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Nubank investe cerca de R$ 1 mil por funcionário ao mês para acelerar uso de inteligência artificial

Estratégia alcança cerca de 9 mil colaboradores e permite testar ferramentas como ChatGPT e Claude. Banco digital aposta na experimentação em larga escala para transformar IA em produtividade e novos produtos.

O Nubank está adotando uma estratégia agressiva para fazer com que a inteligência artificial deixe de ser apenas uma tecnologia restrita às equipes de desenvolvimento e passe a fazer parte da rotina de praticamente toda a empresa.

A fintech mantém um orçamento que equivale a aproximadamente R$ 1 mil por funcionário por mês para utilização e experimentação de ferramentas de inteligência artificial. Considerando uma força de trabalho próxima de 9 mil pessoas, o investimento destinado a esse tipo de tecnologia chega a aproximadamente US$ 500 mil por semana, ou cerca de R$ 2,6 milhões semanais, dependendo da cotação.

A iniciativa funciona como uma espécie de “vale IA” corporativo: os profissionais têm acesso a ferramentas generativas e são incentivados a descobrir maneiras de utilizá-las para melhorar processos, desenvolver produtos e aumentar a produtividade.

ChatGPT e Claude estão entre as ferramentas utilizadas

O investimento permite que os funcionários experimentem diferentes plataformas de inteligência artificial, incluindo soluções como ChatGPT e Claude.

A estratégia parte de uma lógica diferente daquela adotada tradicionalmente pelas grandes empresas na implementação de novas tecnologias.

Em vez de concentrar toda a experimentação em uma pequena equipe especializada, o Nubank distribui o acesso pela organização.

Assim, desenvolvedores podem utilizar IA para programação, profissionais administrativos podem automatizar tarefas, equipes de produto podem acelerar protótipos e outras áreas podem encontrar aplicações específicas para suas atividades.

O banco também acompanha internamente a utilização dessas ferramentas e seus impactos.

Uso de IA já se aproxima de toda a empresa

A estratégia parece estar produzindo uma adoção extremamente elevada.

Em apresentações recentes, o Nubank informou que está chegando perto de 100% de utilização de ferramentas de inteligência artificial entre seus funcionários, considerando diferentes áreas da organização.

A empresa estrutura sua transformação em três grandes etapas.

A primeira envolve assistência por IA, colocando ferramentas nas mãos dos profissionais.

A segunda busca redesenhar processos inteiros para que determinadas tarefas possam ser executadas pela inteligência artificial enquanto decisões críticas continuam sob responsabilidade humana.

A terceira é mais ambiciosa: transformar o próprio Nubank em um banco nativo em inteligência artificial.

Produtividade de engenharia cresceu mais de 50%

Os resultados já começam a aparecer em indicadores internos.

A produtividade das equipes de engenharia cresceu mais de 50% na comparação anual, enquanto o consumo semanal de tokens de inteligência artificial chegou a aproximadamente dez vezes o nível registrado no início do ano.

Os ciclos de testes também ficaram significativamente mais rápidos.

Esses números ajudam a explicar por que a companhia está disposta a investir milhões para colocar ferramentas generativas à disposição dos funcionários.

Se uma assinatura ou utilização de API custa algumas centenas de reais, mas economiza várias horas mensais de um profissional altamente qualificado, o retorno pode rapidamente superar o investimento.

IA passa a ser tratada como infraestrutura de trabalho

Essa talvez seja a mudança mais importante na estratégia.

Durante os primeiros anos da IA generativa, muitas empresas trataram ChatGPT, Claude e ferramentas semelhantes como serviços experimentais.

O Nubank está seguindo outra direção.

A inteligência artificial começa a ser encarada de maneira semelhante a notebooks, sistemas corporativos, plataformas de comunicação e serviços em nuvem: uma infraestrutura necessária para que o funcionário consiga trabalhar.

Nesse modelo, a pergunta deixa de ser se determinado profissional deveria utilizar IA.

A discussão passa a ser como cada área pode utilizar IA para produzir mais ou executar tarefas de maneira diferente.

Nubank possui modelos próprios de inteligência artificial

A estratégia não depende apenas de ferramentas externas.

O banco também desenvolve tecnologias próprias.

Entre elas está o nuFormer, conjunto de modelos fundacionais utilizados para diferentes decisões financeiras.

A tecnologia já é aplicada em processos relacionados a cartões de crédito no Brasil e no México e em empréstimos sem garantia no mercado brasileiro.

Além disso, a aquisição da Hyperplane trouxe para dentro da empresa pesquisadores com experiência em companhias como Google, Meta, Apple e Microsoft.

O objetivo é combinar modelos externos de última geração com tecnologias proprietárias treinadas sobre necessidades específicas do setor financeiro.

IA também começa a chegar diretamente aos clientes

A transformação interna é apenas uma parte da estratégia.

O Nubank desenvolve um conceito chamado internamente de AI Private Banker, que pretende utilizar inteligência artificial para oferecer orientação financeira personalizada em escala.

A ideia é permitir que milhões de clientes tenham acesso a recursos capazes de ajudar na organização financeira, pagamentos, crédito e gerenciamento de dívidas.

Funcionalidades relacionadas a essa estratégia já alcançam mais de 15 milhões de usuários ativos mensalmente.

Se a iniciativa avançar, a IA deixará de atuar apenas nos bastidores do banco e passará a ocupar uma posição muito mais visível na relação entre clientes e instituição financeira.

Goldman Sachs vê Nubank entre os líderes da corrida bancária pela IA

A estratégia também chama atenção do mercado financeiro internacional.

Análises recentes colocam o Nubank e o Itaú em posições de destaque na adoção de inteligência artificial no setor bancário.

No caso do Nubank, existe uma vantagem estrutural importante: a empresa nasceu digital.

Bancos tradicionais possuem décadas de sistemas legados que precisam ser modernizados ou integrados às novas plataformas. Uma fintech construída originalmente sobre infraestrutura digital consegue implementar determinadas tecnologias com menos barreiras.

Essa característica pode acelerar a adoção de agentes, modelos generativos e automações em diferentes áreas da instituição.

Maior parte do retorno da IA ainda vem da produtividade

Apesar da enorme expectativa em torno de produtos financeiros baseados em inteligência artificial, o principal retorno econômico da tecnologia ainda acontece dentro das próprias empresas.

Cerca de 86% do retorno dos investimentos em IA no setor bancário está associado a ganhos de produtividade.

Na prática, isso pode representar uma economia aproximada de uma a duas horas de trabalho por funcionário a cada semana.

Multiplique algumas horas por milhares de funcionários durante um ano e o impacto econômico começa a ficar significativo.

É justamente aí que um orçamento de R$ 1 mil mensais por profissional pode fazer sentido.

“Vale IA” pode se tornar o novo benefício corporativo

Durante anos, empresas distribuíram notebooks, celulares, softwares e benefícios destinados a aumentar a produtividade dos profissionais.

A inteligência artificial pode estar criando uma nova categoria.

Em vez de comprar uma única plataforma para toda a organização, companhias começam a disponibilizar orçamentos para que os próprios funcionários experimentem diferentes modelos e descubram quais ferramentas funcionam melhor para suas atividades.

O resultado pode ser uma espécie de seleção natural corporativa: ferramentas que realmente aumentam produtividade passam a ser utilizadas continuamente, enquanto aquelas que entregam pouco valor são abandonadas.

Para o Nubank, essa experimentação acontece em uma escala considerável.

Com aproximadamente 9 mil funcionários utilizando inteligência artificial, a empresa transforma sua própria força de trabalho em um enorme laboratório para descobrir aplicações da tecnologia.

E isso revela uma mudança maior no mercado: saber trabalhar com inteligência artificial começa a deixar de ser uma habilidade exclusiva de profissionais de tecnologia para se transformar em uma competência esperada de praticamente qualquer trabalhador digital.

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