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Meta fecha acordo de até US$ 17,1 bilhões em processo sobre redes sociais e jovens

Dona do Instagram e Facebook encerra uma das maiores disputas judiciais envolvendo os efeitos das redes sociais sobre crianças e adolescentes. Além do pagamento bilionário, acordo prevê mudanças nos aplicativos, como limites de tempo e novas proteções para menores.

A Meta chegou nesta quarta-feira (26) a um acordo bilionário nos Estados Unidos para encerrar processos que acusavam a companhia de desenvolver Facebook e Instagram com recursos capazes de estimular o uso compulsivo entre crianças e adolescentes.

O acordo pode chegar a US$ 17,1 bilhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 86 bilhões, dependendo das condições previstas. A companhia não admite irregularidades e o entendimento ainda depende de aprovação judicial.

Processo envolvia dezenas de estados

A disputa ganhou força a partir de ações apresentadas por procuradores-gerais americanos. As acusações afirmavam que a Meta conhecia riscos relacionados ao uso de suas plataformas por menores, mas teria utilizado mecanismos destinados a prolongar o tempo de permanência dos jovens nos aplicativos.

Também havia questionamentos sobre a coleta de informações pessoais de crianças sem autorização dos pais, envolvendo regras previstas na legislação americana de proteção da privacidade infantil.

O acordo abrange 47 estados, o Distrito de Columbia e territórios americanos.

Instagram e Facebook terão mudanças

O impacto não ficará restrito ao pagamento.

A Meta concordou em implementar novas medidas de proteção para menores de idade, incluindo limites diários de utilização, restrições durante determinados horários e controles adicionais sobre recursos considerados potencialmente prejudiciais.

Também estão previstas melhorias nos controles parentais e restrições às notificações enviadas aos adolescentes em determinados períodos.

Parte das medidas deverá ser acompanhada por auditoria independente.

Julgamento poderia gerar prejuízo ainda maior

O acordo interrompe um julgamento federal que estava em andamento na Califórnia. Quatro estados envolvidos buscavam indenizações que poderiam chegar a US$ 1,4 trilhão, caso suas teses fossem integralmente aceitas.

A disputa era acompanhada de perto pelo setor de tecnologia porque poderia estabelecer novos parâmetros sobre a responsabilidade das plataformas pelo design de seus produtos.

Caso aumenta pressão sobre outras redes

O impacto também pode alcançar concorrentes.

TikTok, YouTube e Snap enfrentam questionamentos semelhantes relacionados ao uso de redes sociais por menores, enquanto governos de diferentes países avançam com regras específicas para proteção de crianças e adolescentes.

O acordo da Meta representa, portanto, mais do que uma indenização bilionária. Ele mostra que o próprio design das plataformas — algoritmos de recomendação, notificações, rolagem contínua e mecanismos de engajamento — está entrando definitivamente no centro das discussões regulatórias.

Para as empresas de tecnologia, o desafio passa a ser demonstrar que ferramentas criadas para aumentar engajamento não colocam usuários menores de idade em risco.

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