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Oracle prepara nova rodada de demissões enquanto dívida chega a US$ 129,5 bilhões com corrida pela IA

Gigante de tecnologia amplia investimentos em data centers para inteligência artificial e pode realizar cortes de dois dígitos em algumas equipes. Companhia gastou US$ 55,7 bilhões em infraestrutura no último ano fiscal e enfrenta pressão crescente sobre caixa e endividamento.

A corrida para construir a infraestrutura necessária à inteligência artificial está produzindo uma situação incomum dentro da Oracle: enquanto a empresa investe dezenas de bilhões de dólares em novos data centers, prepara uma nova rodada de demissões para reduzir despesas operacionais.

Gestores foram orientados a identificar funcionários que poderão ser afetados por novos cortes antes do início do segundo trimestre fiscal da companhia, em 1º de setembro. Dependendo da área, as reduções podem atingir percentuais de dois dígitos.

A possível nova rodada acontece depois de uma forte redução no quadro de funcionários. Ao longo do último ano fiscal, a Oracle eliminou aproximadamente 21 mil postos de trabalho, equivalentes a cerca de 13% de sua força de trabalho.

Ao mesmo tempo, a companhia está realizando uma das maiores apostas financeiras de sua história para disputar o mercado de infraestrutura de inteligência artificial.

US$ 55,7 bilhões foram destinados à infraestrutura

O tamanho dessa transformação aparece nos investimentos.

No ano fiscal de 2026, a Oracle registrou aproximadamente US$ 55,7 bilhões em despesas de capital, contra US$ 21,2 bilhões no período anterior.

O salto foi superior a 160% em apenas um ano.

Grande parte desse dinheiro está sendo direcionada à expansão da Oracle Cloud Infrastructure (OCI), incluindo novos data centers, servidores, redes e aceleradores necessários para executar modelos avançados de inteligência artificial.

O problema é que essa expansão está acontecendo mais rapidamente do que a geração de caixa consegue acompanhar.

Dívida chega a US$ 129,5 bilhões

A Oracle encerrou o último exercício com uma dívida total próxima de US$ 129,5 bilhões, contra cerca de US$ 92,6 bilhões no ano anterior.

Durante o período, a companhia levantou dezenas de bilhões de dólares por meio de novas dívidas para financiar sua expansão.

A estratégia coloca a Oracle em uma situação diferente de alguns de seus principais concorrentes no mercado de nuvem.

Microsoft, Amazon e Google também estão investindo valores gigantescos em inteligência artificial, mas possuem operações capazes de gerar enormes volumes de caixa para financiar parte significativa desses projetos.

A Oracle precisa recorrer mais intensamente aos mercados financeiros.

Outros US$ 260 bilhões estão comprometidos com data centers

A dívida registrada no balanço não mostra toda a dimensão da aposta.

A companhia também possui aproximadamente US$ 260 bilhões em compromissos futuros relacionados ao arrendamento de data centers.

Esses contratos podem durar entre 15 e 19 anos.

Isso significa que a Oracle está assumindo compromissos financeiros de longo prazo baseados na expectativa de que a demanda por capacidade computacional para IA continuará crescendo durante muitos anos.

Caso essa previsão esteja correta, os novos data centers poderão gerar receitas expressivas.

Caso o crescimento desacelere, parte dessa infraestrutura poderá se transformar em um pesado compromisso financeiro.

Oracle já cortou 21 mil funcionários

A redução de despesas com pessoal ocorre paralelamente a esse crescimento dos investimentos.

A empresa terminou maio com aproximadamente 141 mil funcionários, ante cerca de 162 mil um ano antes.

Isso representa uma redução próxima de 21 mil trabalhadores.

As despesas relacionadas a desligamentos e reestruturação chegaram a aproximadamente US$ 1,84 bilhão, contra US$ 374 milhões no exercício anterior.

Agora, novos cortes podem acontecer.

Em algumas equipes, as reduções estudadas podem alcançar percentuais de dois dígitos.

IA também está sendo usada internamente para reduzir custos

Existe uma segunda dimensão na relação entre inteligência artificial e as demissões.

Além de direcionar recursos financeiros para data centers, a Oracle vem utilizando IA dentro de suas próprias operações.

A companhia reconheceu que a adoção e implantação dessas tecnologias podem reduzir a necessidade de determinados postos de trabalho.

Isso cria uma combinação particularmente significativa.

A IA está simultaneamente aumentando os investimentos em infraestrutura e permitindo que a empresa tente reduzir despesas operacionais por meio de automação.

O dinheiro economizado em determinadas áreas pode ser redirecionado para chips, servidores, energia e construção de data centers.

Negócio de nuvem está crescendo rapidamente

A estratégia não acontece porque a Oracle esteja enfrentando falta de demanda.

Pelo contrário.

A receita total da companhia cresceu aproximadamente 17% no último exercício, enquanto o negócio de infraestrutura em nuvem registrou expansão ainda mais acelerada.

A demanda por capacidade computacional para inteligência artificial está impulsionando a OCI e transformando a Oracle em uma concorrente cada vez mais relevante no mercado de infraestrutura para grandes modelos.

O desafio é que atender essa demanda exige investimentos gigantescos antes que toda a receita contratada comece efetivamente a entrar no caixa.

OpenAI representa uma aposta importante

Parte significativa das expectativas da Oracle está relacionada a grandes clientes de inteligência artificial.

A companhia vem construindo infraestrutura para atender organizações que necessitam de enormes quantidades de capacidade computacional.

Entre elas está a OpenAI.

Contratos desse tamanho podem garantir receitas durante vários anos, mas também criam concentração.

Se grandes clientes reduzirem seus planos de expansão, atrasarem projetos ou migrarem cargas para outros fornecedores, a Oracle poderá permanecer comprometida com infraestrutura extremamente cara.

Essa é uma das razões pelas quais investidores estão acompanhando de perto o crescimento da dívida.

Classificação de crédito entra na zona de atenção

O aumento da alavancagem também começa a preocupar o mercado de crédito.

A Oracle está próxima do limite inferior da classificação considerada grau de investimento.

Uma eventual deterioração adicional poderia elevar o custo de financiamento da companhia.

Isso seria particularmente problemático em um momento no qual a empresa precisa continuar levantando bilhões de dólares para construir infraestrutura.

Quanto maior o risco percebido pelos investidores, maiores tendem a ser os juros exigidos para emprestar dinheiro.

E juros maiores tornam cada novo data center ainda mais caro.

Oracle pretende captar mais US$ 40 bilhões

Apesar da pressão financeira, a companhia não demonstra intenção de desacelerar significativamente sua expansão.

A expectativa é levantar aproximadamente US$ 40 bilhões adicionais, combinando novas dívidas e emissão de ações para financiar a infraestrutura necessária ao crescimento da nuvem.

Isso demonstra a dimensão da aposta.

A Oracle acredita que a demanda futura por inteligência artificial será suficientemente grande para justificar anos de investimentos extremamente elevados.

É uma estratégia de alto risco, mas também de enorme potencial.

IA começa a reorganizar o orçamento das Big Techs

O caso da Oracle representa uma transformação mais ampla que está acontecendo na indústria.

Durante décadas, empresas de tecnologia investiram pesadamente em profissionais.

Agora, uma parcela crescente dos recursos está sendo direcionada para infraestrutura computacional.

GPUs, data centers, energia, redes ópticas, sistemas de refrigeração e armazenamento estão absorvendo dezenas de bilhões de dólares.

Em algumas companhias, essa mudança começa a produzir uma troca bastante clara:

menos dinheiro para determinadas estruturas de pessoal e mais dinheiro para capacidade computacional.

Isso não significa que todos os cortes estejam diretamente relacionados à inteligência artificial. Reestruturações corporativas possuem diferentes causas.

Mas a escala dos investimentos em IA está alterando profundamente a maneira como as gigantes de tecnologia distribuem seus recursos.

A conta da corrida pela IA começa a aparecer

Durante os últimos anos, o mercado concentrou atenção nos ganhos proporcionados pela inteligência artificial.

Agora, a dimensão financeira necessária para construir essa infraestrutura começa a ficar mais evidente.

A Oracle é um dos exemplos mais extremos.

São US$ 129,5 bilhões em dívida, US$ 55,7 bilhões investidos em infraestrutura em apenas um exercício e cerca de US$ 260 bilhões em compromissos futuros relacionados a data centers.

Ao mesmo tempo, milhares de empregos foram eliminados e novos cortes estão sendo preparados.

A estratégia pode transformar a Oracle em uma das maiores fornecedoras mundiais de infraestrutura para inteligência artificial.

Mas existe uma condição: a demanda futura por IA precisará ser grande o suficiente para pagar a gigantesca infraestrutura que está sendo construída hoje.

Essa talvez seja uma das maiores apostas corporativas da atual corrida tecnológica.

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