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EUA querem ampliar restrições a operadoras chinesas por riscos de espionagem

Congresso recomenda endurecer medidas contra China Mobile, China Telecom e China Unicom após investigação sobre segurança da infraestrutura de internet

Um comitê bipartidário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos recomendou a ampliação das restrições impostas às operadoras estatais chinesas China Mobile, China Telecom e China Unicom, alegando que as empresas continuam representando riscos à segurança da infraestrutura de internet norte-americana. A recomendação foi apresentada após uma investigação que analisou a presença das companhias no país mesmo depois da perda de suas autorizações para operar serviços de telecomunicações entre 2019 e 2022.

O relatório foi elaborado pelo Select Committee on China na esteira da campanha de espionagem cibernética atribuída ao grupo Salt Typhoon, que comprometeu pelo menos nove operadoras de telecomunicações dos Estados Unidos. Durante a investigação, parlamentares intimaram as empresas a fornecer documentos e realizaram entrevistas com representantes das operadoras. Segundo o comitê, nenhuma delas atua de forma independente de suas controladoras chinesas, mantendo vínculos estreitos com o governo de Pequim.

Apesar de a Comissão Federal de Comunicações (FCC) ter revogado ou negado licenças para determinados serviços internacionais, o relatório afirma que as medidas não obrigaram as empresas a remover equipamentos, encerrar operações físicas ou romper contratos de interconexão. Com isso, as três operadoras continuaram presentes em data centers, redes de comunicação e pontos estratégicos da infraestrutura de internet dos EUA, preservando acesso a sistemas considerados sensíveis.

Diante desse cenário, o comitê recomenda que o Congresso amplie os poderes da FCC para restringir ainda mais a atuação dessas empresas e exija que operadoras norte-americanas substituam equipamentos fornecidos pelas companhias chinesas. O presidente do comitê, o deputado John Moolenaar, afirmou que a permanência dessas operadoras representa uma ameaça à infraestrutura digital do país por estarem subordinadas ao governo chinês.

A investigação também aponta que as empresas continuaram oferecendo serviços de rede menos regulamentados, administrando VPNs, alugando espaço em instalações nos Estados Unidos, intermediando equipamentos de terceiros e roteando tráfego internacional. Além disso, o relatório destaca que parte da infraestrutura utilizada em ataques atribuídos ao grupo Salt Typhoon foi associada à rede da China Mobile, embora não haja acusação de participação direta da empresa na campanha. Também são citados episódios anteriores de desvio de rotas de internet envolvendo a China Telecom e ligações da China Unicom com empresas chinesas sancionadas por suposto envolvimento em operações de espionagem.

A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo do governo norte-americano para reduzir a presença de tecnologia chinesa em setores considerados críticos. Nos últimos dias, autoridades também passaram a discutir restrições à importação de componentes chineses para data centers utilizados em aplicações de inteligência artificial, alegando riscos de roubo de dados, instalação de malware e interrupção de serviços essenciais.

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