
Um homem que permaneceu seis anos tetraplégico voltou a escrever graças a um implante cerebral equipado com inteligência artificial. O dispositivo, chamado NEO, interpreta sinais enviados pelo cérebro e os transforma em comandos capazes de auxiliar na recuperação dos movimentos, representando um avanço significativo nas interfaces cérebro-computador.
O paciente, identificado como Dong Hui, sofreu uma lesão medular aos 33 anos que interrompeu a comunicação entre o cérebro e os músculos do corpo. Embora seu cérebro continuasse gerando comandos para movimentar as mãos, esses sinais não conseguiam mais alcançar os membros devido ao dano na medula espinhal.
Após a implantação do dispositivo e 11 meses de reabilitação, Hui conseguiu novamente segurar uma caneta e escrever seu próprio nome. Em seguida, também escreveu a palavra “Obrigado”, um momento considerado simbólico pelos pesquisadores por representar a recuperação parcial de uma habilidade perdida há anos.
O sistema foi desenvolvido pela empresa chinesa Neuracle Technology, em parceria com pesquisadores da Universidade de Tsinghua, em Pequim. O implante registra a atividade do córtex motor, região do cérebro responsável pelo planejamento dos movimentos, enquanto algoritmos de inteligência artificial aprendem a interpretar a intenção do usuário e transformá-la em comandos para dispositivos de apoio durante a reabilitação.
Diferentemente de outras interfaces cérebro-computador mais invasivas, o NEO capta os sinais cerebrais na superfície da dura-máter, reduzindo a necessidade de inserção profunda de eletrodos no tecido cerebral. Durante o tratamento, os comandos do cérebro foram utilizados para controlar uma luva robótica, auxiliando o paciente a reaprender movimentos das mãos e estimulando a reorganização das conexões neurais.
O dispositivo já recebeu autorização para uso clínico em pessoas com tetraplegia que atendam aos critérios médicos estabelecidos. Especialistas avaliam que a tecnologia representa um marco para a medicina ao demonstrar que interfaces cérebro-computador estão deixando os laboratórios e começando a ser aplicadas em tratamentos reais. Ao mesmo tempo, ressaltam a necessidade de discutir questões relacionadas à privacidade dos dados cerebrais, segurança e acesso a esse tipo de terapia no futuro.



