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Cibersegurança ganha espaço no orçamento e passa a influenciar estratégia de nuvem

Pesquisa mostra que 80,4% das empresas brasileiras pretendem aumentar gastos com segurança em 2026, enquanto requisitos de proteção e soberania levam companhias a mover cargas entre ambientes

A cibersegurança está ganhando peso nas decisões de investimento e na estratégia de infraestrutura das empresas brasileiras. Pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) em parceria com a IDC aponta que 80,4% das organizações consultadas pretendem aumentar os gastos com segurança cibernética em 2026. Outros 18,7% devem manter os investimentos no mesmo nível.

O levantamento ouviu 107 empresas brasileiras com mais de 100 funcionários, com participação de profissionais responsáveis por decisões de tecnologia. Entre os entrevistados, 98% afirmam tomar ou influenciar diretamente decisões estratégicas de TI.

A importância da segurança também aparece no nível executivo. Para 64% das empresas, a alta administração considera os gastos com cibersegurança uma parte fundamental do orçamento total de tecnologia. Outros 22% enxergam a área como uma aceleradora ou facilitadora dos negócios. Além disso, 72% classificam a postura de segurança de suas organizações como madura ou estratégica.

Vulnerabilidades são principal preocupação

Entre os desafios apontados pelas empresas, as vulnerabilidades de software lideram, citadas por 71% dos participantes. A falta de profissionais especializados aparece em segundo lugar, com 67%, seguida por ataques de ransomware, com 49%, e pela falta de conscientização dos funcionários, mencionada por 46%.

A proteção dos ativos também ganhou destaque: 79% deram a maior nota de importância à necessidade de manter a segurança e a confiabilidade dos ativos empresariais. Evitar danos à reputação foi considerado prioridade máxima por 75%, enquanto 70% destacaram a prevenção contra vazamentos ou perdas não intencionais de dados.

Segurança influencia escolha da nuvem

O aumento dos investimentos ocorre paralelamente à expansão do uso de diferentes modelos de computação em nuvem. 64% das empresas esperam ampliar suas cargas de trabalho em nuvem pública em 2026. No SaaS contratado de provedores de nuvem, 67% também projetam crescimento.

Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que a migração para a nuvem não é necessariamente definitiva. 55% das empresas afirmam já ter retirado cargas da nuvem pública. Entre elas, a principal motivação foi justamente a necessidade de atender requisitos específicos de segurança ou soberania de dados, responsável por 37,3% das respostas.

A conformidade com regulamentações, incluindo a LGPD, aparece com 13,6%, enquanto exigências de desempenho e baixa latência também representam 13,6%.

Na implantação ou migração para a nuvem pública, os riscos de segurança provocados por novos vetores de ataque são apontados como o principal desafio, com 38%. A escassez de profissionais especializados em cloud, FinOps, segurança e automação aparece logo atrás, com 37%.

O cenário indica que a segurança deixou de ser apenas uma camada adicional da infraestrutura de TI e passou a influenciar diretamente onde os dados e aplicações são hospedados, como as empresas utilizam a nuvem e quais investimentos tecnológicos são priorizados.

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