os provedores regionais reunidos em Gramado, essa movimentação representa também uma oportunidade: mais capacidade de processamento e armazenamento de dados no próprio estado tende a significar menor latência, mais opções de conexão com backbones e, no médio prazo, novos modelos de negócio ligados a colocation e serviços em nuvem — um caminho que muitos ISPs já começam a explorar.

Próximo capítulo

Encerrada a 7ª edição, a InternetSul já projeta a próxima etapa do LinkISP, com a expectativa de ampliar ainda mais o número de expositores e participantes. Se o ritmo dos últimos anos se mantiver, o evento deve seguir crescendo na esteira de um movimento maior: o do Rio Grande do Sul se firmando como um dos principais polos de infraestrutura digital do Brasil — e dos pequenos e médios provedores regionais como peças-chave nessa engrenagem.

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